Quem investiga: a Polícia Federal deflagrou a Operação Rejeito. O que descobriu: fraude em licenças ambientais e minerais que poderiam gerar até R$ 18 bilhões a um grupo formado por empresários, dirigentes públicos e políticos. Onde: Minas Gerais, com ramificações em autarquias federais. Quando: a operação foi executada em 24 de abril. Como: pagamento de propina, influência política e uso de cargos estratégicos em órgãos estaduais e federais. Por quê: liberar exploração em áreas com restrição ambiental.
Pressão sobre o Palácio Tiradentes
O governador Romeu Zema (Novo) levou mais de 24 horas para comentar a ação da PF e, desde então, enfrenta pedidos de instalação de CPI na Assembleia Legislativa de Minas (ALMG). Partidos de oposição afirmam já ter 26 assinaturas — número mínimo exigido — para abrir a comissão. Eles acusam a gestão estadual de omissão e citam decretos considerados permissivos, além de mudanças administrativas que, segundo esses deputados, enfraqueceram a fiscalização ambiental.
Embora nenhum secretário de Estado esteja entre os detidos, o segundo escalão foi atingido. Fernando Baliani, diretor regional da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), foi preso. Demitido em julho por “descumprimentos graves”, ele voltou ao cargo em agosto por decisão da Controladoria-Geral do Estado. Também foi alvo o ex-presidente da Feam, Rodrigo Gonçalves Franco, exonerado quatro dias antes da operação após denúncia formal enviada à própria Controladoria.
O vice-governador Mateus Simões (Novo) informou que sete servidores foram exonerados após as prisões. Zema, por sua vez, declarou que a Controladoria já monitorava suspeitas e pediu “punições exemplares”.
Cobrança de CPI em Brasília
No Congresso, a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) articula comissão semelhante para apurar a participação de órgãos federais, em especial a Agência Nacional de Mineração (ANM). A iniciativa expande a investigação para além das fronteiras mineiras e expõe nomes ligados ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG).
Dois dos presos — o diretor da ANM, Caio Trivelatto, e Rodrigo Teixeira, ex-Polícia Federal e funcionário do Serviço Geológico Brasileiro — foram indicados por Silveira. O ministro disse ter ficado “surpreso” e defendeu o afastamento imediato de ambos, frisando que “instituições têm prioridade sobre pessoas”.


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Envolvimento de nomes nacionais
Entre os investigados, figura Felipe Lombardi Martins, ex-assessor do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A PF aponta Lombardi como operador financeiro da quadrilha, apelidado de “homem da mala”. O senador reconhece a contratação de Lombardi entre 2019 e 2021, mas nega conhecimento de atividades posteriores.
Merece atenção ainda o geógrafo Gilberto Horta de Carvalho, que tentou presidir o Crea-MG em 2023 com apoio público do ex-presidente Jair Bolsonaro e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A PF descreve Carvalho como articulador político do esquema. Conversas coletadas no inquérito mostram troca de informações com João Alberto Lages, ex-deputado estadual apontado como um dos líderes do grupo.
Dessa colaboração teria surgido uma denúncia eleitoral de Nikolas contra Duda Salabert, rival do grupo por suas posições contra a mineração na Serra do Curral. O parlamentar mineiro afirma que sua representação foi baseada em reportagens já publicadas.
Impacto na sucessão mineira
A investigação ocorre no momento em que Romeu Zema trabalha para se projetar nacionalmente como nome da direita na eleição presidencial de 2026. Qualquer desgaste pode comprometer o discurso liberal de eficiência e governança adotado pelo Novo. Ao mesmo tempo, a operação coloca em xeque outras candidaturas que se movimentam para a sucessão estadual, inclusive a de Pacheco, cotado a disputar o Palácio Tiradentes com apoio de setores próximos ao governo federal.

Imagem: Internet
Na ALMG, aliados de Zema sustentam que somente a PF deve conduzir o caso, sem “palco político”. A oposição rebate lembrando que, em Brasília, deputados governistas também pedem investigação, o que, segundo eles, demonstraria “falta de blindagem” ao Planalto.
Riscos ambientais e econômicos
A força-tarefa indica que licenças foram liberadas para áreas protegidas, colocando em risco encostas e reservas hídricas. A estimativa de lucro de R$ 18 bilhões revela o tamanho do mercado ilegal. Parlamentares lembram que, após os rompimentos de barragens em Mariana (2015) e Brumadinho (2019), Minas aprovou a Lei Mar de Lama Nunca Mais, mas o caso atual evidencia fragilidades de execução e fiscalização.
Para investidores, a insegurança regulatória pode afetar o setor mineral, um dos pilares da economia mineira. Já para a gestão pública, o desafio imediato é mostrar transparência a fim de evitar fuga de capitais e perda de arrecadação.
Ao mesmo tempo, a exposição de nomes ligados a diferentes espectros políticos reforça a necessidade de responsabilização individual, em vez de generalizações sobre partidos ou ideologias.
Se confirmar a instalação de CPIs na ALMG e na Câmara dos Deputados, o caso ganhará calendário próprio, com repercussão que pode atravessar o ano eleitoral e influenciar alianças locais e nacionais.
Para acompanhar o andamento das investigações e os desdobramentos na Assembleia mineira, o leitor pode consultar a cobertura completa em Política.
Em síntese, a Operação Rejeito expõe um esquema que mistura interesses públicos e privados, ameaça o meio ambiente e coloca em xeque a governança em Minas. Fique atento às atualizações e compartilhe este conteúdo para manter mais pessoas informadas.
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