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Lula e Trump negociam encontro na Malásia antes da cúpula da ASEAN

Econômia

Brasília, 20 out. 2024 — Representantes do Palácio do Planalto e da Casa Branca articulam um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump para a próxima segunda-feira, 27 de outubro, em Kuala Lumpur, capital da Malásia. A reunião deve ocorrer horas antes do início da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), da qual Lula participará como convidado especial.

Agenda presidencial no Sudeste Asiático

Lula embarca nesta terça-feira rumo ao Sudeste Asiático com duas escalas oficiais. Em Jacarta, Indonésia, ele terá compromissos nos dias 23 e 24. Em seguida, de 25 a 27 de outubro, cumpre visita de Estado ao primeiro-ministro Anwar Ibrahim, na Malásia, encerrando a viagem com sua presença na reunião da ASEAN.

Interlocutores do governo afirmam que a probabilidade de encontro com Trump é alta, pois ambos estarão na cidade no mesmo período. A confirmação, no entanto, depende de ajustes de última hora nas agendas dos dois líderes.

O possível diálogo ocorre em meio ao maior desgaste nas relações bilaterais em mais de duas décadas. O governo norte-americano aplicou tarifas adicionais a produtos brasileiros em julho, enquanto o Executivo brasileiro reagiu acusando Washington de interferir em assuntos internos ao exigir, como condição para negociar, o arquivamento do processo do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Tarifas e sanções no centro das discussões

No último dia 9 de julho, Trump anunciou uma sobretaxa de 40 % sobre mercadorias brasileiras, somando-se à alíquota de 10 % já aplicada globalmente. A Casa Branca também impôs sanções a cidadãos brasileiros, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes, justificando a medida pelo andamento da ação que envolve Bolsonaro.

Autoridades brasileiras veem na reunião bilateral uma oportunidade para suspender o tarifaço e destravar negociações comerciais. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tratou do tema na semana passada em Washington com o secretário de Estado, Marco Rubio. Ficou acordado que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) debaterá o assunto diretamente com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin.

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Questões políticas e diplomáticas, como as sanções individuais e a situação da Venezuela, permanecerão sob responsabilidade de Vieira e Rubio. A expectativa é que Lula e Trump abram, em Kuala Lumpur, um canal político que permita avançar nessas duas frentes.

Coordenação diplomática e próximos passos

Em conversas reservadas, diplomatas em Brasília avaliam que um diálogo presencial entre os chefes de Estado pode sinalizar disposição para superar impasses históricos. O Itamaraty solicitou a suspensão temporária das tarifas enquanto transcorrerem as tratativas. O mesmo pedido foi reiterado por Lula em telefonema a Trump duas semanas atrás.

Se confirmado, o encontro deve seguir protocolo enxuto: reuniões a portas fechadas com equipes reduzidas, declaração conjunta à imprensa e encaminhamento de grupos de trabalho. Ainda não há previsão de assinatura de documentos, mas fontes indicam que um gesto político de aproximação já seria suficiente para destravar negociações maiores ao longo de 2025.

Além do impacto na pauta comercial, a reunião poderá influenciar a agenda interna. Trump condiciona a retirada da sobretaxa ao arquivamento do processo contra Bolsonaro, argumento que o Planalto rejeita por ferir a independência dos poderes. O tema estará em segundo plano, mas a Casa Branca mantém o ponto como sinalizador de suas prioridades.

Nos bastidores, equipes de segurança dos dois países analisam medidas logísticas para garantir o encontro em Kuala Lumpur. Por envolver dois líderes de grande projeção global, o esquema contará com reforço da polícia malaia e coordenação conjunta de agentes brasileiros e norte-americanos.

Oficialmente, o Planalto ainda não comenta o encontro. Assessores reiteram, porém, que Lula “tem interesse em dialogar com todas as lideranças” e que a recuperação do comércio exterior brasileiro depende da redução de barreiras tarifárias impostas pelos EUA.

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Em resumo, uma eventual reunião entre Lula e Trump em Kuala Lumpur poderá redefinir a trajetória das relações Brasil–Estados Unidos, destravar negociações econômicas e calibrar o diálogo político. Continue acompanhando nossas atualizações e fique por dentro de desdobramentos decisivos para o comércio e a diplomacia nacional.

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