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Lula e Trump discutem terras raras em Kuala Lumpur e abrem caminho para reduzir tarifas de 50%

Econômia

KUALA LUMPUR, 26 de maio – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente norte-americano Donald Trump têm reunião marcada para este domingo na capital da Malásia. O encontro, articulado nos bastidores desde a escalada tarifária imposta por Washington, mira um possível acordo sobre terras raras e pode destravar a retirada da sobretaxa de 50% que incide hoje sobre diversos produtos brasileiros.

Brasil surge como alternativa à dependência chinesa

Com 90% da capacidade global de refino sob domínio chinês, os Estados Unidos buscam fornecedores estratégicos de minerais críticos. O Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial, ocupa posição privilegiada na lista de Washington. As terras raras são insumo chave para veículos elétricos, semicondutores e equipamentos de defesa – setores considerados vitais pela administração republicana.

Fontes ligadas às negociações informam que a delegação brasileira pretende oferecer contrapartidas em forma de investimentos em processamento local, transferência de tecnologia e parcerias em pesquisa. A ideia é evitar que o país retorne ao modelo de exportação bruta de minérios, preservando controle sobre suas reservas e gerando valor agregado internamente.

Do lado norte-americano, o interesse se concentra em garantir fornecimento estável e em prazos competitivos, enfraquecendo a posição de Pequim no mercado global. A Casa Branca já firmou acordo semelhante com a Austrália, quarta colocada no ranking de reservas, e vê o Brasil como próximo passo natural de sua estratégia de diversificação.

Tarifas de 50% na mira das delegações

A sobretaxa aplicada desde setembro elevou para 50% o custo de entrada de bens brasileiros em território norte-americano. O aumento foi anunciado em meio às tensões políticas geradas pela condenação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas a equipe de Lula evita relacionar publicamente as sanções ao processo. O Planalto trabalha com a tese de que um pacto voltado a minerais críticos pavimentaria o caminho para normalizar o comércio bilateral.

O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, confirmou que “energia, inovação e sustentabilidade” compõem a pauta conjunta. A abertura de mercado para produtos de alto valor agregado, como peças para carros elétricos e circuitos integrados, também está na agenda.

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Para Trump, o relaxamento tarifário dependerá de garantias sobre prazos, volume de entrega e retorno financeiro para empresas norte-americanas. Assessores do republicano veem no acordo uma oportunidade de mostrar firmeza diante da China ao mesmo tempo em que se aproximam de um parceiro com afinidade histórica no agronegócio e em commodities metálicas.

Contexto geopolítico e próximos passos

A disputa comercial entre Estados Unidos e China ganhou novo capítulo no início do mês, quando Pequim restringiu ainda mais a exportação de minerais raros. Em resposta, Trump ameaçou impor tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses a partir de novembro. A postura endurecida deve influenciar o tom da conversa de 30 de maio em Seul entre o líder americano e o presidente Xi Jinping.

Caso avance, o acerto com o Brasil serviria de vitrine para a estratégia de Washington de firmar acordos bilaterais em vez de depender de organismos multilaterais. Para o governo brasileiro, um anúncio positivo fortaleceria a imagem de Lula como negociador em temas de alta tecnologia, além de atrair capital estrangeiro para projetos de beneficiamento mineral em território nacional.

As equipes diplomáticas ainda discutem se haverá sessão aberta à imprensa após a reunião de domingo. Nos bastidores, negociadores dos dois lados consideram provável a divulgação de um comunicado conjunto com linhas gerais do entendimento e um cronograma preliminar de retiradas tarifárias.

Um eventual avanço na cooperação em terras raras poderá influenciar outros setores, como biocombustíveis e hidrogênio verde, itens já citados pelos americanos entre áreas de interesse. A expectativa é de que os ministros responsáveis apresentem relatórios detalhados aos respectivos congressos até agosto.

Analistas de mercado avaliam que a sinalização de parceria pode atrair empresas de tecnologia dispostas a instalar plantas de refino e componentes no Brasil. Embora o governo evite projeções, a Confederação Nacional da Indústria estima impacto potencial de até US$ 12 bilhões em novos investimentos ao longo de cinco anos, caso as tarifas retrocedam para níveis anteriores.

Para acompanhar outros desdobramentos políticos que afetam diretamente a economia brasileira, acesse a seção dedicada em Política e mantenha-se informado.

Em resumo, a reunião deste domingo coloca Brasil e Estados Unidos diante de uma oportunidade decisiva: alinhar interesses em minerais estratégicos e, em troca, aliviar o peso do tarifaço de 50%. Se o entendimento avançar, empresas e consumidores dos dois países poderão sentir os efeitos positivos já nos próximos meses. Continue de olho em nossas atualizações e compartilhe esta notícia com quem acompanha o cenário econômico.

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