Uma revisão de dados oficiais, pesquisas científicas e estatísticas governamentais contesta as principais alegações contra o uso de defensivos agrícolas no Brasil. O material foi apresentado pelo engenheiro agrônomo Edivaldo Velini, professor da Unesp e ex-presidente da CTNBio, em evento promovido pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).
Saúde pública: dados não confirmam alarmismo
Entre 2015 e 2024, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (DataSUS) registrou 1,6 milhão de intoxicações. Medicamentos responderam por 52,8 % dos casos, enquanto defensivos agrícolas figuraram em apenas 3 %. Mesmo nesse grupo, dois terços das ocorrências decorrem de tentativas de suicídio ou acidentes, e não do uso normal em lavoura. Considerando exclusivamente a aplicação correta, os defensivos representam 0,5 % das notificações, com 80 % de cura sem sequelas.
Monitoramentos periódicos da Anvisa confirmam a segurança alimentar. Na série 2013-2023, 25.029 amostras de 36 alimentos foram analisadas; não houve extrapolação da Ingestão Diária Aceitável para nenhum ingrediente ativo. No ciclo 2023, 99,3 % das amostras também ficaram isentas de risco agudo.
A tese segundo a qual “o brasileiro consome 7,6 L de agrotóxico por ano” é estatisticamente incorreta. O volume total aplicado inclui culturas não alimentícias, como algodão e eucalipto, além de produção voltada à exportação. Portanto, não pode ser dividido pela população para estimar exposição individual.
Meio ambiente: logística reversa é referência mundial
Desde 2002, o Sistema Campo Limpo recolheu 834 mil toneladas de embalagens vazias, com 95 % de reciclagem e 5 % de incineração. O índice brasileiro de devolução (95 %) supera com folga o da França (79 %) e o dos Estados Unidos (33 %). A operação envolve 411 centrais fixas e mais de 4 mil pontos itinerantes, evitando a emissão de 1,05 milhão de toneladas de CO₂.
Em monitoramento de cinco anos em 42 corpos d’água, a Unesp encontrou concentrações de inseticidas até 16 mil vezes abaixo do limite seguro. Os resultados indicam que, usados conforme recomendação, os defensivos não contaminam recursos hídricos de forma relevante.


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Regulação robusta e inovação tecnológica
No Brasil, qualquer produto precisa do aval triplo de Ministério da Agricultura, Anvisa e Ibama. O país libera moléculas mais modernas, que exigem doses menores e apresentam menor Índice de Impacto Ambiental (EIQ). Estudos publicados em Avances in Weed Science mostram redução de 96 % na dose média de herbicidas desde a década de 1970.
A crítica de que o Brasil autoriza “venenos proibidos na Europa” ignora diferenças agronômicas. O clima tropical acelera a degradação química, demandando produtos adequados às condições locais. Além disso, fatores políticos e comerciais interferem em listas de cada região, não apenas critérios toxicológicos.
Produção e competitividade
A adoção de defensivos permite ao Brasil colher duas safras por ano em 17 milhões de hectares adicionais “inventados” pela tecnologia, sem avançar sobre áreas de vegetação nativa. Entre 2000 e 2024, o superávit externo do agronegócio somou US$ 1,77 trilhão, sustentando o saldo positivo da balança comercial.

Imagem: Franck Barske
Quanto ao ranking global, o Brasil lidera em volume absoluto porque é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Porém, ao normalizar pelos 66 milhões de hectares cultivados, o país aparece na 27.ª posição em consumo de defensivos por hectare (12,6 kg/ha), bem atrás de nações como Suriname e Coreia do Sul.
Nutrição e sistemas de cultivo
Revisões de centenas de estudos publicados nos Estados Unidos e na Europa não encontraram diferença estatisticamente significativa no teor de nutrientes entre alimentos orgânicos e convencionais. Ambos atendem aos mesmos padrões de vitaminas, minerais e proteínas.
Pesquisas sobre contaminação microbiana em hortaliças também mostram números similares nos dois modelos de produção. Assim, a mera substituição de agrotóxicos sintéticos por insumos biológicos não garante vantagem sanitária automática.
Principais mitos refutados
No total, Velini elencou dez narrativas recorrentes — de supostas epidemias de câncer à contaminação permanente da água — e apresentou evidências que as desmentem. Com base em relatórios oficiais, índices internacionais e revisões acadêmicas, o estudo conclui que os defensivos, quando aplicados corretamente, são indispensáveis à segurança alimentar, à produtividade e à preservação ambiental.
Para entender como o debate sobre defensivos impacta decisões no Congresso, vale acompanhar a cobertura contínua em Política, onde publicamos atualizações sobre projetos de lei e vetos presidenciais ligados ao tema.
Em resumo, os dados mostram que o agronegócio brasileiro utiliza tecnologia de ponta, monitoramento rigoroso e práticas sustentáveis para produzir mais em menos área, mantendo a segurança do consumidor e o equilíbrio ambiental. Continue informado: siga nossas notícias e compartilhe este conteúdo para ampliar o debate baseado em fatos.
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