São Paulo, 18 out. 2025 – Um relatório preliminar do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que o apagão registrado na madrugada de 14 de outubro teve início com um incêndio no reator de linha da LT 500 kV Ibiúnas – Bateias, equipamento pertencente à Eletrobras. O documento, divulgado na noite de sexta-feira (17), descreve a sequência de falhas que resultou no desligamento em cascata de importantes circuitos e na separação do subsistema Sul do restante do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Falha inicial e desligamentos em cascata
De acordo com o ONS, o fogo no reator ocasionou a atuação da proteção primária do circuito, procedimento considerado normal em situações de contingência. Contudo, o evento também provocou o desligamento indevido do circuito C1 da mesma linha de transmissão. Em seguida, a falha se propagou ao barramento da Subestação Bateias, administrada pela Copel, onde a proteção de barramento não conteve o problema.
A sequência culminou em desligamentos múltiplos de linhas conectadas à subestação, incluindo a LT 500 kV Londrina – Assis e a LT 765 kV Ivaiporã – Itaberá – Tijuco Preto. Como consequência, o subsistema Sul perdeu a conexão com as demais regiões. Naquele momento, a área exportava cerca de 5.000 MW, provocando elevação de frequência no Sul e redução nos demais subsistemas.
Impactos e restabelecimento
O relatório informa que a perturbação começou às 00h31. Quatro minutos depois, às 00h35, as primeiras cargas foram religadas. O restabelecimento completo ocorreu às 02h15, totalizando pouco menos de duas horas de interrupção parcial de energia. O ONS não divulgou estimativa oficial de consumidores afetados, mas o desbalanceamento de frequência foi percebido em diversos estados.
O documento ressalta que os dispositivos de proteção instalados foram projetados para isolar falhas de forma seletiva, evitando efeitos em cadeia. A não atuação correta desses sistemas na Subestação Bateias será alvo de análise detalhada. Técnicos deverão verificar, entre outros pontos, se houve falha de configuração, defeito físico nos equipamentos ou atraso na manutenção preventiva.
Próximos passos e responsabilidades
Representantes do ONS, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e do Ministério de Minas e Energia agendaram nova reunião em 28 de outubro. O objetivo é concluir o Relatório de Análise de Perturbação, documento que definirá responsabilidades, prazos de correção e eventuais multas. Depois de finalizado, o parecer será encaminhado a todos os agentes envolvidos.


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A Eletrobras, proprietária do reator onde o incêndio começou, e a Copel, responsável pela subestação afetada, deverão apresentar informações complementares sobre operação, inspeções e planos de contingência. A ANEEL poderá abrir processos punitivos caso sejam identificadas falhas operacionais ou descumprimento de normas de segurança.
Contexto do sistema elétrico
O SIN opera de forma interligada para otimizar o despacho de energia entre as regiões. Situações em que um subsistema exporta grande carga para outro exigem coordenação fina de frequência e tensão. Quando ocorre uma separação abrupta, como a registrada no dia 14, o excesso de geração de um lado e o déficit do outro provocam oscilações que podem derrubar equipamentos de proteção, ampliando a área de impacto.

Imagem: Divulgação
Embora o reator incendiado seja um equipamento isolado, os desligamentos sucessivos expuseram vulnerabilidades na rede de proteção secundária. Especialistas consultados pelo ONS destacam a necessidade de revisão dos esquemas de segurança, sobretudo em barramentos que concentram grande quantidade de linhas de transmissão.
Revisão de protocolos e custo da falha
Após a divulgação da análise preliminar, espera-se que as concessionárias reforcem inspeções em reatores semelhantes e revisem procedimentos de emergência. O tempo de indisponibilidade de carga, mesmo restrito a pouco mais de 100 minutos, pode gerar ressarcimentos bilionários às distribuidoras que atenderam consumidores afetados.
A ANEEL deverá calcular os valores a serem compensados na Conta Bandeira e em eventuais processos contra as empresas que não cumpriram padrões de confiabilidade. Além dos impactos financeiros, a interrupção revelou fragilidades operacionais que precisam ser sanadas para evitar episódios semelhantes em períodos de pico de demanda.
Para quem deseja acompanhar as próximas etapas da investigação e outras pautas do setor elétrico, o conteúdo sobre decisões regulatórias está disponível em Política, com atualizações constantes.
Em resumo, a análise do ONS identifica o incêndio em um reator da Eletrobras como gatilho do apagão de 14 de outubro e detalha a cascata de desligamentos que isolou o Sul do SIN. O órgão prepara relatório final que definirá responsabilidades e medidas corretivas. Acompanhe nossos próximos artigos e fique por dentro das deliberações que impactam a segurança energética do país.
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