Seattle (EUA) — A Microsoft tornou-se alvo de uma campanha coordenada de ativistas pró-Palestina que acusam a empresa de colaborar com “políticas de apartheid” por manter contratos com órgãos públicos de Israel. O movimento, liderado pelo coletivo No Azure for Apartheid, avança desde 2024 e já provocou interrupções de eventos corporativos, invasão de escritórios, protestos aquáticos e prejuízos financeiros em outras instituições da cidade.
Protestos se intensificam desde 2024
A primeira ação organizada do No Azure for Apartheid ocorreu em 15 de maio de 2024, data conhecida por ativistas como “Dia da Nakba”. Na ocasião, o grupo — formado por funcionários e ex-funcionários da Microsoft — divulgou petição pública exigindo:
- Encerramento de acordos com o governo israelense;
- Declaração formal de apoio a um cessar-fogo em Gaza;
- Pagamento de “reparações” a palestinos afetados pelo conflito;
- Garantia de segurança a trabalhadores palestinos, árabes e muçulmanos.
Em fevereiro de 2025, integrantes compareceram a um encontro interno usando camisetas com a frase “Nosso código mata crianças, Satya?”, direcionada ao CEO Satya Nadella. Nos meses seguintes, a escalada ganhou fôlego:
Março: manifestante interrompeu o evento oficial de 50 anos da Microsoft.
Abril: dois empregados jogaram um keffiyeh no palco e enviaram e-mails em massa; ambos foram demitidos.
Maio: durante a conferência anual Microsoft Build, ativistas penduraram faixa no centro de convenções, utilizaram dispositivos sonoros para sabotar palestras, espalharam glitter vermelho — simbolizando sangue — na entrada e forçaram a retirada de pelo menos um participante pela polícia.
No mês seguinte, o grupo repetiu a estratégia na Conferência de Ética e Tecnologia 2025, patrocinada pela Microsoft, na Universidade de Seattle. Gritos, ruídos calculados e a expulsão do gerente geral Mike Jackson do palco marcaram o encontro.
Ocupação, flotilha e rede de apoio estudantil
Em 19 de agosto, o No Azure estabeleceu uma “zona liberada” nos arredores da sede global, combinando acampamentos, instalação de tendas e uma flotilha de caiaques que cercou residências de executivos. Paralelamente, um pequeno grupo ocupou o escritório do presidente Brad Smith e, segundo relatos internos, tentou instalar dispositivos de escuta clandestinos.


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A ofensiva contra a empresa insere-se em um ambiente de ativismo radical que domina Seattle. Em maio de 2025, a ocupação do novo prédio de engenharia da Universidade de Washington causou danos estimados em US$ 1 milhão e levou à prisão de 33 manifestantes. Muitos deles pertencem ao Students United for Palestinian Equality and Return (SUPER UW), associação suspensa pela universidade em 2024, mas ainda ativa nos bastidores.
Logo após as prisões, surgiu o coletivo Nidal (termo árabe para “luta”). O manifesto da organização cita o líder do Hamas, Yahya Sinwar, e o representante da Frente Popular para a Libertação da Palestina, Ghassan Kanafani, como referências de resistência. O Nidal defende a anulação de todas as acusações contra os chamados UW33 e exige a libertação de Elias Rodriguez, suspeito de assassinar dois funcionários da embaixada israelense em Washington, D.C.

Imagem: ter relações comerciais com presas i
Além do SUPER UW e do Nidal, a cidade abriga agrupamentos como Sông2Sea, South Asians Resisting Imperialism, bil-Yad e Kashmir Resistance Collective. Mais de uma dezena de atos, palestras e arrecadações de fundos foram promovidos por essa rede desde o início do ano, todos denunciando “cumplicidade imperialista” de grandes empresas de tecnologia e do governo dos Estados Unidos.
Reação da Microsoft e das autoridades
Diante das sucessivas invasões, a Microsoft solicitou apoio do escritório local do FBI para investigar tentativas de espionagem, vandalismo e intimidação de executivos. O Departamento de Polícia de Seattle efetuou ao menos uma prisão durante o Microsoft Build, mas o Promotor do Condado de King ainda avalia se apresentará queixas formais relativas ao vandalismo na Universidade de Washington. “As pessoas serão responsabilizadas se houver evidências suficientes sob a lei”, afirmou o porta-voz Casey McNerthney.
Enquanto isso, analistas de segurança alertam para o risco de ações semelhantes se espalharem por outros polos tecnológicos do país. Segundo investigadores, a campanha contra a Microsoft representa apenas “uma cabeça de uma hidra maior” e pode inspirar táticas de confronto direto em outras cidades caso não seja contida.
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Em resumo, a gigante do software vive um cerco inédito: funcionários dissidentes, estudantes e coletivos radicais convergiram para pressionar pela ruptura de contratos com Israel, recorrendo a táticas que vão de protestos tradicionais à invasão de propriedade privada. Continue seguindo nossos conteúdos para entender como o embate entre ativismo e grandes corporações pode impactar a economia e a segurança.
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