Budapeste, 29 jun. 2024 — O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, lançou neste sábado uma campanha nacional de recolha de assinaturas para se opor ao que denomina “planos de guerra de Bruxelas”. A iniciativa, anunciada nas redes sociais, coloca o líder húngaro em rota de colisão direta com a União Europeia ao acusar os dirigentes do bloco de acelerar esforços bélicos contra a Rússia.
Objetivo da mobilização popular
Segundo Orbán, a coleta ocorrerá “em todas as cidades e aldeias”, buscando o apoio de cidadãos “amantes da paz”. O governante afirma que a União Europeia definiu, na última cúpula em Copenhague, um projeto que levaria o continente a um confronto militar com Moscou, canalizando “todo o dinheiro e recursos” para a Ucrânia. Para o premiê, a mobilização popular é necessária para impedir que essa estratégia avance sem contestação.
Embora ainda não esteja claro como o governo pretende utilizar as assinaturas, Orbán deixou claro no lançamento da campanha, realizado no mercado do bairro Pesterzsébet, em Budapeste, que “não mandaremos soldados nem dinheiro para esta guerra”.
Distanciamento em relação a Kiev e à OTAN
Desde o início da ofensiva russa contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Hungria tem sido o Estado-membro da UE mais reticente ao fornecimento de ajuda militar a Kiev. Orbán também se manifesta contra a entrada da Ucrânia tanto na União Europeia quanto na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), alegando que a adesão garantiria ao país vizinho recursos financeiros que, na sua visão, deveriam ser destinados a Budapeste.
A posição húngara contrasta com a linha adotada pela maioria dos parceiros europeus, que aprovou sucessivos pacotes de assistência militar e econômica para as forças ucranianas nos últimos dois anos. O primeiro-ministro insiste, porém, que o papel de seu país deve ser o de mediador em defesa da paz e da soberania nacional, rejeitando pressões para alinhar-se a um esforço de guerra.
Confronto interno com a oposição
Na arena doméstica, Orbán apontou a oposição húngara — em especial o conservador Péter Magyar, seu principal rival — como apoiadora do suposto plano belicista de Bruxelas. Magyar lidera o partido Tisza, que, segundo pesquisa do Instituto Republikon, detém 43% das intenções de voto, superando os 35% do Fidesz, legenda do atual premiê.


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A próxima eleição parlamentar na Hungria está prevista para a primavera de 2026, mas a disputa já se intensifica. Orbán prevê “um outono quente”, sinalizando que o debate sobre o papel do país no conflito Rússia-Ucrânia será tema central da pré-campanha. Ao vincular a oposição ao que chama de “agenda de guerra” da União Europeia, o governante tenta reforçar sua imagem como último bastião da paz no bloco.
Europa dividida sobre ajuda a Kiev
O movimento de Orbán ocorre em um momento em que a coesão europeia em torno do apoio à Ucrânia passa por tensão. Enquanto grandes economias, como Alemanha e França, prometem maior envio de equipamento militar para Kiev, outras capitais expressam preocupação com custos financeiros e riscos de escalada. A Hungria, sob liderança de Orbán, transforma essa cautela em elemento central de sua política externa, reforçando laços pragmáticos com Moscou.

Imagem: Internet
A Comissão Europeia ainda não comentou oficialmente a campanha de assinaturas. No entanto, diplomatas em Bruxelas apontam que qualquer iniciativa que dificulte o consenso sobre ajuda à Ucrânia pode levar a impasse nas futuras decisões do Conselho Europeu, onde é exigida unanimidade em diversos assuntos de política externa.
Próximos passos
Não há detalhes sobre o prazo para concluir a coleta de assinaturas nem sobre a quantidade mínima almejada. Também permanece incerto se o governo pretende transformar o resultado em plebiscito, proposta legislativa ou instrumento de pressão política dentro da UE. Para já, a movimentação serve como termômetro da popularidade de Orbán diante de uma oposição fortalecida.
Analistas em Budapeste observam que, embora a campanha reforce a narrativa de soberania húngara, a estratégia carrega o risco de isolar ainda mais o país dentro do bloco. Ainda assim, o primeiro-ministro aposta que o eleitorado valorizará a firmeza de sua posição e o compromisso declarado em manter a Hungria fora de qualquer envolvimento direto no conflito.
Com a colheita de assinaturas já em andamento e a retórica de confrontação contra Bruxelas em alta, a Hungria caminha para meses de intensa disputa política. A forma como Orbán conduzirá a agenda até 2026 e a resposta da UE a suas ações definirão o grau de integração — ou distanciamento — de Budapeste em relação ao projeto europeu.
Para seguir de perto os desdobramentos da política externa húngara e seus impactos na União Europeia, acompanhe a cobertura completa na seção de Política do nosso portal.
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