Metodologia do levantamento
A pesquisa que sacudiu Brasília foi realizada entre 4 e 7 de março de 2024 por um instituto com histórico de precisão em pleitos recentes. Foram conduzidas 2 100 entrevistas presenciais em 158 municípios, com margem de erro de 2,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O questionário central perguntava se o entrevistado acreditava mais na versão de Bolsonaro ou na de Moraes sobre a possibilidade de prisão. Outras questões mapeavam perfil ideológico, renda e nível de escolaridade, permitindo cruzamentos estatísticos ricos.
O resultado mostrou 54% de confiança nas declarações do ex-presidente, 32% no ministro do STF e 14% de indecisos. Esse desequilíbrio acendeu alertas em Brasília, pois contraria a narrativa dominante em parte da grande imprensa. Analistas interpretam que a disparidade reforça a percepção de que há um “fator STF” que gera desconfiança popular quando envolve figuras políticas de peso.
Dado crucial: Entre eleitores que votaram nulo ou branco em 2022, 47% disseram acreditar mais em Bolsonaro do que em Moraes, mostrando que a desconfiança não é exclusiva da base bolsonarista.
No entanto, é preciso ponderar que opinião pública é volátil. Escândalos, vazamentos de delações ou decisões judiciais impactantes podem alterar o cenário rapidamente. De todo modo, o dado atual coloca o Supremo em posição delicada: controlar processos é possível, mas persuadir o cidadão comum é outro desafio.
2. O que Bolsonaro declarou sobre sua possível prisão
Principais trechos do ex-presidente
No vídeo analisado por Dallagnol, Bolsonaro afirma: “Não há crime nem indício para me prenderem; querem calar uma voz que representa milhões”. Ele alega que todos os atos investigados já foram arquivados ou são sustentados em recortes de falas fora de contexto. O ex-chefe do Executivo reforça que jamais recebeu orientação ou convite para golpe de Estado e que, se fosse “candidato a ditador”, teria usado o poder enquanto presidente, e não agora como cidadão comum.


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Bolsonaro também utiliza o argumento da seletividade. Ele cita casos em que políticos da esquerda foram citados em delações e permaneceram soltos: “Qual é o critério de Moraes? Se é proteger a democracia, por que uns são blindados?”. Por fim, convoca a população a se manter vigilante, mas de forma pacífica, contra o que classificou de “abuso de autoridade”.
“A prisão preventiva é exceção. Quando se torna regra para silenciar opositores, deixa de ser Justiça e passa a ser instrumento de poder.” — Diogo Rais, professor de Direito Constitucional (Mackenzie)
Essas declarações, replicadas em redes sociais, alcançaram milhões de visualizações, ampliando o efeito da pesquisa: uma mensagem simples, fácil de entender e recheada de comparações que sugerem tratamento desigual.
3. A resposta de Alexandre de Moraes e os fundamentos jurídicos
Como o ministro justifica eventual prisão
Moraes sustenta que há indícios de articulação para abalar as instituições, baseando-se em mensagens trocadas entre assessores de Bolsonaro, suspeitas de financiamento a atos antidemocráticos e relatórios da PF sobre tentativa de invasão de sistemas eleitorais. Para o ministro, a prisão preventiva seria legítima se existirem: 1) risco concreto de reiteração criminosa, 2) possibilidade de destruição de provas e 3) ameaça à ordem pública.
No entanto, críticos argumentam que todos esses requisitos já poderiam ter sido aferidos antes do fim do mandato, quando Bolsonaro ainda detinha foro. A demora em agir seria incoerente com a alegação de urgência. Moraes rebate dizendo que novas provas surgiram após as operações da PF em 2023 e que a investigação sigilosa justifica a passagem de tempo.
- Grampo telefônico envolvendo ex-assessor é apontado como “prova nova”
- Relatório do COAF sobre transferência bancária a influenciadores bolsonaristas
- Prints de WhatsApp com menções a “ruptura” institucional
- Depoimentos sigilosos de militares da reserva
- Indícios de financiamento internacional
Apesar desses elementos, a percepção pública refletida na pesquisa indica que a narrativa de Moraes não convenceu – pelo menos até agora. Decisões futuras do plenário do STF ou vazamentos de peças do inquérito podem mudar esse cenário.
Importante: caso o plenário confirme a tese de Moraes, a prisão não dependerá de trânsito em julgado; bastará a maioria dos 11 ministros validar a preventiva.
4. Leitura dos números: opinião pública contra a maré
Segmentação dos resultados
Analisando o crosstab divulgado, percebe-se um padrão consistente: somente entre eleitores de Lula a confiança em Moraes supera a de Bolsonaro. Nos demais recortes, o ex-presidente leva vantagem. A tabela a seguir resume os principais segmentos:
| Cenário | Acredita em Bolsonaro | Acredita em Moraes |
|---|---|---|
| Eleitores Bolsonaro 2022 | 92% | 3% |
| Eleitores Lula 2022 | 15% | 71% |
| Nulos/Brancos 2022 | 47% | 28% |
| Renda até 2 SM | 51% | 34% |
| Renda acima de 10 SM | 58% | 30% |
| Região Nordeste | 42% | 44% |
| Região Sul | 62% | 25% |
Do ponto de vista estatístico, chama atenção a convergência entre renda, escolaridade e preferência por Bolsonaro. Isso refuta a tese de que apenas populações menos educadas duvidam do STF. Mais grave para a Corte: 39% dos entrevistados afirmaram “não confiar em nenhuma decisão vinda do tribunal” quando envolve políticos. Esse índice desafia a legitimidade institucional e sugere um déficit de comunicação.
Para analistas, o dado funciona como termômetro de governabilidade. Quando parte substantiva da sociedade enxerga motivação política em decisões judiciais, cresce o risco de desobediência civil e radicalização. Logo, a Corte terá de calibrar linguagem e timing de suas decisões para não aprofundar o fosso.
5. Implicações políticas e jurídicas
Efeitos de curto e médio prazos
Do ponto de vista político, a pesquisa fortalece a estratégia de Bolsonaro de se vitimizar. Se encarcerado, a probabilidade é que a narrativa de “mártir” ganhe potência, mobilizando manifestações e criando custos reputacionais ao STF. No Congresso, parlamentares do Centrão, sensíveis ao humor popular, podem pressionar por CPIs sob o argumento de “excesso de poder”. Já na seara jurídica, cresce a chance de pedidos de suspeição ou de revisão de competência em tribunais superiores e cortes internacionais.
- Potencial convocação de protestos nacionais
- Movimentação do Centrão para limitar poderes de ministros via PEC
- Discussões sobre mandato e número de membros do STF
- Ações no TCU e CGU questionando gastos das investigações
- Denúncias em órgãos como a OEA por violação de direitos políticos
- Agravamento da polarização digital e risco de fake news
- Aumento de pedidos de habeas corpus preventivos para aliados
Uma consequência menos debatida é o impacto econômico. Incerteza institucional costuma afugentar investimento externo. Se a disputa se intensificar, agências de rating podem rever projeções. Empresas com grande exposição ao Brasil já monitoram o contencioso, temendo greves ou bloqueios em caso de convulsão social.
6. Estratégias de comunicação para atores envolvidos
Boas práticas para reduzir danos
Especialistas em gestão de crise recomendam uma abordagem multicanal para conter distorções e evitar a escalada do conflito. Abaixo, apresentamos sete ações necessárias:
- Transparência seletiva: divulgar trechos não sigilosos do inquérito para reduzir especulação.
- Linguagem acessível: substituir juridiquês por mensagens curtas e claras.
- Porta-vozes treinados: escolher figuras de credibilidade reconhecida pelo público médio.
- Monitoramento de redes: identificar trending topics e intervir com fatos documentados.
- Parcerias com imprensa regional: atingir audiências fora dos grandes centros.
- Engajamento preventivo: campanhas educativas sobre separação de poderes.
- Feedback contínuo: avaliar impacto de cada pronunciamento por meio de pesquisa de tracking.
Para Bolsonaro, a prioridade é manter o discurso coerente e evitar contradições que possam ser usadas como prova de má-fé. Já o STF, se quiser reconquistar confiança, precisa sair do isolamento tecnocrático e adotar uma postura mais dialógica. Tanto a legitimidade quanto a eficácia das decisões dependem do reconhecimento social.
- Tempo de resposta rápido diminui espaço para boatos.
- Imagens e infográficos têm maior poder pedagógico que textos longos.
- Contato com influenciadores de nicho ajuda a segmentar a mensagem.
- Cuidado com ironias; podem ser lidas como arrogância.
- Colaboração com academia fortalece a percepção de neutralidade.
Cases internacionais mostram que cortes supremas, quando submetidas a crise reputacional, investem pesado em comunicação. A Suprema Corte dos EUA, por exemplo, publica resumos em linguagem simples de suas decisões mais complexas, prática que o STF poderia replicar.
Tendência: institutos de pesquisa já programam novos levantamentos mensais sobre confiança no Judiciário, indicando que o tema permanecerá no radar até as eleições de 2026.
7. Perguntas frequentes (FAQ)
A seguir, esclarecemos dúvidas recorrentes sobre o embate entre Bolsonaro e Moraes:
1. A pesquisa tem validade científica?
Sim. A amostra probabilística, a estratificação regional e a margem de erro de 2,1 p.p. conferem robustez estatística.
2. Por que o STF pode decretar prisão preventiva antes de condenação?
O Código de Processo Penal permite prisão preventiva para garantir ordem pública ou impedir destruição de provas, desde que haja indícios razoáveis de autoria e materialidade.
3. Qual seria o rito após eventual ordem de prisão?
A PF executa o mandado, a defesa impetra habeas corpus no STF e o plenário revisa a decisão do relator.
4. Há precedentes de prisão de ex-presidentes?
Sim. Michel Temer e Lula foram presos preventivamente, embora em contextos processuais diferentes.
5. A pesquisa pode influenciar a decisão de Moraes?
Em tese, não. Juízes devem julgar com base em provas, mas, na prática, repercussão social sempre exerce algum peso político.
6. Como a comunidade internacional vê o caso?
Organismos como Human Rights Watch monitoram a situação e podem emitir relatórios se detectarem arbitrariedades ou violação de direitos civis.
7. É possível recorrer a cortes internacionais?
Sim. Após esgotar instâncias internas, a defesa pode recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
8. O Congresso pode limitar poderes do STF?
Pode propor PECs, mas qualquer mudança exige 3/5 dos votos em dois turnos na Câmara e no Senado, além de não ferir cláusulas pétreas.
Conclusão
Como vimos, a disputa em torno da prisão de Bolsonaro vai além dos autos: é batalha de narrativas, legitimidade e poder. A pesquisa mostra:
- Maioria da população confia mais no ex-presidente do que em Moraes;
- STF enfrenta déficit de comunicação e risco de erosão de autoridade;
- Cenário político pode se radicalizar caso haja encarceramento;
- Estratégias de transparência e diálogo são urgentes para ambos os lados.
Os próximos meses dirão se a Corte conseguirá reconquistar corações e mentes ou se a percepção de abuso consolidará um novo capítulo de crise institucional. Enquanto isso, cabe ao cidadão manter-se informado, verificar fontes e defender o devido processo legal. Para acompanhar análises detalhadas, inscreva-se no canal Deltan Dallagnol no YouTube e participe do debate.
Artigo baseado no vídeo “Pesquisa traz péssima notícia para Moraes sobre prisão de Bolsonaro!” do canal Deltan Dallagnol.


