O ataque à Igreja da Anunciação, em Minneapolis, voltou a colocar a oração no centro do debate público norte-americano. Na manhã de quarta-feira passada, um atirador abriu fogo durante a missa lotada de alunos, professores e funcionários da escola paroquial, matando duas crianças e ferindo cerca de 20 pessoas. O episódio mobilizou católicos e fiéis de várias denominações, que imediatamente se uniram em correntes de oração pelas vítimas e suas famílias.
Reações políticas expõem divergência sobre a fé
Autoridades do Partido Democrata reagiram nas redes sociais com críticas diretas aos tradicionais “thoughts and prayers”. Um deputado federal chamou as preces de “pensamentos e orações de m***” e a ex-porta-voz de Joe Biden afirmou que “orações não trazem as crianças de volta”. Até o prefeito de Minneapolis ironizou: “Não diga que isso é sobre pensamentos e orações; essas crianças estavam literalmente rezando”. Para esses líderes, somente novas leis de controle de armas representariam uma resposta concreta.
Do outro lado, líderes religiosos defenderam o valor da súplica. Dom Robert Barron, bispo de Winona-Rochester, classificou as declarações do prefeito como “burrice completa” em entrevista à Fox News. Segundo Barron, os cristãos não consideram a oração um amuleto capaz de impedir todo sofrimento. “Jesus rezou fervorosamente pendurado na cruz”, lembrou. O prelado enfatizou que a oração “eleva mente e coração a Deus” e não exclui a ação moral. Ele citou Martin Luther King como exemplo de reformador social que combinou intensa vida de oração com mobilização política.
Tradição cristã aponta a oração como força que sustenta o mundo
A relevância da prática está documentada há séculos. São João Clímaco escreveu no século XVII que “a oração, em sua essência, sustenta o mundo e o une com Deus”. O ensinamento reapareceu nas palavras de Barron ao argumentar que sem oração as sociedades se tornam vulneráveis a projetos que terminam em tragédias ainda maiores. O bispo também destacou que, diante de limitações materiais, qualquer pessoa pode sempre oferecer intercessão pelos que sofrem.
Exemplos históricos reforçam a tese. Figuras como Maximilian Kolbe, Dietrich Bonhoeffer e São João Paulo II enfrentaram regimes totalitários guiadas pela prática constante da oração. Para Barron, somente esse fundamento espiritual permitiu respostas firmes ao mal, evitando que a indignação descambasse para a violência ou o desespero.
Papa orienta políticos católicos a integrar fé e vida pública
Enquanto os Estados Unidos discutiam o papel da oração, o papa Leão XIV discursava em Roma sobre a presença cristã na política. Em 28 de agosto, ao receber representantes de uma cidade francesa, o pontífice afirmou que não existe “o político de um lado e o cristão do outro”. Ele pediu aos presentes que se fortaleçam na fé, estudem a Doutrina Social da Igreja e ajam de acordo com a lei natural, acessível a todos, inclusive não crentes.


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O papa reconheceu pressões partidárias e “colonizações ideológicas”, mas insistiu na coragem de dizer “não posso” quando a verdade estiver em jogo. Dias antes, ao falar à Rede Internacional de Legisladores Católicos, Leão XIV recordou Santo Agostinho e a obra “A Cidade de Deus”, incentivando os parlamentares a promover o desenvolvimento humano integral — físico, social, cultural, moral e espiritual.
Nos dois discursos, o pontífice convergiu com a análise de Barron: a oração sustenta a ação correta. Sem esse alicerce, alertou, sistemas políticos tendem a oferecer prosperidade material às custas da vida, da família e da dignidade dos mais vulneráveis.

Imagem: Craig Lassig
Debate prossegue entre fé, legislação e responsabilidade pessoal
O caso de Minneapolis evidencia duas visões em choque. Uma reduz a fé a gesto simbólico e prioriza legislações imediatas; outra sustenta que leis eficazes exigem primeiro a transformação interior proporcionada pela oração. Enquanto autoridades locais planejam projetos sobre armas, comunidades cristãs continuam vigílias, missas e atos de solidariedade na cidade.
Entre os fiéis, persiste a convicção de que rezar não impede a busca por soluções políticas, mas direciona decisões e evita respostas baseadas apenas na emoção. Como sintetizou Dom Barron, “oração e ação moral não são excludentes”.
Para quem acompanha os desdobramentos legislativos, a seção Política reúne análises e atualizações sobre temas relacionados.
Em resumo, o massacre reacendeu a pergunta sobre o lugar da oração numa sociedade plural. As reações mostram que, mesmo contestada, ela permanece central para milhões de pessoas que veem na fé o ponto de partida para qualquer mudança autêntica. Continue conosco e receba as próximas informações diretamente no seu dispositivo.
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