O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o ex-mandatário Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro deveriam responder por “traição à pátria”. Em entrevista à agência Reuters, Lula afirmou que pai e filho teriam trabalhado nos bastidores, em Washington, para convencer o então presidente norte-americano Donald Trump a impor uma tarifa de importação de 50 % sobre produtos brasileiros — percentual que, segundo ele, nunca havia sido aplicado pelos Estados Unidos a qualquer outra nação.
Acusação de Lula envolve lobby e prejuízos econômicos
De acordo com a versão apresentada pelo chefe do Executivo, as articulações ocorreram durante visitas de Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos. O deputado licenciou-se do mandato no início do ano, mudou-se para o país e passou a manter encontros frequentes com aliados de Trump. Lula sustenta que essas iniciativas culminaram no anúncio da sobretaxa, classificando o episódio como “sem precedentes”. Para o presidente, a medida norte-americana afeta diretamente a competitividade de bens brasileiros e compromete postos de trabalho no setor produtivo nacional.
“Não existe precedente de um presidente da República e de um filho deputado irem aos Estados Unidos para insuflar o presidente americano contra o Brasil”, declarou Lula à Reuters. Ele defendeu que as autoridades competentes avaliem a conduta de Jair e Eduardo Bolsonaro e, se confirmadas as suspeitas, apliquem punições previstas na legislação para casos de traição.
Enquanto aguarda eventuais investigações, o governo brasileiro busca alternativas para mitigar o impacto da tarifa. Integrantes do Ministério da Indústria avaliam redirecionar parte das exportações afetadas para outros mercados e reforçar negociações bilaterais com parceiros da Ásia e do Oriente Médio.
Movimentação de Eduardo Bolsonaro em Washington
Eduardo Bolsonaro instalou-se nos Estados Unidos logo após deixar o mandato temporariamente. O principal objetivo, relatado por interlocutores do deputado, seria obter respaldo político de Trump em meio às ações judiciais movidas contra Jair Bolsonaro no Brasil, inclusive o inquérito que apura tentativa de golpe de Estado nas eleições de 2022.
As idas do parlamentar à capital norte-americana antecederam o comunicado da Casa Branca sobre a tarifa de 50 %. Embora a presidência brasileira relacione diretamente os eventos, não há informações divulgadas por Washington que confirmem a vinculação explícita entre o lobby alegado e a decisão comercial.


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Reação do Departamento de Estado e críticas a Moraes
Após a repercussão das declarações de Lula, o subsecretário de Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Daren Baty, voltou a se manifestar em plataformas digitais. Ele acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de comandar um “complexo de censura” contra Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Baty mencionou que supostos abusos de direitos humanos atribuídos ao magistrado teriam motivado sanções no âmbito da Global Magnitsky, adotadas pelo governo Trump.

O representante do Departamento de Estado recomendou que demais integrantes do Judiciário brasileiro não apoiem o que descreveu como “comportamento sancionado” e garantiu que Washington “monitora a situação de perto”. As postagens ampliaram tensões diplomáticas num momento em que Brasília reivindica a revisão da sobretaxa sobre as exportações nacionais.
STF conduz processos contra Bolsonaro
Lula afirmou que o Supremo Tribunal Federal age de forma independente ao analisar as denúncias que pesam sobre o ex-presidente. Os inquéritos incluem suspeitas de tentativa de golpe, disseminação de informações falsas e possíveis irregularidades sanitárias durante a pandemia.
No cenário político interno, líderes governistas defendem que o Congresso acompanhe de perto as supostas articulações internacionais relatadas por Lula. Já parlamentares ligados à oposição alegam perseguição e questionam a legalidade da acusação de “traição à pátria”, argumento que, na avaliação de aliados de Bolsonaro, exigiria apresentação de provas materiais e parecer técnico do Ministério da Defesa.
Até o momento, nenhuma investigação formal sobre a suposta interferência de Jair e Eduardo Bolsonaro na adoção da tarifa norte-americana foi aberta. A defesa do ex-presidente não comentou as declarações de Lula. O Itamaraty também não se pronunciou oficialmente sobre possíveis iniciativas para contestar a sobretaxa junto à Organização Mundial do Comércio.
Enquanto o impasse permanece, empresas brasileiras nos setores de aço, alumínio, calçados e alimentos avaliam impactos financeiros da nova alíquota. Entidades de classe calculam perdas potenciais e estudam acionar mecanismos de salvaguarda previstos em acordos internacionais.


