Recife, 14 de março – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu nesta quinta-feira as críticas feitas pelo presidente norte-americano Donald Trump. Em evento no interior de Pernambuco, Lula afirmou que o Brasil “não vai ficar de joelhos” diante dos Estados Unidos e classificou como “mentira” a declaração de Trump de que o país seria um parceiro comercial ruim.
Troca de declarações entre Brasília e Washington
A resposta de Lula ocorreu horas depois de Trump, na Casa Branca, ter afirmado a jornalistas que o Brasil “cobra tarifas enormes” e se comporta como “um dos piores parceiros comerciais do mundo”. O chefe da Casa Branca mencionou alíquotas “de até 50%” aplicadas por países latino-americanos, entre eles o Brasil, e acrescentou que os governos da região “não ficam felizes, mas é assim que funciona”.
Na mesma conversa, Trump qualificou o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como “execução política”. Segundo o presidente norte-americano, Bolsonaro seria “um homem honesto” e estaria sofrendo perseguição. Lula abordou esse ponto em Pernambuco, sustentando que “a democracia está julgando Bolsonaro” e criticando a posição de Trump. O petista recordou a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, que resultou em cinco mortes, e declarou: “Eu disse ao presidente Trump: se você tivesse feito no Brasil o que fez nos Estados Unidos, também seria julgado e, se culpado, iria para a cadeia.”
Ao chamar de “mentira” a acusação de Trump sobre o desempenho comercial brasileiro, Lula argumentou que o país mantém “relação sólida” com Washington, mas “sem submissão”. O presidente destacou a diversidade da pauta de exportações nacionais e afirmou que continuará “defendendo a soberania” nas negociações externas.
Déficit comercial reflete relação assimétrica
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que o Brasil registra déficit comercial com os Estados Unidos desde 2009. De janeiro a dezembro de 2024, o saldo negativo, ao se somarem bens e serviços, ultrapassou US$ 28 bilhões. Esse resultado reforça a assimetria apontada por analistas do mercado ao examinar as trocas bilaterais, marcadas pela venda brasileira de commodities e pela importação de produtos industrializados de maior valor agregado.
Embora o déficit favoreça os EUA, Trump sustenta que as tarifas aplicadas por Brasília seriam “muito maiores” que as impostas por Washington. O governo brasileiro mantém alíquotas de importação dentro das faixas definidas pelo Mercosul, mas negocia exceções setoriais com parceiros externos, inclusive os Estados Unidos. Nos últimos anos, ambas as administrações firmaram acordos de facilitação comercial, cooperação para boas práticas regulatórias e proteção à propriedade intelectual.
Diferentes visões sobre democracia e política interna
Além do embate econômico, Lula e Trump expuseram divergências sobre temas internos dos dois países. O brasileiro defendeu que “as instituições estão funcionando” ao processar Bolsonaro por suspeitas relacionadas ao pleito de 2022, enquanto o norte-americano classificou o caso como perseguição. Ao mencionar a invasão do Capitólio, Lula citou a responsabilidade do ex-mandatário dos EUA e reiterou que atos semelhantes não ficariam impunes no Judiciário brasileiro.


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A fala de Trump reforça a aproximação com setores conservadores da política brasileira, que enxergam no ex-presidente americano um aliado internacional. Do outro lado, o Palácio do Planalto mantém agenda de viagens e encontros com líderes de países em desenvolvimento, sobretudo da Ásia e da África, buscando diversificar parceiros e reduzir a dependência de mercados tradicionais.
Reações e cenário diplomático
Até o momento, o Itamaraty não divulgou nota oficial sobre as críticas de Trump. Na Câmara e no Senado, parlamentares da base governista classificaram as declarações do republicano como “ataques infundados”, enquanto oposicionistas cobraram do Planalto estratégia concreta para equilibrar a balança comercial e atrair investimentos norte-americanos.
Especialistas em relações internacionais observam que atritos retóricos costumam ser administrados por canais diplomáticos, mas podem influenciar futuras negociações tarifárias. A Casa Branca conduz revisão periódica das preferências concedidas a parceiros latino-americanos, e o Ministério da Fazenda acompanha possíveis mudanças que afetem setores como aço, alumínio e agronegócio.
Nos próximos meses, Brasil e Estados Unidos participarão de reuniões do G20 e da Organização Mundial do Comércio. A equipe econômica brasileira pretende defender maior abertura para produtos industrializados nacionais, enquanto representantes norte-americanos indicam preocupação com barreiras fitossanitárias e subsídios estatais.
Apesar das divergências públicas, ambos os governos continuam cooperando em áreas como defesa, energia e meio ambiente. A manutenção desse diálogo dependerá, segundo atores do mercado, da capacidade de Brasília e Washington de separar disputas políticas de questões comerciais estratégicas.

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