Malásia, 26 de outubro de 2025 — O primeiro encontro presencial entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o mandatário norte-americano, Donald Trump, resultou no início formal de negociações para rever o pacote de tarifas aplicado aos produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a reunião como um “avanço concreto” e enxergou sinalização clara de ambos os governos em busca de um acordo equilibrado.
Encontro na Malásia acelera diálogo bilateral
Lula e Trump conversaram a portas fechadas em Kuala Lumpur, às 15h30 no horário local (4h30 em Brasília), à margem da Cúpula de Líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Foi a terceira interação direta entre os dois chefes de Estado desde setembro, quando se reuniram rapidamente na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e mantiveram uma ligação telefônica no início de outubro para alinhar detalhes do encontro agendado para a Ásia.
Ao lado de Lula, o presidente norte-americano declarou que o “tarifaço” poderá ser revisto “muito rapidamente” e antecipou instruções à equipe econômica para abrir um processo de negociação bilateral ainda na noite deste domingo. Segundo o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, uma nova reunião técnica entre representantes dos dois governos foi marcada para ocorrer também na capital malaia, com o objetivo de traçar um cronograma enxuto capaz de entregar resultados “em pouco tempo”.
Setor industrial confia em solução que devolva competitividade
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a disposição demonstrada por Washington e Brasília reforça a importância de “soluções racionais e baseadas em dados” — postura que vinha sendo defendida pela entidade desde a imposição das sobretaxas norte-americanas. Ele destacou que a certeza de um encaminhamento formal devolve previsibilidade às exportações brasileiras, estimula a geração de empregos e fortalece a indústria nacional.
A CNI mantém participação ativa nas tratativas e se comprometeu a fornecer subsídios técnicos para a remoção de tarifas consideradas abusivas. Em setembro, a Confederação liderou missão empresarial a Washington, onde foram abertas frentes de cooperação em setores de alto potencial, entre eles data centers, combustível sustentável de aviação (SAF) e minerais críticos. Alban lembra que a proposta brasileira inclui temas de interesse comum, como energia renovável e biocombustíveis, áreas nas quais o país possui vantagens competitivas reconhecidas.
“É natural que os Estados Unidos busquem proteger suas cadeias produtivas. Defendemos, porém, transparência e previsibilidade para que possamos avançar de forma construtiva”, declarou o executivo. Ele avalia que, com o canal de diálogo restabelecido no mais alto nível, as equipes técnicas terão liberdade para formatar entendimentos que beneficiem ambos os mercados.


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Próximos passos e expectativas do mercado
Do lado brasileiro, a delegação enviou sinal claro de que pretende fechar um acordo antes do fim do primeiro trimestre de 2026. Além do chanceler Mauro Vieira, participaram da conversa o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O governo dos Estados Unidos foi representado, entre outros, pela secretária do Tesouro, Janet Yellen, e pelo representante comercial, Robert Lighthizer.
Empresários acompanham de perto. A revisão das tarifas pode destravar investimentos em segmentos como siderurgia, agronegócio e tecnologia da informação, impactados pelo aumento de custos logísticos e tributários no mercado norte-americano. Nos cálculos da CNI, a retirada das sobretaxas elevaria em até 15% o volume de vendas externas em 2026, com reflexos positivos sobre o emprego formal.

Imagem: Fernando Frazão
Linha do tempo do relacionamento recente
• Setembro de 2025 – Primeira conversa presencial entre Lula e Trump, em Nova York, durante a Assembleia-Geral da ONU.
• 6 de outubro – Telefonema entre os dois presidentes; Lula sugere reencontro na Asean.
• 26 de outubro – Encontro bilateral em Kuala Lumpur dá partida oficial às negociações sobre o tarifaço.
• 26 de outubro (noite) – Reunião técnica prevista entre representantes dos dois governos para definir cronograma de trabalho.
O compromisso firmado na Malásia reforça a percepção de que disputas comerciais podem ser resolvidas por meio de diálogo direto, princípio valorizado pelo setor produtivo brasileiro. Caso o entendimento avance, a indústria espera melhoria imediata de competitividade para consolidar parcerias estratégicas em áreas-chave da economia global.
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Em síntese, o encontro Lula-Trump marca um passo concreto rumo à redução de barreiras alfandegárias que pesam sobre a produção nacional. A continuidade das negociações tende a manter empresários atentos aos desdobramentos. Fique ligado em nossas próximas atualizações e compartilhe esta notícia com quem acompanha de perto as relações entre Brasil e Estados Unidos.
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