Parlamentares da oposição reagiram de forma contundente ao movimento do governo federal para levantar um empréstimo de R$ 20 bilhões destinado a socorrer os Correios. A operação, articulada junto ao Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e instituições privadas, contará com garantia do Tesouro Nacional e será dividida em duas parcelas: R$ 10 bilhões a serem liberados em 2025 e outros R$ 10 bilhões em 2026, condicionados a medidas internas de ajuste.
Negociação envolve Tesouro e bancos públicos
Segundo apuração inicial, o acordo foi discutido na quinta-feira, 9 de outubro, durante reunião entre os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Esther Dweck (Gestão) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), além de representantes do Tesouro Nacional, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, do Banco do Brasil e da Caixa. O objetivo é garantir capital de giro, custear um programa de demissão voluntária e renegociar passivos da estatal.
No primeiro semestre de 2025, porém, os Correios já acumularam déficit de R$ 4,4 bilhões, superando o prejuízo recorde de todo o ano de 2024, que foi de R$ 2,6 bilhões. A direção da empresa atribui parte da perda à arrecadação menor após a implantação da chamada “taxa das blusinhas”, mecanismo que alterou a cobrança sobre compras internacionais de pequeno valor.
Críticas apontam risco fiscal e gestão falha
Para a oposição, a operação revela descontrole financeiro e deficiência de governança. O vice-líder Ubiratan Sanderson (PL-RS) classificou o plano como “golpe na responsabilidade fiscal”. Ele argumenta que a dívida, quando assumida pelo Tesouro, será transferida ao contribuinte: “Em vez de ajustar as finanças, o governo prefere endividar ainda mais uma estatal deficitária, onerando a sociedade”, afirmou.
O deputado Rodrigo Valadares (União-SE) reforçou a crítica ao modelo de gestão adotado: “Se uma empresa pública chega ao ponto de pedir R$ 20 bilhões para continuar operando, a governança falhou. Estatais não devem servir de cabide de emprego nem sustentar manobras contábeis”.
Na mesma linha, Coronel Tadeu (PL-SP) exigiu transparência sobre os fatores que levaram à crise: “Quem explica esse déficit bilionário? Onde foram aplicados os recursos? É inadmissível que um serviço essencial precise de socorro emergencial sem prestação de contas detalhada”.


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Capitão Alberto Neto (PL-AM) alertou para o efeito dominó que o empréstimo pode produzir nas contas públicas: “Medidas desse tipo elevam a carga tributária, comprimem o orçamento e reduzem espaço para investimentos sociais”. Já Rodolfo Nogueira (PL-MS) avisou que a oposição acompanhará cada etapa da negociação: “Não aceitaremos que a fatura seja paga pelo povo. É preciso cortar privilégios e buscar eficiência, não recorrer a crédito fácil”.
Próximos passos exigem aval das instituições
Para avançar, o governo precisa obter a aprovação formal dos bancos envolvidos, alinhar garantias com o Tesouro e desenhar um cronograma de desembolsos atrelado a metas de redução de despesas. Internamente, os Correios preveem um programa de desligamento voluntário e a reestruturação de dívidas com fornecedores.
O Ministério da Fazenda avalia que o socorro é necessário para evitar a quebra da empresa e preservar cerca de 89 mil empregos. No entanto, parlamentares contrários ao plano defendem a abertura de investigação no Congresso para apurar responsabilidades e propor alternativas menos onerosas para o erário, como concessão de serviços não essenciais ou venda de ativos.

Imagem: Marcelo Camargo
Mesmo entre algumas alas governistas, cresce a preocupação de que a operação pressuponha flexibilização adicional da regra fiscal para 2025 e 2026. O Tribunal de Contas da União já vem alertando para a necessidade de rever o arcabouço se novos gastos forem contratados sem compensações.
Oposição pressiona por contrapartidas claras
A bancada conservadora planeja apresentar requerimentos para que representantes dos Correios, Ministério da Fazenda e Casa Civil prestem esclarecimentos em audiência pública. Entre os pontos a serem detalhados estão: projeções de caixa após a entrada dos recursos, metas de eficiência, cronograma de cortes de custos e impacto projetado na dívida bruta do governo.
Para os críticos, o histórico de déficits sucessivos indica que o problema é estrutural e não se resolve apenas com injeção de capital. Eles defendem a revisão do modelo de negócios, modernização da logística e adoção de indicadores de desempenho semelhantes aos usados na iniciativa privada.
Em meio à controvérsia, a sociedade aguarda definições. Caso o empréstimo seja aprovado sem condicionantes robustas, o montante de R$ 20 bilhões será incorporado à dívida pública e passará a disputar recursos com áreas como saúde, segurança e infraestrutura.
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Resumo: o governo negocia socorro bilionário aos Correios, enquanto a oposição cobra transparência, corte de gastos e respeito ao ajuste fiscal. Continue acompanhando nossas atualizações e participe do debate nos comentários.
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