O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste fim de semana para Nova York, onde liderará a abertura da 80ª Assembleia-Geral das Nações Unidas na próxima terça-feira, 23. Mesmo em meio à escalada de tensões diplomáticas com Washington, Lula deve adotar um tom moderado ao tratar do presidente norte-americano, Donald Trump, concentrando-se em temas como soberania nacional, democracia e multilateralismo.
Agenda apertada em Nova York
Segundo a programação preliminar, Lula permanecerá nos Estados Unidos até quarta-feira, 24. Na segunda, 22, o petista participa da abertura da Semana do Clima de Nova York e de uma reunião organizada pelos governos da França e da Arábia Saudita sobre a questão palestina. Já na terça-feira, segue a tradição brasileira de iniciar os pronunciamentos dos chefes de Estado na ONU; Trump falará logo em seguida.
O Palácio do Planalto trabalha para evitar encontros fortuitos entre as duas delegações nos corredores da sede da ONU. Com a relação bilateral abalada, diplomatas avaliam ser mais prudente que possíveis divergências fiquem restritas aos discursos oficiais, sem fotos conjuntas ou diálogos improvisados diante das câmeras.
Crise desencadeada por tarifas e sanções
A deterioração do clima diplomático ganhou força após o governo norte-americano ampliar tarifas sobre produtos brasileiros e ameaçar aplicar a Lei Magnitsky a autoridades que votaram pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Porta-vozes próximos à Casa Branca falam em elevar as tarifas atualmente fixadas em 50 %, suspender vistos e estender sanções a familiares de integrantes do governo brasileiro.
Em entrevista à Fox News, o secretário de Estado Marco Rubio prometeu anunciar em “poucos dias” novas medidas contra o Brasil. Ainda assim, o Itamaraty confirma que Lula e a primeira-dama, Rosângela da Silva, mantêm vistos válidos, assim como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cuja renovação foi aprovada em agosto. Nos bastidores, diplomatas admitem preocupação com eventuais restrições adicionais, mas contam que, por ora, a comitiva conseguiu a documentação necessária.
Conteúdo do discurso: soberania, Palestina e clima
Assessores presidenciais indicam que Lula defenderá o reconhecimento pleno do Estado da Palestina, tema frequente em suas declarações desde a escalada de violência na Faixa de Gaza. Sobre a guerra na Ucrânia, o chefe do Executivo brasileiro deve reiterar o apelo a uma solução negociada, mantendo distância de sanções unilaterais que, segundo ele, comprometem a ordem multilateral.


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Outro ponto já definido é o convite formal à comunidade internacional para a COP-30, marcada para 2025 em Belém (PA). O presidente pretende reforçar o compromisso de seu governo com a preservação ambiental, buscando mostrar que o Brasil se posiciona como líder global na pauta climática.
Bolsonaro poderá ser citado, mas sem destaque
Embora alguns auxiliares defendessem mencionar o julgamento de Jair Bolsonaro como prova de “resiliência democrática”, a tendência é que o episódio seja citado apenas de modo breve. O discurso tem como público principal a audiência estrangeira; portanto, a estratégia é evitar temas de política interna que possam desviar o foco de assuntos globais.
Compromissos paralelos e coletiva final
Na quarta-feira, 24, Lula dirigirá uma reunião sobre democracia e participará da Cúpula das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), compromisso ligado ao Acordo de Paris. Até o momento, a única bilateral confirmada é com o secretário-geral da ONU, António Guterres, agendada pouco antes do pronunciamento oficial de abertura.

Imagem: Internet
Concluída a agenda, o presidente concederá entrevista coletiva para apresentar um balanço da viagem e, logo depois, retornará ao Brasil. A expectativa do Planalto é que o tom cauteloso no discurso minimize repercussões negativas em Washington e preserve espaços de diálogo em áreas estratégicas, como comércio e meio ambiente.
Vista conservadora sobre o cenário
Para observadores alinhados a valores conservadores, a escolha de Lula por um registro mais brando em relação a Donald Trump contrasta com críticas recentes publicadas em artigo no The New York Times. O recuo retórico sugere preocupação com possíveis represálias econômicas, sobretudo no agronegócio, setor que responde por parcela significativa do superávit comercial brasileiro.
Também chama atenção o fato de o presidente falar em soberania enquanto agradece apoio externo para sediar a COP-30 e pressiona pela criação do Estado palestino. A expectativa é que investidores e governos avaliem com cautela a coerência desse discurso diante de um cenário internacional cada vez mais polarizado.
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Em síntese, Lula pretende usar a vitrine da ONU para reafirmar prioridades de seu governo e, ao mesmo tempo, evitar conflito público com a administração Trump. Acompanharemos o impacto desse equilíbrio diplomático nos próximos desdobramentos. Continue nos seguindo e receba atualizações em tempo real.
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