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Megaoperação no Rio deixa 119 mortos e provoca embate entre STF e governo Lula

Política

RIO DE JANEIRO — A confirmação de 119 mortos em uma megaoperação contra o Comando Vermelho reacendeu o debate sobre o papel dos estados na segurança pública e gerou forte atrito entre o governo do Rio, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto.

Letalidade da ação e justificativa do Estado

A ofensiva ocorreu em áreas de mata na região metropolitana fluminense, onde as forças estaduais recorreram ao chamado Muro do Bope para isolar o confronto. Segundo a Polícia Civil, a estratégia visou conter avanços da facção que, nos últimos meses, intensificou ataques e executou agentes de segurança. “É uma resposta proporcional”, sustentou a corporação, ao destacar que investigações apontavam bases logísticas do Comando Vermelho no local.

O governador Cláudio Castro defendeu a autonomia estadual para agir diante da escalada da violência. Dados apresentados pelo Executivo fluminense indicam aumento de homicídios ligados ao crime organizado, razão pela qual a operação foi classificada como “necessária para restaurar a ordem”.

Reação de Brasília e novos encaminhamentos

A repercussão alcançou Brasília em poucas horas. Relator da ADPF das Favelas, o ministro Alexandre de Moraes convocou o governador e os chefes das polícias Civil e Militar para explicarem detalhadamente os procedimentos adotados. Moraes quer saber se houve violação a protocolos fixados pelo STF em decisões anteriores sobre ações em comunidades.

Na esfera política, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o ministro do STF Gilmar Mendes qualificaram o episódio como “circunstância terrível”. Já o ministro Flávio Dino, em nota, disse esperar relatórios completos antes de propor medidas adicionais. O PSB, partido aliado ao Planalto, protocolou no Supremo denúncia por supostos indícios de tortura e execuções sumárias, o que ampliou a pressão por investigação externa.

O presidente Lula se manifestou apenas 24 horas depois, ao lamentar as mortes e pedir “respeito aos direitos humanos”. Durante a cerimônia de posse de Guilherme Boulos no Ministério das Cidades, foi solicitado um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.

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Apesar das críticas, Lewandowski e Castro anunciaram a criação de um escritório conjunto para articular ações contra o crime organizado. A iniciativa prevê compartilhamento de inteligência entre União e estado, sem alterar a condução operacional das polícias locais. Em paralelo, um auxiliar do governo federal descartou enquadrar facções como organizações terroristas, argumento defendido por parte da bancada de segurança pública no Congresso.

Reflexos no Congresso e próximos passos

No Legislativo, parlamentares já falam em audiências para avaliar o impacto das operações de alto risco. Deputados ligados à segurança querem flexibilizar regras de engajamento para as polícias estaduais, enquanto setores da base governista pregam maior controle federal. O tema promete dividir a Câmara e o Senado nas próximas semanas.

Para juristas, o principal ponto de tensão envolve a competência constitucional. Governadores alegam que a segurança pública é responsabilidade primária dos estados, ao passo que o STF sustenta poder moderador quando há suspeita de violações de direitos fundamentais. A audiência convocada por Moraes acontecerá ainda nesta semana e deve orientar eventuais medidas cautelares.

Organizações civis pedem transparência na divulgação da perícia dos 119 corpos, cobrança compartilhada por defensores públicos. Até o momento, a Secretaria de Polícia Civil informou que 72 armas foram apreendidas e que laudos papiloscópicos estão em andamento.

Enquanto a controvérsia se instala no centro do debate nacional, moradores das regiões afetadas relatam retomada gradual de serviços públicos. Escolas e postos de saúde, fechados durante o confronto, reabriram com policiamento reforçado.

Para acompanhar a evolução desse e de outros temas do cenário político, acesse a seção dedicada em nosso site clicando aqui.

Em síntese, a megaoperação expôs novamente o dilema entre dar resposta dura ao crime organizado e garantir o cumprimento de protocolos legais. A disputa institucional permanece aberta e novas definições dependerão do resultado das explicações que o governo do Rio deverá prestar aos ministros do Supremo.

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