Uma pesquisa da AtlasIntel apontou que 87,6% dos moradores de favelas do Rio de Janeiro aprovam a megaoperação policial realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, a mais letal da história do estado. A ação, realizada por forças conjuntas das polícias Civil e Militar, resultou em 117 mortos, entre eles quatro agentes de segurança.
Pesquisa mostra apoio nas comunidades
Conforme o levantamento, praticamente nove em cada dez residentes das áreas diretamente alcançadas pelo conflito veem a operação como necessária para restaurar o controle estatal. O resultado contrasta com críticas vindas de setores da elite de bairros como Leblon, Gávea e Ipanema, onde manifestações classificaram a intervenção como “genocídio” e “excesso de violência”.
Entre os 117 mortos contabilizados, 109 já foram identificados pela Polícia Civil. Desses, 78 apresentavam histórico de crimes graves, incluindo homicídio e tráfico de drogas. Mais da metade dos suspeitos era originária de outros estados, evidenciando o uso das comunidades cariocas como base de expansão do Comando Vermelho para outras regiões do país.
Operação escancara avanço das facções
Durante o confronto, os agentes enfrentaram pela primeira vez criminosos equipados com drones lançadores de explosivos — tecnologia que demonstra o grau de sofisticação alcançado pelas facções. O episódio reforçou questionamentos sobre até que ponto esses grupos devem continuar sendo tratados apenas como organizações criminosas, e não como movimentos de caráter terrorista.
Dados oficiais indicam que 26% do território brasileiro já se encontra sob domínio de facções armadas, percentual que supera o verificado em países marcados por conflitos internos, como Colômbia e Nicarágua. No Rio de Janeiro, a presença dessas organizações consolida-se desde a década de 1990 e ganhou projeção internacional ao longo dos últimos 25 anos, período em que o Partido dos Trabalhadores ocupou a Presidência em quatro mandatos completos e parte de um quinto.
As facções operam como Estados paralelos: impõem regras próprias, aplicam justiça informal, arrecadam “impostos” por meio de extorsão e mantêm redes de distribuição de drogas e armas. A ausência prolongada do poder público em áreas vulneráveis permitiu que o tráfico financiasse campanhas eleitorais, pressionasse autoridades locais e expandisse sua influência para quase um terço do território nacional.


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Divisão entre ruas e apartamentos
Enquanto moradores de comunidades relatam rotina marcada por toque de recolher, tiroteios e cobrança de taxas ilegais, parte da elite urbana contesta qualquer operação policial mais robusta. Críticos acusam as forças de segurança de abuso, mas raramente frequentam as regiões dominadas pelos fuzis. A discrepância revela um fosso entre o discurso de proteção aos mais pobres e o desejo real dessas populações de viver sem medo.
Especialistas em segurança pública observam que a estratégia de intervenção direta ganhou respaldo popular justamente por expor a dimensão do problema: as comunidades do Rio tornaram-se quartel-general para treinamento de novos integrantes do Comando Vermelho, que depois são enviados a outros estados. Sem ações de grande porte, o poder bélico e territorial das facções tende a avançar.

Imagem: Antônio Lacerda
Contexto político
Desde o início dos anos 2000, parte do debate acadêmico e político defende políticas de compreensão do criminoso em detrimento do enfrentamento direto. Entretanto, os números atuais de domínio territorial e expansão internacional do tráfico sugerem que o modelo adotado até aqui não conteve o avanço das facções. A recente operação, ainda que violenta, recolocou o tema da restauração da autoridade estatal no centro da discussão pública.
Para muitos analistas, a segurança pública será um dos principais temas das eleições do próximo ano. A elevada aprovação à operação nas comunidades reforça a percepção de que boa parte do eleitorado, inclusive o de baixa renda, espera ações firmes contra o crime.
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Em síntese, a megaoperação nos Complexos da Penha e do Alemão expôs o tamanho do desafio que o Rio de Janeiro enfrenta para reconquistar áreas dominadas por facções. Ao mesmo tempo, evidenciou que a população mais afetada apoia medidas enérgicas. Continue acompanhando nossas publicações e participe da discussão sobre o futuro da segurança pública no Brasil.
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