Katmandu – O Nepal deu posse, nesta sexta-feira (12), à ex-presidente da Suprema Corte Sushila Karki como primeira-ministra interina, passo decisivo para conter a crise gerada por protestos anticorrupção que deixaram 51 mortos e mais de 1,3 mil feridos.
Substituição de comando após atos violentos
Karki assume depois da renúncia do ex-premiê K. P. Sharma Oli, pressionado pelos manifestantes do movimento conhecido como “Geração Z”, formado em sua maioria por jovens. A onda de violência começou após o governo tentar proibir redes sociais — medida que foi revogada, mas não impediu a escalada dos confrontos.
A cerimônia de juramento ocorreu no palácio presidencial, diante do chefe de Estado, Ramchandra Paudel, e foi transmitida ao vivo para todo o país. A escolha da ex-magistrada resultou de negociações entre a Presidência, o comandante do Exército, Ashok Raj Sigdel, e representantes do movimento de rua, que exigiam um nome sem vínculos partidários diretos e com histórico de enfrentamento à corrupção.
Missão: estabilidade, lei e novas eleições
De acordo com comunicado oficial do gabinete presidencial, a nova líder terá de organizar eleições para a Câmara Baixa até 11 de março de 2026. Nas próximas semanas ela deverá indicar os demais ministros, compondo um gabinete de transição encarregado de restaurar a ordem pública, punir responsáveis pelos atos de vandalismo e adotar medidas de transparência administrativa.
Karki, de 72 anos, fez carreira no Judiciário e se tornou, em 2016, a primeira mulher a comandar a Suprema Corte nepalesa. Permaneceu no cargo por cerca de um ano, período em que ganhou reputação de rigidez contra desvios de recursos. Esse histórico pesou para que os manifestantes a escolhessem como figura de consenso.
O analista constitucional Bipin Adhikari avalia que o principal desafio imediato será “investigar cada caso de destruição de patrimônio público, responsabilizar os envolvidos e restabelecer a confiança na autoridade do Estado”. Ele ressalta que, sem segurança interna, qualquer tentativa de reforma econômica ficará comprometida.


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Balanço dos protestos e cenário social
Desde a queda da monarquia, em 2008, o Nepal vive ciclos de instabilidade agravados por desemprego elevado e migração em massa. A recente explosão de insatisfação expôs a fragilidade institucional: em poucos dias, lojas foram saqueadas, estradas bloqueadas e tropas assumiram o controle de pontos estratégicos da capital.
Relatos de famílias que buscavam corpos em hospitais de Katmandu, nesta sexta-feira, confirmam o clima de comoção. Segundo testemunhas ouvidas pela imprensa local, alguns dos mortos tinham pouco mais de 20 anos e foram atingidos quando a polícia tentou dispersar aglomerações que avançavam sobre prédios governamentais.
Com a posse da nova chefe de governo, o Exército iniciou a retirada gradual de tropas das ruas, substituindo fuzis por cassetetes e devolvendo o patrulhamento de rotina às forças de segurança civil. Apesar disso, trechos de estradas continuam bloqueados por manifestantes que cobram investigações céleres e publicação de relatórios semanais sobre o andamento dos inquéritos.

Imagem: Reuters
Próximos passos e expectativa popular
Analistas veem na figura de Karki a possibilidade de um pacto institucional: por não possuir base partidária expressiva, ela depende do êxito na agenda anticorrupção para sustentar legitimidade até as eleições. O presidente Paudel, por sua vez, aposta que a integração entre Exército e governo interino permitirá respostas rápidas a eventuais novas convocações de protestos.
Setores empresariais pressionam pela reabertura completa do comércio, temendo retração no turismo e na remessa de trabalhadores ao exterior — duas fontes vitais de divisas para o país de 30 milhões de habitantes. Já a oposição partidária, fragmentada, avalia como capitalizar a crise nas urnas em 2026, mas evita movimentos que possam ser vistos como desestabilizadores.
A posse de Sushila Karki representa, portanto, um teste de governabilidade diante de uma população que exige emprego, segurança e punição exemplar aos envolvidos no recente ciclo de violência. O governo interino terá de equilibrar pressão popular por reformas rápidas com o imperativo de respeitar prazos constitucionais para convocar o eleitorado.
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Em resumo, o Nepal aposta em uma liderança técnica para restaurar a confiança nas instituições, promover eleições regulares e conter novas convulsões sociais. Continue conosco e receba em primeira mão as principais notícias que impactam o cenário global.
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