Brasília, 12 nov. 2025 — Um impasse envolvendo uma simples fotografia marcou o julgamento do chamado Núcleo 3, grupo acusado de planejar um golpe de Estado entre 2022 e 2023. Durante a sustentação oral da defesa, o ministro Alexandre de Moraes interrompeu a apresentação para questionar a ausência de imagem do réu no dia de seu aniversário. A indagação levou o advogado Jeffrey Chiquini a pedir a suspensão do processo até que a Polícia Federal apresente o laudo completo de extração do celular do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo.
Questionamento sobre imagens do celular
Ao analisar os autos, Moraes observou duas fotografias anexadas pela defesa: uma de 12 de novembro em que Azevedo aparece em um clube e outra de 14 de novembro, durante um jantar com amigos. O ministro quis saber por que não havia registro do dia 15, data do aniversário do militar. “Todos nós tiramos fotos no dia do nosso aniversário. Não há nenhuma foto? A esposa não tirou? Os filhos?”, perguntou Moraes.
Chiquini respondeu que as fotos apresentadas foram obtidas em nuvem e pertencem ao celular da esposa do réu, não ao aparelho pessoal do tenente-coronel. Segundo o advogado, o dispositivo de Azevedo permanece sob custódia da Polícia Federal sem perícia conclusiva. “Se no dia 15 há uma foto armazenada no aparelho do coronel, eu não tenho como acessar. Só o delegado tem esse celular em mãos”, afirmou.
Diante da situação, o defensor propôs: “Vamos suspender o julgamento, oficiar a Polícia Federal e aguardar o laudo de extração. Somente assim todos tirarão suas conclusões”. Moraes insistiu no motivo de existirem imagens de outros dias, mas não do aniversário. Após a explicação, deu-se por satisfeito e permitiu a continuidade da sustentação.
Acusações de alteração de prova digital
Em outro ponto da defesa, Chiquini apontou o que chamou de “alteração de código hash” em arquivos analisados pela PF. O hash é a impressão digital de um documento digital; qualquer mudança indica adulteração. “Isso significa fraude”, declarou, mirando o delegado federal Fábio Schor, responsável pelo inquérito. O advogado pediu responsabilização do policial e classificou o procedimento como “a pior investigação do país”.
O representante do Ministério Público Federal reagiu com risos ao argumento, o que irritou Chiquini. “Não sei o que é engraçado enquanto eu falo”, rebateu o defensor, que também alegou inexistência de laudo pericial do celular de seu cliente. “Estou usando prova do aparelho da esposa e da irmã, enquanto o celular do coronel permanece sem perícia. Isso não ocorreu nem na Lava Jato”, comparou, dirigindo-se ao ministro Cristiano Zanin.


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Contexto do julgamento
A Primeira Turma do STF analisa diversas ações penais sobre os atos de 8 de janeiro de 2023. No Núcleo 1, o colegiado condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por suposta liderança no plano golpista. Já o Núcleo 3, onde está o tenente-coronel Azevedo, reúne militares e civis acusados de auxiliar na organização das manifestações que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes.
O pedido de suspensão apresentado por Chiquini ainda será avaliado pelos ministros. Se aceito, o julgamento ficará parado até que o laudo de extração seja juntado aos autos. Caso contrário, a análise prosseguirá com base nas provas já disponíveis, incluindo as imagens obtidas em nuvem e as mensagens capturadas pela Polícia Federal.

Imagem: Rosinei Coutinho
Próximos passos
O relator Alexandre de Moraes deve determinar se há necessidade de requisitar nova perícia ou se as informações atuais são suficientes para sustentar a acusação. A defesa, por sua vez, pretende insistir na tese de que houve manipulação de dados digitais, o que, se confirmado, pode anular partes relevantes da investigação.
Até o momento, não há previsão oficial para a conclusão do julgamento do Núcleo 3. A decisão sobre o pedido de suspensão pode definir o ritmo das próximas sessões e influenciar processos relacionados.
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Em síntese, a cobrança de uma foto aparentemente simples expôs fragilidades na coleta de provas e reacendeu o debate sobre a lisura das investigações. Continue acompanhando nossos conteúdos e receba atualizações em tempo real sobre o cenário político-jurídico brasileiro.
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