O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmou nesta terça-feira (23) que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acertam os últimos detalhes para uma conversa por telefone ou videoconferência. O objetivo central é tratar das tarifas de 50% impostas em julho pelo governo norte-americano a diversos produtos de origem brasileira.
Encontro relâmpago na ONU antecede diálogo virtual
Segundo o chanceler, Lula e Trump trocaram rápidas palavras em Nova York, logo após o discurso de abertura do brasileiro na 80.ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O contato durou cerca de 20 segundos, tempo suficiente apenas para um aperto de mão e a sinalização de interesse mútuo em avançar no entendimento comercial.
Trump, que discursou na sequência, foi direto ao criticar práticas que considera desleais no comércio internacional e reforçou a necessidade de proteger a indústria norte-americana. O presidente republicano sustenta que as novas tarifas visam equilibrar a balança e incentivar produção interna. Já o Itamaraty classifica a medida como “ilegal” e fora das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas admite negociar.
Brasil alega ilegalidade, mas mantém porta aberta
Vieira destacou que o Brasil “sempre estará pronto para sentar e negociar”, porém enfatizou que “questões políticas e jurídicas são inegociáveis”. Na avaliação do chanceler, as sobretaxas violam acordos multilaterais firmados na OMC, criando barreiras que prejudicam setores como aço, alumínio, calçados e produtos agrícolas.
Mesmo assim, o governo brasileiro não pretende escalar o conflito. De acordo com o ministro, qualquer contato que traga benefícios concretos à economia nacional será bem-vindo. “O presidente Lula está disposto a conversar com qualquer chefe de Estado quando o interesse do Brasil estiver em jogo”, afirmou.
Agenda cheia impede reunião presencial imediata
Questionado sobre um encontro face a face, Mauro Vieira admitiu que a agenda de Lula “está muito cheia”. Portanto, a expectativa é que o primeiro diálogo mais substantivo ocorra de forma remota nos próximos dias. A videoconferência deverá contar ainda com assessores das áreas de comércio exterior e economia dos dois governos.


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Fontes do Itamaraty apontam que o Brasil buscará, inicialmente, a suspensão temporária das tarifas enquanto as partes negociam um acordo mais amplo. Para Washington, entretanto, qualquer flexibilização dependerá de contrapartidas específicas, sobretudo no que diz respeito a subsídios e conformidade regulatória.
Tarifas de 50% afetam exportadores brasileiros
O anúncio de julho impactou diretamente grandes grupos exportadores nacionais. Segmentos de carne bovina, soja processada, açúcar e siderurgia registraram retração nas novas encomendas destinadas ao mercado norte-americano. A Confederação Nacional da Indústria estima que as tarifas podem reduzir em até US$ 8 bilhões o superávit da balança brasileira caso permaneçam inalteradas por 12 meses.

Imagem: Marcelo Camargo
Empresários pressionam o Palácio do Planalto por uma solução rápida, temendo perda de competitividade para concorrentes de países que não foram penalizados. Do lado norte-americano, lobby de produtores locais sustenta que o Brasil pratica preços artificiais e demanda barreiras para proteger empregos internos.
Próximos passos e expectativas
Vieira sinalizou que, após a conversa inicial, equipes técnicas poderão se reunir em Washington ou Brasília para aprofundar detalhes. O governo brasileiro aposta em argumento jurídico baseado nos estatutos da OMC, enquanto a Casa Branca exige ajustes em políticas de incentivo consideradas distorcivas.
Analistas de mercado observam que o desfecho influenciará o ritmo de crescimento do comércio bilateral, atualmente na casa dos US$ 88 bilhões anuais. Além disso, eventual alívio tarifário pode fortalecer a agenda de investimentos cruzados em setores de alta tecnologia e energia.
Para acompanhar outros desdobramentos sobre negociações internacionais e bastidores de Brasília, confira também a seção de política em Geral de Notícias, onde atualizações são publicadas em tempo real.
Em resumo, Lula e Trump se preparam para um diálogo virtual que buscará solução para tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A videoconferência deve ocorrer nos próximos dias e poderá definir o rumo das relações comerciais entre os dois países. Fique atento e acompanhe nossos próximos artigos para não perder nenhuma atualização.
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