O presidente Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que não vê motivos para transformar em contenda diplomática a passagem de três caças F-35 pela Base das Lajes, nos Açores, em rota para Israel. Segundo o chefe de Estado, o trânsito ocorreu dentro dos parâmetros previstos no acordo luso-americano, que concede deferimento tácito às aeronaves dos Estados Unidos.
Operação autorizada e falha de comunicação interna
As aeronaves, vendidas por Washington a Tel Aviv, fizeram escala na ilha Terceira em abril, sem aviso prévio ao ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel. O Ministério reconheceu posteriormente uma falha de procedimento: os serviços não repassaram ao nível político a informação sobre o voo, embora a Autoridade Aeronáutica Nacional — subordinada à Defesa — já tivesse emitido parecer favorável.
Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à RTP após a vitória da seleção contra a Irlanda pelas Eliminatórias da Copa de 2026, destacou que, caso as aeronaves fossem consideradas oficialmente norte-americanas, bastaria a “autorização tácita” prevista no tratado bilateral. Se já tivessem bandeira israelense, caberia autorização específica. Para o presidente, a forma como a administração norte-americana apresentou o pedido pode ser debatida, mas não justifica acirrar tensões.
Parlamento quer ouvir ministros; oposição pressiona
Apesar da posição moderadora do Palácio de Belém, PS, PCP e Livre anunciaram pedidos de audição parlamentar dos ministros Paulo Rangel (Negócios Estrangeiros) e Nuno Melo (Defesa). O Bloco de Esquerda foi além e exigiu a demissão de Melo, reivindicação rejeitada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro. Para Rebelo de Sousa, entretanto, trata-se de um “funcionamento burocrático” que não compromete os titulares das pastas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou, em nota de 2 de outubro, que a ausência de comunicação derivou de falha interna. A pasta reconheceu que, se informada em tempo hábil, poderia ter avaliado eventual oposição política ao sobrevoo. Ainda assim, o procedimento técnico permaneceu dentro da legalidade, reforçando o caráter rotineiro da cooperação Lajes-Pentágono.
Lajes: ponto estratégico para OTAN e aliada histórica
A Base Aérea das Lajes opera sob cessão parcial a Washington desde a década de 1950. Localizada na rota do Atlântico Norte, é considerada fundamental para missões de reabastecimento e logística da OTAN. Pelo acordo, aeronaves americanas dispõem de um regime de deferimento automático, salvo exceções previamente negociadas.


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Ao enfatizar que “não vale a pena” criar fricção diplomática, Marcelo sinaliza continuidade da política externa portuguesa de alinhamento com aliados tradicionais, preservando o interesse estratégico na Aliança Atlântica. A leitura do presidente converge com setores conservadores que valorizam a estabilidade do vínculo transatlântico e veem na Base das Lajes ativo essencial de defesa regional.
Próximos passos e apurações internas
Questionado se cobrará explicações adicionais do gabinete de Montenegro, o presidente rechaçou a possibilidade. “Eu tenho a minha explicação”, reiterou, relatando ter sido informado de que as aeronaves eram tratadas como norte-americanas, ainda que destinadas a Israel. A Presidência, portanto, não pretende transformar o episódio em crise entre Executivo e Forças Armadas.

Imagem: Internet
No Parlamento, contudo, a oposição busca esclarecer responsabilidades. Os socialistas pretendem avaliar se o MNE deve rever protocolos de comunicação; já partidos à esquerda pressionam por maior autonomia nas autorizações de escala destinadas ao conflito israelo-palestino. A base governista sustenta que o caso evidencia a necessidade de ajustes administrativos, não de mudanças na estratégia de defesa.
Dentro do governo, apurações concentram-se em identificar onde ocorreu o “desvio de circuito” que impediu o alerta aos escalões decisórios. Técnicos do MNE e da Defesa analisam fluxos de informação para evitar recidivas. Até o momento, não se cogita revogar o regime de deferimento tácito, considerado pilar da parceria com os Estados Unidos.
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Em resumo, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa manteve postura pragmática, descartando tensão diplomática e reforçando a relevância estratégica das Lajes na cooperação luso-americana. Continue navegando em nosso site e permaneça informado sobre os principais fatos que impactam o Brasil e o mundo.
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