A Petrobras confirmou que fornecerá diesel S10 para abastecer geradores de energia e ônibus que atenderão à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para Belém, em 2025. O combustível, coprocessado com apenas 10% de matéria-prima renovável, provocou reação negativa de entidades do setor de biocombustíveis e de parlamentares que integram a Frente Parlamentar Mista do Biodiesel.
Entidades questionam teor renovável do combustível
Conforme dados divulgados pela própria Petrobras, o diesel que chegará à capital paraense contém 90% de origem fóssil e 10% de conteúdo vegetal. A estatal afirma que a proporção supera o nível de mistura disponível nas bombas convencionais e representa um avanço diante do diesel mineral puro. No entanto, associações que representam produtores de biodiesel discordam da avaliação.
O vice-presidente do Grupo Potencial e integrante da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) destacou que um combustível só deve ser rotulado como biocombustível quando sua composição é 100% vegetal. Segundo ele, a proporção adotada pela Petrobras não altera o caráter fóssil do produto. Para essas organizações, a oferta do diesel S10 na COP30 configura uma incoerência, já que o encontro da ONU tem como foco o combate às emissões de carbono.
No Brasil, a legislação determina que o diesel comercializado contenha atualmente 15% de biodiesel (B15). Apesar disso, a Petrobras enfatiza que o coprocessamento empregado no S10 garante menor teor de enxofre e melhorias na qualidade das emissões, ainda que o percentual renovável seja menor do que o exigido na mistura obrigatória.
Frente Parlamentar do Biodiesel critica iniciativa
A reação mais dura veio da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel, presidida pelo deputado Alceu Moreira (MDB-RS). Em nota, o grupo classificou o envio do combustível como um exemplo de greenwashing e cobrou da estatal um compromisso mais amplo com fontes renováveis. O parlamentar declarou que a escolha pode expor o Brasil a críticas internacionais durante o encontro climático.
Ele argumenta que o país responde por cerca de 25% da produção mundial de biocombustíveis e, portanto, deveria aproveitar a vitrine da COP30 para exibir soluções inteiramente verdes. Ao fornecer diesel S10, na visão da Frente, a Petrobras deixaria de valorizar a cadeia de biodiesel nacional e enfraqueceria a imagem brasileira de liderança no tema.


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Posicionamento da Petrobras
Em comunicado, a petroleira reconheceu o conteúdo fóssil predominante, mas reforçou que o aplicativo de tecnologia de coprocessamento evidencia seus esforços em busca de produtos com menor pegada de carbono. A empresa sustenta que a conferência em Belém será uma oportunidade para apresentar inovações e discutir transição energética de forma pragmática.
A nota da companhia ressalta ainda que o uso de combustíveis com teor renovável reduz emissões de material particulado e enxofre, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar em comparação ao diesel tradicional. Sobre as críticas de greenwashing, a Petrobras não respondeu diretamente, limitando-se a afirmar que segue padrões internacionais de sustentabilidade e que investe em pesquisas para ampliar a oferta de biocombustíveis avançados.
Impactos para a COP30 em Belém
Até o momento, a organização da COP30 não se manifestou sobre o fornecimento do diesel S10 nem sobre as queixas levantadas pelo setor de biodiesel. A previsão é de que o evento reúna delegações de quase 200 países entre outubro e novembro de 2025, com forte atenção da opinião pública a temas como metas de descarbonização, mercado de créditos de carbono e financiamento climático.

Imagem: Ricardo Frosini
Belém deverá abrigar múltiplas zonas de segurança, pavilhões de exposição e centros de mídia, todos dependentes de fornecimento estável de energia. Segundo especialistas consultados pelo mercado, o diesel S10 tende a abastecer geradores de contingência, ônibus de transporte interno e embarcações de apoio na Baía do Guajará. O volume estimado não foi divulgado.
Integrantes da indústria de biocombustíveis defendem que a demanda seja suprida com biodiesel puro ou, no mínimo, com teores acima de 20%, argumento que, para eles, reforçaria a coerência da conferência. Já representantes da Petrobras afirmam que o diesel S10 se encontra amplamente disponível, tem logística simplificada e oferece maior estabilidade de suprimento.
Próximos passos
Sem uma decisão oficial da presidência da COP30, o assunto permanece em debate. A Frente Parlamentar do Biodiesel sinalizou que pretende encaminhar ofícios ao Itamaraty, ao Ministério de Minas e Energia e à própria Organização das Nações Unidas solicitando a revisão do acordo de fornecimento. Enquanto isso, a Petrobras mantém o cronograma de entrega do combustível e reforça que continuará dialogando com autoridades locais.
Com pouco menos de dois anos para o início da COP30, o caso ilustra os desafios práticos da transição energética e expõe divergências internas sobre quais tecnologias devem ser priorizadas. Resta saber se a pressão política e empresarial resultará em mudanças de última hora ou se o diesel S10 permanecerá como a principal solução logística para o evento ambiental.
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Em resumo, a Petrobras optou por enviar diesel S10 com 10% de conteúdo renovável para a COP30, gerando contestação de produtores de biodiesel e de parlamentares. O debate segue aberto, e novas definições podem surgir à medida que o cronograma do encontro avança. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe este conteúdo para manter mais leitores informados.
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