Brasília — A Polícia Federal solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a abertura de um novo inquérito para apurar se o ex-assessor internacional da Presidência, Filipe G. Martins, teria simulado um registro de entrada nos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022. A PF reconhece a existência de inconsistências nos dados migratórios norte-americanos, utilizados como base para o decreto de prisão preventiva expedido em fevereiro de 2024.
Origem da suspeita
Quando determinou a prisão, Moraes citou registros do governo dos EUA que apontavam a presença de Martins na comitiva presidencial de Jair Bolsonaro, dias antes da posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Para o magistrado, o suposto deslocamento indicava risco de fuga. O ex-assessor sempre negou ter saído do Brasil naquele período.
Na semana passada, autoridades migratórias norte-americanas revisaram os arquivos e concluíram que a entrada não se concretizou. Diante da contradição, Moraes cobrou explicações. Em resposta, a PF alega agora que o registro pode ter sido forjado para “descredibilizar as provas” reunidas pelo Supremo.
Motivação para novo procedimento
O relatório entregue por Andrei Shor, delegado responsável pela investigação que indiciou Bolsonaro e mais 36 pessoas, afirma que integrantes de uma suposta organização teriam usado “prerrogativas diplomáticas” de comitivas oficiais para inserir dados fictícios no sistema migratório norte-americano — prática que, segundo ele, seguiria o modelo de “milícias digitais”. A PF deseja compartilhar provas já reunidas e ampliar a coleta de informações para verificar eventuais crimes de falsidade ideológica e obstrução de Justiça.
Defesa reage e aponta abusos
Em nota, a defesa de Filipe Martins classificou o pedido da PF como tentativa de “criminalizar a advocacia, a imprensa e a cidadania”. Os advogados acusam Shor de agir com má-fé, alegando que o delegado requereu a prisão sem diligências básicas que teriam comprovado a permanência do cliente em território nacional. O documento apresenta seis medidas:
- Retirada de trechos do inquérito que mencionam advogados e jornalistas.
- Abertura de procedimento disciplinar contra o delegado.
- Produção de provas supostamente suprimidas.
- Representação ao Tribunal de Contas da União por uso indevido de recursos.
- Comunicação à Controladoria-Geral da União e ao Ministério Público Federal.
- Representação na Ordem dos Advogados do Brasil por intimidação à classe.
Críticas públicas à investigação
Parlamentares e comentaristas reforçaram as críticas à atuação da PF. Para o ex-procurador Deltan Dallagnol, a corporação “inverte a narrativa” ao atribuir a Martins a inserção de dados falsos. Já a ex-atleta Ana Paula Henkel acusou a apuração de visar “advogados, jornalistas e parlamentares que ousaram discordar” da prisão.


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Imagem: Internet
Próximos passos
Caberá a Moraes decidir se autoriza o novo procedimento. Caso aceite, a investigação será anexada ao inquérito que apura a suposta tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente e aliados. A PF não apresentou prazo para novas diligências.
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Em resumo, a Polícia Federal admite falha nos dados utilizados para prender Filipe Martins e busca apurar se houve simulação deliberada da entrada nos EUA. A defesa rebate, acusa abuso de autoridade e leva o embate para instâncias de controle e classe. Acompanhe os desdobramentos e compartilhe esta reportagem com quem precisa manter-se informado.
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