São Paulo — O prefeito Ricardo Nunes (MDB) intensificou a integração do vice-prefeito Ricardo Mello Araújo (PL) à administração municipal, numa estratégia que amplia a influência do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e o posiciona para assumir o Executivo paulistano caso Nunes se lance ao Palácio dos Bandeirantes em 2026.
Vice assume tarefas estratégicas e ganha visibilidade
Mello Araújo, escolhido vice por indicação direta de Bolsonaro, passou a cumprir agenda de almoços institucionais com secretários municipais pelo menos três vezes por semana. Embora não comande uma secretaria, recebeu atribuições de alto impacto, como a articulação com o governo estadual em três áreas sensíveis: a região da Cracolândia, o comércio popular do Brás e a Favela Pantanal.
Segundo interlocutores da prefeitura, a ideia é inserir o vice no núcleo que conduz a máquina municipal desde a gestão Bruno Covas, garantindo conhecimento dos processos internos e sustentação política para uma eventual transição. O próprio Nunes tem elogiado publicamente a evolução da oratória e da capacidade de articulação de Mello Araújo com subprefeitos e com o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
Apesar da afinidade com o ex-presidente, fontes do entorno do prefeito afirmam que Mello Araújo ainda não integra o chamado “bolsonarismo orgânico” nem possui base eleitoral própria. O esforço de aproximação com os quadros técnicos da prefeitura busca suprir essa lacuna, preparando o terreno para que o vice conduza a cidade sem descontinuidades caso Nunes dispute o governo do Estado.
Nunes mira 2026 e ajusta tabuleiro político
No MDB, Nunes é visto como nome natural ao governo paulista se o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), optar pela corrida presidencial. A avaliação de secretários e vereadores do centrão é que Tarcísio precisará de um candidato forte em São Paulo, já testado nas urnas da capital e da região metropolitana, para concentrar a própria campanha nacional. Nesse cenário, Nunes aparece como opção que pouparia tempo e recursos do governador.
A possível entrada do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na disputa estadual reforça a necessidade de um palanque consolidado à direita. Aliados avaliam que Nunes já reúne musculatura administrativa e visibilidade para enfrentar um adversário de perfil mais ao centro-esquerda, enquanto a presença de Mello Araújo na prefeitura manteria a gestão alinhada ao eleitorado conservador.
Mello Araújo, por sua vez, reitera publicamente que trabalha pela candidatura de Bolsonaro à Presidência e pela reeleição de Tarcísio no Estado. Em declarações recentes, descartou qualquer cenário em que o governador deixe o cargo para concorrer ao Planalto. “Vou ajudar o prefeito Ricardo Nunes por quatro anos”, frisou, negando atritos internos.
Gestos à base bolsonarista
Para além das movimentações administrativas, Nunes tem investido em gestos simbólicos de aproximação com a direita. O prefeito participou da mais recente manifestação favorável a Bolsonaro na Avenida Paulista, atitude que lhe rendeu reconhecimento dentro do PL. Deputados federais ligados ao ex-presidente consideraram o discurso de Nunes no carro de som como alinhado ao sentimento das ruas e telefonaram para parabenizá-lo, entre eles o parlamentar licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




O movimento consolida uma ponte entre MDB, PL e Republicanos na capital paulista. Com a integração do vice, Nunes sinaliza capacidade de harmonizar interesses desses partidos em torno de um mesmo projeto, evitando dispersão de votos conservadores em 2026.
Desafios administrativos no curto prazo
Embora o foco político esteja em 2026, a prefeitura enfrenta desafios imediatos. A requalificação da Cracolândia, a reorganização do comércio irregular no Brás e intervenções na Favela Pantanal exigem coordenação intensa entre município e governo estadual. Ao transferir parte dessas negociações para Mello Araújo, Nunes garante ao vice experiência prática em temas complexos e expõe seu nome a segmentos estratégicos do eleitorado, como comerciantes e moradores de áreas periféricas.
Secretários envolvidos nos projetos afirmam que o vice concentra reuniões técnicas, visita obras e acompanha a execução de contratos. A expectativa é que, até abril de 2026, Mello Araújo tenha percorrido todas as subprefeituras, fortalecendo vínculos com lideranças regionais e baseando-se em resultados mensuráveis para eventual campanha de continuidade.
Cenário partidário e próximos passos
No plano partidário, dirigentes do MDB e do PL analisam a possibilidade de uma coligação formal para as eleições municipais de 2024, o que garantiria tempo de televisão e estrutura para defender o legado da administração Nunes-Mello. A leitura predominante é que a manutenção da “chapa pura” MDB-PL na capital facilitaria a composição estadual, seja ela encabeçada por Nunes ou por Tarcísio, dependendo da decisão presidencial.
Até lá, o prefeito deve manter a agenda de fortalecimento do vice, replicando o modelo adotado durante a convivência de Bruno Covas e Ricardo Nunes no período 2017-2021. Integrantes da equipe lembram que o atual prefeito assumiu a cadeira após o falecimento de Covas, motivo pelo qual considera fundamental deixar o sucessor plenamente apto a governar.
Com a base aliada coesa, presença crescente em eventos conservadores e gestão de temas cruciais da cidade, Ricardo Nunes e Ricardo Mello Araújo alinham-se a um projeto comum: garantir continuidade administrativa em São Paulo e assegurar um palanque sólido à direita no maior colégio eleitoral do país.

Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


Quando você efetua suas compras por meio dos links disponíveis aqui no Geral de Notícias, podemos receber uma comissão de afiliado, sem que isso acarrete nenhum custo adicional para você!