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Novo chefe da CPI do Crime Organizado critica fala de Lula e promete rastrear dinheiro de facções

Econômia

Brasília — Em meio à escalada da violência no Rio de Janeiro, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) assumiu a presidência da recém-instalada CPI do Crime Organizado e deixou claro que a comissão vai funcionar sem “palanque político”. Delegado de carreira e voz considerada independente dentro do PT, o parlamentar classificou como “infeliz” a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o traficante seria “vítima” da sociedade. O novo dirigente da CPI defendeu punições mais duras para o tráfico de drogas e rastreamento rigoroso do fluxo financeiro de facções e milícias.

Condução técnica e sem espaço para discursos eleitorais

Contarato afirmou que pretende conduzir os trabalhos de forma técnica, ao lado do relator Alessandro Vieira (MDB-SE). Segundo ele, a comissão não será usada como palco para disputas partidárias:

“Não estou aqui para atender a A, B ou C. A CPI deve jogar luz sobre quem tem responsabilidade pela criminalidade e apontar medidas concretas. Palanque e pirotecnia não cabem”, declarou.

O senador reconheceu que a esquerda historicamente evita o tema da segurança pública. Para Contarato, o campo progressista “passou da hora” de tratar o assunto sem romantização. Ele enfatizou que segurança pública é responsabilidade constitucional de todos os entes federativos e que a integração entre União, Estados e Municípios já está prevista no artigo 144 da Constituição, dispensando alterações no texto — tese que converge com a visão do relator.

Foco no dinheiro das facções e responsabilização de agentes

Uma das prioridades do plano de trabalho já aprovado é rastrear recursos que alimentam facções e milícias. Contarato garante que o Senado possui estrutura para a investigação, graças a sistemas modernos de análise financeira. “A tecnologia hoje permite seguir o rastro do dinheiro e desarticular a engrenagem criminosa”, disse.

Além do rastreamento, a CPI vai avaliar a atuação de corregedorias e ouvidorias das polícias, quantificar processos disciplinares e verificar eventuais desvios de conduta. De acordo com o presidente da comissão, o objetivo é responsabilizar agentes públicos que ultrapassem limites legais, mantendo a polícia dentro de seu papel constitucional sem comprometer a autoridade das corporações.

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Convocações de governadores e autoridades

No primeiro dia de trabalho, o colegiado aprovou requerimentos que convidam governadores, incluindo Cláudio Castro (PL-RJ), apontado como peça-chave nas ações de segurança no Rio de Janeiro. A intenção é esclarecer estratégias, resultados e eventuais falhas na integração entre forças estaduais e federais.

Críticas à política penal branda e defesa do rigor

Contarato, que já relatou projetos aumentando o período de internação de menores infratores, reiterou que a legislação atual transmite “a certeza da impunidade”. Para o senador, é “inaceitável” que condenados a nove anos por homicídio cumpram menos de dois anos em regime fechado, beneficiados por remição de pena, saídas temporárias e indultos.

Ele também se posicionou abertamente a favor de penas mais severas para o tráfico de entorpecentes, argumentando que o traficante é “o que há de mais pernicioso” na sociedade. “Se for necessário alterar a legislação para restituir a paz nas comunidades, apoiarei”, afirmou.

Lula na mira: declaração sobre traficante gera reação

Questionado sobre a fala do presidente Lula de que o traficante seria “vítima”, Contarato foi direto: “Foi uma colocação infeliz. O traficante mata, destrói famílias e financia violência.” A crítica do senador, mesmo sendo correligionário de Lula, reforça a tensão interna no PT quanto ao discurso de segurança pública.

Perfil independente dentro do PT

Conhecido por contrariar diretrizes partidárias quando discorda, o presidente da CPI assegurou que manterá a independência: “Tenho na vida pública um freio moral. O partido respeita minha autonomia, e não abrirei mão dela.”

No campo administrativo, Contarato elogiou a postura “serena e técnica” do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, vendo no atual comando da pasta uma oportunidade de diálogo mais produtivo com o Congresso.

A CPI do Crime Organizado terá 180 dias para concluir os trabalhos, prazo que pode ser prorrogado. Até lá, a comissão espera apresentar relatório com propostas legislativas, medidas de integração e responsabilização de agentes, além de recomendações para endurecer o combate às facções.

Para continuar acompanhando as principais movimentações em Brasília, o leitor pode acessar a seção de política do nosso site em geraldenoticias.com.br/category/politica.

Em resumo, a CPI se inicia com promessa de firmeza: rastrear dinheiro de facções, avaliar ações policiais e expor fragilidades do sistema penal. A postura crítica de Contarato à fala de Lula indica que o colegiado pode adotar linha dura, alinhada ao clamor popular por segurança. Acompanhe nossos próximos artigos e fique informado sobre cada desdobramento.

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