O Vaticano apresentou, na quinta-feira (9), a exortação apostólica Dilexit te. O documento, assinado por Leão XIV, despertou debates sobre uma possível reabilitação da Teologia da Libertação – corrente marcada por leituras marxistas do Evangelho. Na coletiva de lançamento, o cardeal jesuíta Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, negou qualquer alinhamento ideológico e destacou que a libertação citada pelo pontífice é “perfeitamente teológica, não política”.
Coletiva esclarece posição oficial
Questionado pela repórter Nicole Winfield, da Associated Press, Czerny lembrou o documento Libertatis nuntius (1984), emitido pela Congregação para a Doutrina da Fé e crítico à Teologia da Libertação. Segundo o cardeal, Dilexit te mantém essa linha: reconhece abusos passados, mas reafirma a necessidade de colocar Cristo no centro da ação social. “Seguimos aprendendo. Se a cultura muda, mudamos o vocabulário, não a doutrina”, afirmou.
Ao enfatizar que a Igreja “incultura” termos como “libertação” e “solidariedade”, Czerny rejeitou a tese de que Leão XIV estaria “abraçando” antigas correntes revolucionárias. O cardeal citou ainda o uso da palavra “solidariedade”, antes tratada como rótulo esquerdista e hoje incorporada ao magistério sem perder o conteúdo cristão.
Reações fora e dentro da América Latina
Alguns comentaristas de língua inglesa reagiram com desconfiança. O britânico Gavin Ashenden, em seu Substack New English Catholic, avaliou que Dilexit te “deixa a política triunfar sobre a metafísica” ao denunciar a “ditadura da economia que mata”. Ashenden teme uma “quedinha pela reestruturação econômica marxista”, apesar de reconhecer posições morais ortodoxas do pontífice em temas como família e sexualidade.
Entre teólogos latino-americanos, contudo, a leitura é diferente. Frei Clodovis Boff, estudioso crítico da Teologia da Libertação, apontou como novidade do texto a legitimação teológica — e não ideológica — da opção preferencial pelos pobres. Para o frade, a exortação recorda que “amar o pobre” exige primeiro “amar o Cristo pobre”, prevenindo desvios políticos. O padre Leandro Rasera, organizador das obras de Clodovis, observou que Leão XIV bebe do magistério latino-americano (Medellín, Puebla, Santo Domingo), documentos aprovados previamente por Roma, algo pouco conhecido em círculos europeus.
Nas redes sociais, o padre José Eduardo celebrou que a exortação devolve a opção pelos pobres ao “berço cristológico”, retirando-a das mãos dos “comissários” ideológicos. Nenhum dos influenciadores católicos conservadores mais atuantes na região classificou o texto como concessão ao marxismo.


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“Libertômetro” em conflito
A diferença de percepção gerou a metáfora do “libertômetro” desregulado. Para críticos de fora da América Latina, qualquer menção a conferências do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) ou expressões como “opção preferencial” acende o alarme. Já para católicos habituados ao discurso social na região, essas referências são parte do vocabulário eclesial legítimo. O debate revela mais sobre a sensibilidade de cada público do que sobre o conteúdo real do documento.
Foco espiritual e crítica a soluções meramente estruturais
Dilexit te retoma a afirmação de Francisco na Evangelii gaudium: “A pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual”. Leão XIV condena a ideia de concentrar a pastoral exclusivamente nas elites para “soluções mais eficazes” e recorda que a transformação social depende de conversão pessoal. O texto não propõe reordenamento econômico de viés socialista; antes, esclarece que “o anúncio e a experiência cristã provocam consequências sociais” a partir do reinado de Cristo nos corações.

Imagem: Giuseppe Lami
Por que o texto importa
A exortação evidencia duas prioridades do pontificado de Leão XIV: defesa intransigente da doutrina moral católica e atenção constante aos pobres, sem concessões ao marxismo cultural. Ao reafirmar a legitimidade teológica — e não política — da opção preferencial, o papa corrige décadas de confusão fomentada por setores que instrumentalizaram a miséria para objetivos revolucionários.
Leão XIV, portanto, oferece ferramenta útil para crentes e leigos que desejam servir aos necessitados sem diluir o conteúdo sobrenatural da fé. Quem ainda não leu o documento tem oportunidade de verificar por si mesmo que a Igreja pode — e deve — combater a pobreza sem aderir a propostas coletivistas.
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Em resumo, Dilexit te reafirma a centralidade de Cristo e preserva a ortodoxia enquanto conclama todos os fiéis a um compromisso efetivo com os mais vulneráveis. Leia, reflita e compartilhe a mensagem: é possível promover justiça social sem flertar com soluções ideológicas.
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