O fundo soberano da Noruega ultrapassou US$ 2 trilhões em ativos e, mesmo mantendo a economia doméstica apoiada no petróleo, impõe agendas ambientais que restringem a exploração de recursos na Amazônia brasileira.
Modelo de riqueza baseado em petróleo e gás
Criado em 1990, o Statens Pensjonsfond Utland (SPU) administra os ganhos gerados pelo petróleo e pelo gás natural extraídos no Mar do Norte. O Parlamento determinou que a receita seja aplicada no exterior, protegendo a economia local da volatilidade do setor. Administrado pelo Norges Bank Investment Management, o fundo detém participação em mais de nove mil empresas de 70 países e só permite ao governo retirar anualmente até 3 % do total, destinando esses recursos principalmente a previdência, educação e infraestrutura.
A estatal Equinor, controlada em 71 % pelo Estado norueguês, responde por 42 % das receitas governamentais. Apesar do discurso global de descarbonização, a companhia planeja elevar a produção de petróleo e gás em 10 % até 2030. Paralelamente, reduz aportes em fontes renováveis tradicionais e aposta em projetos de fusão nuclear, como o reator da norte-americana Consolidated Fusion Systems, previsto para operação comercial também em 2030.
Enquanto garante novas reservas no exterior, Oslo continua ofertando blocos exploratórios no Mar de Barents e mapeia a plataforma continental em busca de níquel, cobre e terras raras. A decisão sobre concessões para mineração submarina foi adiada apenas para 2026 ou 2027, indicando que a estratégia de expansão permanece em andamento.
Brasil: principal destino de investimentos da Equinor
Há duas décadas no país, a Equinor considera o Brasil o maior polo de aplicação de capital fora da Noruega. A empresa opera campos no pré-sal e desenvolve novos projetos de produção. O avanço da estatal corrobora o interesse de Oslo em manter presença efetiva no mercado brasileiro de hidrocarbonetos.
Ao mesmo tempo, a Noruega reforça a pressão para que o Brasil limite atividades na Amazônia. Desde 2008, o país escandinavo já aportou mais de R$ 3,2 bilhões no Fundo Amazônia, mecanismo que condiciona repasses internacionais a metas de controle ambiental na região. Em 2024, a última transferência anunciada somou US$ 60 milhões (aproximadamente R$ 350 milhões), equivalente a 11 % do orçamento executado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima naquele ano.


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Além do Fundo Amazônia, agências estatais como a NORAD e o Ministério do Clima e Meio Ambiente financiam organizações não governamentais estrangeiras focadas em campanhas de descarbonização. A Rainforest Foundation Norway, apesar de se apresentar como entidade privada, opera como repassadora de verbas públicas. Entre os destinatários brasileiros figura o Observatório do Clima, grupo que lidera mobilizações contra a exploração de petróleo na Margem Equatorial.
Expansão de instrumentos financeiros “verdes”
Recentemente, a Rainforest Foundation Norway recomendou ao governo norueguês investir no Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado pelo Executivo brasileiro. A proposta mira consolidar a Amazônia como grande reserva de créditos de carbono, mantendo a floresta intacta para gerar ativos financeiros internacionais. Na prática, recursos escandinavos contribuem para travar projetos de mineração, energia e infraestrutura na região, ao mesmo tempo em que Oslo amplia a própria produção de combustíveis fósseis.

Imagem: Ricardo Stuckert
Esse contraste ilustra a política “faça o que eu digo, não o que eu faço”. O país nórdico lucra com hidrocarbonetos, financia novas fronteiras de exploração e, paralelamente, utiliza fundações e doações para moldar políticas ambientais de nações em desenvolvimento. O Brasil, detentor de vastas reservas de óleo, gás e minerais, vê seu debate interno influenciado por atores externos que condicionam investimentos à contenção de empreendimentos considerados estratégicos para o crescimento nacional.
Implicações para a soberania brasileira
A dependência de recursos externos para programas ambientais cria margem para ingerência em políticas públicas. Ao aceitar financiamentos que representam fração modesta do orçamento norueguês, mas parcela significativa do brasileiro, autoridades nacionais cedem espaço para que critérios definidos fora do país orientem projetos de desenvolvimento na Amazônia Legal. Enquanto isso, a Equinor expande operações no pré-sal, reforçando a assimetria entre o discurso ambiental importado e a prática no setor energético mundial.
Para mais análises sobre decisões que impactam a política energética brasileira, acompanhe nossa cobertura completa.
Em resumo, a Noruega combina ganhos bilionários do petróleo com um ativo portfólio de influência ambiental. Ao mesmo tempo em que subsidia ONGs contrárias à exploração de recursos nacionais, continua ampliando sua própria produção de combustíveis fósseis. Entender essa equação é fundamental para avaliar quais interesses estão em jogo e quais caminhos o Brasil deve seguir. Fique atento aos próximos capítulos e compartilhe este conteúdo.
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