O ex-ministro da Previdência Social Onyx Lorenzoni compareceu, sem habeas corpus, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga descontos indevidos em benefícios do INSS. Durante o depoimento, realizado em 10 de novembro de 2025 na Câmara dos Deputados, Lorenzoni apresentou números do Banco Central e afirmou que a fraude teve redução no governo anterior, mas explodiu na atual gestão federal.
Dados do Banco Central sustentam comparação
Com base em informações oficiais, o ex-ministro comparou três períodos distintos. Segundo Lorenzoni, os valores descontados de forma irregular somaram R$ 794 milhões, corrigidos pela inflação, no último ano do governo Michel Temer. Em 2022, último ano da administração Jair Bolsonaro, o montante caiu para R$ 706 milhões. Os números, de acordo com o depoente, indicam queda nominal de R$ 88 milhões.
O ex-titular da pasta destacou a implantação da biometria para contratação de empréstimo consignado como medida central para dificultar fraudes. Ele argumentou que o mecanismo impediu repasses indevidos e fortaleceu a conferência de identidade de aposentados e pensionistas.
Na avaliação apresentada, além da redução de valores descontados, houve diminuição do total de beneficiários afetados. Em janeiro de 2019, início do governo Bolsonaro, estavam registrados 2,778 milhões de segurados com descontos. Até dezembro de 2022, o indicador recuou para 2,706 milhões, queda de 72 mil pessoas.
Número de beneficiários afetados dispara em 2023
O levantamento levado à CPMI mostra que, em 2023, o cenário mudou. Relatório parcial da comissão aponta que 7,491 milhões de aposentados e pensionistas tiveram valores subtraídos, avanço de 176% em relação ao fim de 2022. Lorenzoni associou o salto à revogação de controles e ao atraso na fiscalização por parte da atual administração.
Conforme os dados analisados pela CPMI, o Nordeste concentrou o maior contingente de lesados: quase 37% de todos os descontos indevidos partiram de beneficiários da região. Parlamentares ligados à oposição afirmaram que o índice evidencia impacto direto sobre os idosos que dependem da renda previdenciária.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Durante a oitiva, o ex-ministro ressaltou que, em 34 anos de programas de crédito consignado, somente em 2019 foi implementado um sistema robusto de verificação biométrica. Para ele, isso comprovou a possibilidade de reduzir fraudes quando há esforço de monitoramento.
Reação da CPMI e próximos passos
Deputados e senadores da base governista contestaram o ex-ministro, mas não apresentaram números divergentes. Já membros da oposição solicitaram a convocação de gestores atuais do INSS a fim de esclarecer a interrupção de barreiras antifraude.
Relatores da CPMI confirmaram que audiências adicionais ocorrerão nas próximas semanas. O colegiado avalia mudanças na legislação para tornar obrigatória a biometria em todo tipo de contratação consignada e ampliar punições para instituições financeiras envolvidas.

Imagem: Bruno Spada
Ao defender a atuação de sua gestão, Lorenzoni disse que o governo Lula só tomou medidas concretas “depois que a polícia foi acionada”. O depoente citou manifestações do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União que, segundo ele, alertaram o Planalto antes mesmo do crescimento explosivo dos descontos.
Impacto social e regional
O levantamento preliminar da comissão indica que, além do volume financeiro, o golpe atingiu principalmente pensionistas com renda de até um salário mínimo. Parlamentares favoráveis a novas normas defendem a criação de um sistema de alerta automático para identificar variações atípicas nas folhas de pagamento.
Representantes de entidades de aposentados presentes à sessão afirmaram que muitos beneficiários no Nordeste vivem em áreas rurais e têm dificuldade de acesso a canais formais de reclamação, o que amplia o impacto do golpe.
Enquanto o relatório final não é concluído, a CPMI avalia convocar dirigentes de bancos e representantes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O objetivo é identificar falhas internas que permitiram a abertura de contratos fraudulentos.
Para quem deseja compreender outras movimentações políticas em Brasília, vale conferir a cobertura recente em nossa editoria de Política, que traz atualizações diárias sobre votações, comissões e investigações.
Em resumo, o depoimento de Onyx Lorenzoni apresentou dados oficiais que contrariam a narrativa de facilitação de fraudes durante o governo anterior e apontam crescimento expressivo dos descontos indevidos em 2023. A CPMI continuará apurando responsabilidades e propondo soluções para blindar aposentados e pensionistas contra novos prejuízos. Acompanhe nossas próximas publicações e fique informado sobre os desdobramentos.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

