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Negociadores alinham reunião entre Lula e Trump durante cúpula na Malásia

Política

Equipes diplomáticas do Brasil e dos Estados Unidos trabalham em Kuala Lumpur para viabilizar um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente norte-americano Donald Trump durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), agendada de 26 a 28 de outubro. A expectativa é ajustar agendas apertadas e definir local reservado dentro do centro de convenções onde ocorrerão as plenárias do bloco.

Trajetória da viagem presidencial

Lula desembarcou nesta quarta-feira (22) em Jacarta, Indonésia, para encontros bilaterais com o presidente Prabowo Subianto e o secretário-geral da Asean, Kao Kim Hourn. Trata-se da primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao país desde 2008. Depois dessas reuniões, a comitiva brasileira seguirá para a Malásia no fim de semana, com chegada prevista à capital Kuala Lumpur na véspera da abertura oficial da cúpula.

Donald Trump viaja em voo direto de Washington e, segundo assessores, deve pousar na Malásia na madrugada de sábado (26). A confirmação final da Casa Branca sobre o compromisso bilateral ainda não foi tornada pública, mas fontes ligadas às negociações descrevem o ambiente como “positivo” para que a conversa ocorra.

Pontos centrais da possível reunião

Se confirmada, a agenda deve concentrar-se em três temas:

  • Tarifa de 50 %: O Brasil busca remover ou reduzir a alíquota que incide sobre bens industriais exportados para o mercado norte-americano, considerada um entrave à competitividade de empresas brasileiras.
  • Sanções a autoridades: O Palácio do Planalto pretende persuadir Washington a reavaliar sanções aplicadas a funcionários e empresas brasileiras, argumentando que medidas desse tipo afetam a cooperação bilateral.
  • Relações comerciais: Os países celebram 201 anos de laços diplomáticos e pretendem expandir fluxos de investimento em setores como energia, infraestrutura e agroindústria.

Diplomatas das duas chancelarias mantêm conversas diárias para ajustar detalhes logísticos, duração do encontro e formato — reunião restrita, seguida de declaração conjunta à imprensa ou apenas nota oficial.

Origem do diálogo Lula-Trump

No início de outubro, os presidentes conversaram por telefone durante cerca de 30 minutos. Segundo o Itamaraty, o diálogo foi motivado por “assuntos de interesse comercial” e decorreu em clima cordial. Lula relembrou, em rede social, a “boa química” que teve com Trump em breve contato durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, no mês anterior. Na ocasião, já se mencionava a possibilidade de um encontro paralelo à cúpula da Asean.

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Além do telefonema, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tratou do tema em reunião de trabalho em Washington com o secretário de Estado, Marco Rubio. O chanceler brasileiro afirmou que a audiência entre os chefes de Estado seria “oportuna” para destravar pendências tarifárias.

Cautela nas confirmações oficiais

Embora o governo brasileiro manifeste otimismo, integrantes da diplomacia dos dois países adotam tom prudente. A delegação norte-americana avalia compromissos de Trump já assumidos com outras lideranças asiáticas durante a cúpula. Caso ocorram atrasos nas plenárias da Asean — prática comum em fóruns multilaterais —, os horários ainda podem sofrer ajustes de última hora.

Mesmo sem anúncio formal, o Itamaraty reservou sala no pavilhão anexo ao centro de convenções e incluiu a possibilidade de reunião na agenda preliminar distribuída a jornalistas credenciados. A presença de fotógrafos oficiais e o formato de eventual declaração à imprensa dependem de aval final da Casa Branca.

Expectativa de avanços comerciais

Setores produtivos brasileiros acompanham de perto a movimentação. Exportadores de aço, calçados e têxteis veem na interlocução direta com Trump uma chance de obter alívio na tarifa de 50 % e, assim, disputar mercado contra concorrentes asiáticos. Para a ala conservadora do Congresso, a pauta econômica deve prevalecer sobre temas políticos, reforçando pragmatismo nas relações bilaterais.

Do lado norte-americano, assessores de Trump consideram que a remoção de barreiras pode ampliar o acesso de produtos agroindustriais dos EUA ao Brasil, equilibrando a balança. A equipe econômica do presidente republicano defende acordos bilaterais em vez de grandes tratados multilaterais, linha já adotada em outros diálogos internacionais do atual mandato.

Os próximos dias serão decisivos para confirmar o encontro e sinalizar o rumo da parceria, que soma mais de US$ 100 bilhões em fluxo comercial anual. Se concretizada, a reunião tende a repercutir dentro da cúpula da Asean e a influenciar negociações futuras do Brasil com países do Indo-Pacífico.

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Em resumo, Brasília e Washington buscam ajustar detalhes finais para que Lula e Trump discutam tarifas e sanções na Malásia. Se o acerto sair, o encontro pode destravar obstáculos que travam exportações brasileiras e abrir espaço para novos acordos. Fique atento às atualizações e compartilhe este conteúdo com quem acompanha a agenda internacional.

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