A ação policial realizada nesta terça-feira (28) em diversos pontos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro tornou-se a mais letal já registrada no estado, segundo dados preliminares das forças de segurança. O objetivo foi atingir o núcleo do Comando Vermelho (CV), facção que domina parte considerável do tráfico de drogas local. O saldo inclui dezenas de mortos — entre suspeitos e agentes de segurança —, a apreensão de quase uma centena de fuzis, além da identificação do uso de drones equipados com artefatos explosivos pelos criminosos.
Confronto fecha vias estratégicas e afeta aeroporto
O confronto começou nas primeiras horas da madrugada e rapidamente se espalhou por bairros das zonas Norte e Oeste. De acordo com a Polícia Militar, criminosos montaram barricadas e dispararam contra viaturas, obrigando as autoridades a interditar avenidas que dão acesso ao Aeroporto Internacional Tom Jobim e à Linha Vermelha, uma das principais ligações entre a cidade e a Baixada Fluminense.
Passageiros relataram atrasos e cancelamentos de voos em razão do bloqueio temporário das vias. Empresas de transporte público reduziram a circulação de ônibus e trens, e escolas próximas às comunidades afetadas suspenderam as aulas presenciais. O governo estadual montou um gabinete de crise para coordenar o trabalho das polícias Militar, Civil e Federal na retomada das áreas ocupadas.
Drones e arsenal reforçam capacidade bélica do Comando Vermelho
Entre o material apreendido, destacam-se 97 fuzis de calibres variados, munições, coletes balísticos e granadas improvisadas. Investigadores confirmaram que integrantes do CV utilizaram drones adaptados para lançar pequenos explosivos contra equipes terrestres — recurso antes restrito a conflitos internacionais. Segundo peritos, a tática visa dispersar o efetivo policial, ganhar tempo para fuga e criar pânico entre moradores.
A Secretaria de Segurança Pública ainda contabiliza o número exato de vítimas. Fontes oficiais mencionam mais de 40 mortos, sendo a maioria suspeitos de participação no tráfico. Pelo menos quatro policiais ficaram entre os óbitos e outros dez seguem internados, alguns em estado grave.
Decisões judiciais limitam apoio aéreo às operações
Desde 2020, o Supremo Tribunal Federal mantém restrições ao uso de helicópteros em incursões policiais nas comunidades durante a pandemia. A determinação permanece em vigor, exigindo justificativa prévia para voos armados sobre áreas densamente povoadas. Com isso, as forças de segurança atuaram sobretudo por terra, cenário que especialistas apontam como fator de risco adicional para agentes em confrontos contra grupos fortemente equipados.


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Classificação de facções como organizações terroristas segue fora da pauta
Apesar da escalada de violência, o governo federal continua sem plano para incluir o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas. Na avaliação de interlocutores das agências de inteligência, essa classificação facilitaria a cooperação internacional, inclusive com autoridades norte-americanas, para rastrear recursos financeiros do crime organizado. O Palácio do Planalto, entretanto, defende que instrumentos legais já existentes seriam suficientes para o enfrentamento ao tráfico.
Moradores vivem rotina de incerteza e adaptação
Enquanto o debate institucional avança lentamente, a população fluminense convive com a rotina de tiroteios, escolas fechadas e comércio de portas abaixadas. Em depoimentos colhidos pela imprensa local, moradores relatam a normalização de sirenes e estampidos de arma de fogo como parte do cotidiano. Entidades da sociedade civil alertam para o trauma psicológico em crianças e adolescentes expostos à violência recorrente.

Imagem: Internet
Representantes do setor produtivo temem que episódios como o desta terça-feira afastem investimentos e prejudiquem o turismo. O sindicato dos bares e restaurantes do Rio estima queda de até 20% no faturamento diário em regiões afetadas pelos bloqueios, enquanto a Federação do Comércio avalia impactos negativos na geração de empregos temporários para o fim de ano.
Próximos passos das autoridades
O governador anunciou que novas fases da operação serão planejadas nos próximos dias, com reforço de efetivo e trabalho conjunto de inteligência. Já a Procuradoria Geral do Estado estuda solicitar ao STF flexibilização pontual das restrições aéreas, argumentando risco iminente à segurança pública. Por sua vez, o Ministério da Justiça enviou equipes da Força Nacional para apoiar o patrulhamento de rodovias e áreas externas aos complexos dominados pelo CV.
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O episódio desta terça-feira reforça a urgência de estratégias eficazes contra o crime organizado no Rio de Janeiro. Siga nossas atualizações e participe: compartilhe a matéria e ative as notificações para não perder os desdobramentos.
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