Uma pesquisa Datafolha indica que a maioria dos motoristas parceiros da Uber prefere manter o modelo de trabalho autônomo em vez de migrar para a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O levantamento, encomendado pela própria plataforma e divulgado nesta quinta-feira (01/11/2025), ouviu 1,8 mil condutores entre maio e agosto nas cinco regiões do país, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Preferência clara pela independência
De acordo com os dados, 60% dos entrevistados rejeitam a formalização via carteira assinada. Mesmo mantendo a renda líquida atual, 54% não aceitariam abandonar o status de prestadores de serviço. A possibilidade de perda de flexibilidade — principal atrativo apontado por 93% dos participantes — pesa mais que benefícios clássicos da CLT, como 13.º salário e FGTS.
Em um cenário hipotético de decisão judicial obrigando o vínculo empregatício, metade dos motoristas afirmou que deixaria os aplicativos para buscar outra ocupação autônoma. Outros 34% considerariam se registrar nas próprias plataformas. Esse resultado reforça a disposição dos condutores em preservar a liberdade de definir horários e rotas, aspecto incompatível com a rigidez do regime celetista.
Insegurança jurídica ainda preocupa
A discussão sobre vínculo trabalhista tem avançado nos tribunais. A Justiça do Trabalho costuma determinar o registro em carteira, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) vem revertendo sentenças. Até o fim do ano, a Corte deve julgar um processo com repercussão geral, capaz de fixar entendimento definitivo. Enquanto isso, 56% dos motoristas relatam apreensão diante da instabilidade legal.
A pesquisa também revela que 52% desejam apoio governamental para renovar a frota, seja por subsídios ou linhas especiais de crédito. A manutenção do veículo aparece como principal preocupação (49%), superando questões de segurança (37%) e a eventual falta de renda em caso de acidente (36%).
Perfil do motorista de aplicativo
O levantamento traça um retrato do setor:


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- 92% são homens e 90% chefiam a família;
- 55% dependem exclusivamente dos ganhos com aplicativos;
- Mais de dois terços (67%) têm renda de até dois salários mínimos;
- Mesmo com remuneração reduzida, 72% pretendem continuar dirigindo.
A combinação de baixa renda e autonomia atrai trabalhadores que valorizam o controle sobre a própria rotina. Ao mesmo tempo, o resultado reflete um mercado que se estrutura fora dos moldes tradicionais da legislação trabalhista.
Flexibilidade versus benefícios formais
A adesão maciça à independência mostra como os motoristas rejeitam ingerências que limitem a liberdade de gestão do próprio horário. A CLT, concebida na década de 1940, estabelece jornadas fixas, descanso semanal remunerado e controle de ponto — requisitos que conflitam diretamente com a lógica sob demanda dos aplicativos.

Imagem: Aniele Nascimento
Além disso, a formalização elevaria custos operacionais para as plataformas e poderia resultar em redução de oferta de corridas, tarifação maior ao usuário ou até desligamento de parte dos condutores. Esse cenário contribui para a resistência observada.
Próximos passos
O julgamento iminente no STF poderá definir se há ou não subordinação típica de emprego na relação com os aplicativos. Caso o Supremo reconheça o vínculo, o setor precisará se adaptar às regras trabalhistas, possivelmente impactando a oferta de trabalho e o preço das viagens. Se mantido o modelo atual, a tendência é de continuidade da expansão do serviço, com foco em ajustes de segurança e financiamento de veículos.
Independentemente da decisão, o resultado do Datafolha sinaliza que grande parcela dos motoristas prioriza a autonomia econômica e rejeita a hiperregulamentação. A pesquisa reforça ainda a necessidade de políticas públicas voltadas ao financiamento veicular, em vez de impor modelos contratuais que não refletem a realidade do trabalho por aplicativo.
Se você acompanha as discussões sobre regulação e liberdade econômica, vale conferir nossos artigos na seção de Política para entender o impacto de novas leis no mercado de trabalho.
Em síntese, o Datafolha evidencia que a maioria dos motoristas de app vê na flexibilidade o principal valor de sua atividade. Acompanhe as próximas movimentações do STF e compartilhe esta análise para ampliar o debate sobre alternativas ao modelo tradicional de contratação.
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