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Operação no Rio recoloca segurança pública no centro da corrida de 2026 e pressiona Lula

Política

A megaoperação conduzida pelo governo do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV) na última semana alterou o tabuleiro político nacional e transformou a segurança pública no principal tema da pré-campanha de 2026. Com 117 integrantes da facção e quatro policiais mortos, segundo dados oficiais, a ação contou com amplo apoio popular medido por pesquisas realizadas após o confronto. O episódio obrigou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a adotar cautela, depois de ter declarado dias antes que traficantes seriam “vítimas” dos usuários, declaração que gerou forte repercussão negativa.

Reação do Planalto e movimentação legislativa

Surpreendido pela ofensiva coordenada no Complexo do Alemão e da Penha, o Palácio do Planalto informou que o presidente só teria recebido detalhes da operação ao regressar de viagem internacional. Lula, então, apresentou duas iniciativas para demonstrar protagonismo: a defesa da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, que transfere a coordenação estratégica para Brasília, e o envio de um projeto de lei antifacção ao Congresso. As medidas tentam sinalizar compromisso com o combate ao crime, setor historicamente sensível para o Partido dos Trabalhadores.

A PEC, caso aprovada, reduzirá a autonomia dos governadores, prevista na Constituição de 1988, ao centralizar as políticas de segurança no governo federal. Já o projeto antifacção promete endurecer penas e facilitar o confisco de bens ligados ao narcotráfico. As duas propostas ainda não têm cronograma definido para votação, mas líderes governistas afirmam trabalhar para acelerar a tramitação.

Resposta da oposição e impactos eleitorais

Governadores de direita formaram o chamado “Consórcio da Paz” e viajaram ao Rio para apoiar publicamente o governador Cláudio Castro. O grupo viu na operação um símbolo de resposta firme ao avanço das facções e mirou o desgaste do discurso petista, considerado permissivo em relação ao crime. Parlamentares alinhados ao Planalto, por outro lado, classificaram a ação como “chacina” e pediram investigações sobre abuso de força, reforçando a tradicional divergência entre esquerda e direita na área.

No Congresso, deputados governistas como Guilherme Boulos solicitaram minuto de silêncio pelas vítimas da operação durante cerimônia oficial. Ministros Anielle Franco (Igualdade Racial) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos) visitaram as comunidades no dia seguinte, ao lado de parlamentares de partidos de esquerda, para ouvir moradores e criticar excessos policiais. Movimentos sociais ligados ao PT e ao PSOL organizaram atos em São Paulo denunciando suposta violência estatal.

Apesar das manifestações, levantamentos de opinião mostram aprovação majoritária à ofensiva policial, reforçando que a pauta de segurança volta a ocupar o topo das preocupações do eleitor. Analistas apontam que o tema tende a favorecer candidaturas alinhadas a políticas de endurecimento penal, segmento em que o PT enfrenta desvantagem histórica.

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Disputa de narrativas e projeções para 2026

A oposição cita a expansão do CV e do PCC durante os quatro mandatos petistas, entre 2003 e 2022, para atribuir responsabilidade ao partido. Já integrantes do governo argumentam que o crime organizado deve ser enfrentado “na fonte financeira”, tese defendida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao afirmar que chefes do narcotráfico estariam fora das comunidades, aplicando recursos em mercados formais ou no exterior.

Enquanto o Planalto tenta equilibrar discurso social e medidas de repressão, lideranças conservadoras reforçam a narrativa de tolerância zero. A morte da jovem Bárbara Elisa Yabeta Borges, atingida por bala perdida na Linha Amarela, foi lembrada em pronunciamentos que cobram ação firme para proteger cidadãos.

Para 2026, estrategistas preveem que cada deslize de Lula no tema poderá ser explorado por adversários como prova de “conivência” com a criminalidade. O desgaste interno também preocupa: parte da base governista insiste em criticar operações policiais, alimentando a percepção de distanciamento entre discurso oficial e prática.

Cenário em aberto

A megaoperação no Rio expôs a diferença de abordagem entre Executivo federal e governos estaduais, reacendeu o debate sobre federalismo na segurança e injetou nova dinâmica na corrida presidencial. Com a popularidade diretamente ligada à sensação de segurança, Lula busca reposicionar a pauta para minimizar danos. Já opositores enxergam terreno fértil para fortalecer candidaturas com agenda de ordem pública, hoje respaldada por expressivo apoio popular.

Se o assunto permanecer no centro do debate, especialistas avaliam que o presidente iniciará a disputa com desvantagem. O desempenho de propostas como a PEC da Segurança e o projeto antifacção será decisivo para medir a capacidade do governo de recuperar terreno.

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Em síntese, a operação fluminense elevou a segurança pública ao patamar de fator determinante na formação de votos para 2026. Resta saber se as ações anunciadas pelo Planalto conseguirão neutralizar o discurso oposicionista ou se o tema consolidará uma vantagem competitiva para candidatos alinhados ao endurecimento penal.

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