Brasília, 15 de agosto de 2025 – A expansão relâmpago do Pix, sistema instantâneo criado pelo Banco Central, abriu espaço para um aumento expressivo de fraudes virtuais. Quadrilhas exploram a agilidade da ferramenta para enganar usuários desatentos, esvaziar contas em segundos e dificultar o rastreamento dos valores. Ao todo, 47 milhões de chaves de 11 milhões de brasileiros já vazaram, segundo dados oficiais.
Especialistas em segurança alertam que a rapidez, diferencial do Pix, também se tornou a principal vulnerabilidade. Golpistas recorrem a engenharia social avançada, QR Codes adulterados e aplicativos de acesso remoto para assumir o controle de celulares e computadores, forçando transferências imediatas. O gerente de segurança da informação do Paraná Banco, Sidnei Fernando, observa que “a transação cai na hora, enquanto a análise de fraude leva minutos; nesse intervalo, o criminoso dispersa o dinheiro para várias contas, tornando a recuperação quase impossível”.
Principais artimanhas usadas pelos golpistas
Ligação falsa do banco – O estelionatário entra em contato fingindo ser funcionário da instituição financeira. Alega compra suspeita no cartão e pressiona a vítima a “confirmar dados” ou “autorizar cancelamento” imediatamente. O objetivo é quebrar a resistência emocional e obter credenciais de acesso.
“Mão fantasma” – Em seguida à ligação, o criminoso convence o usuário a instalar um aplicativo de suporte remoto. Assim que o software é ativado, o golpista vê a tela em tempo real, navega no app bancário e realiza transferências sem levantar suspeitas visuais. Bancos legítimos jamais solicitam instalação desse tipo de programa.
QR Code e links maliciosos – Códigos de pagamento em lojas físicas ou sites podem ser substituídos por versões fraudulentas. Ao escanear ou clicar, o cliente envia recursos diretamente a contas controladas pela quadrilha ou permite a infecção do aparelho. A orientação é checar o destinatário no momento da transferência e evitar links desconhecidos.
Golpe direcionado a idosos – Pessoas com pouca familiaridade digital figuram entre os alvos preferenciais. Por desconhecerem procedimentos de segurança, cedem senhas ou instalam aplicativos suspeitos. O agressor utiliza “terror emocional” para bloquear qualquer reação racional.


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Como reagir e evitar perdas financeiras
Acione a instituição imediatamente – O Banco Central implementou o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que permite bloquear temporariamente o valor recebido pelo golpista. Contudo, o tempo é curto: se a vítima demora a avisar, o dinheiro já foi pulverizado em múltiplas contas.
Registre boletim de ocorrência – Além do banco, procure delegacias especializadas em crimes cibernéticos, como o Nuciber (Núcleo de Combate aos Cibercrimes) da Polícia Civil. O registro formal facilita investigações e eventuais ressarcimentos.
Monitoramento de dados vazados – Com milhões de chaves expostas, verificar se informações pessoais circulam na internet reduz o risco de abordagens direcionadas. Ferramentas de checagem de CPF e e-mail ajudam a detectar vazamentos.
Confirme cada detalhe antes de transferir – Compare nome, CPF ou CNPJ do recebedor com o serviço contratado. Se um hotel solicita pagamento para “João da Silva”, desconfie. Empresas idôneas exibem razão social compatível e canais oficiais de atendimento.
Recuse instalação de softwares – Nenhum banco legítimo pede acesso remoto nem envio de códigos por telefone. Caso receba tal solicitação, encerre a chamada e contacte o número oficial divulgado no site da instituição.

Mantenha postura preventiva – Promoções com preços irreais, principalmente em redes sociais, tendem a ocultar fraudes. A regra é simples: se a oferta parece boa demais, recuse ou confirme por meios independentes.
Ressarcimento é possível, mas incerto
O reembolso depende da identificação clara do golpe e da localização dos recursos. Algumas instituições cobrem o prejuízo como prática de mercado, enquanto outras condicionam a devolução à recuperação efetiva do valor. A velocidade da dispersão financeira continua sendo o maior obstáculo. “O fraudador recebe R$ 5 mil, repassa R$ 1 mil para cinco contas diferentes em segundos e encerra qualquer rastro”, explica Sidnei Fernando.
Mesmo com o MED, as devoluções não são automáticas. O banco do recebedor analisa o caso, checa indícios de fraude e decide se congela a quantia. Caso o valor já tenha sido sacado ou movido, a recuperação torna-se remota. Por isso, o foco precisa estar na prevenção, não na reparação posterior.
Dicas rápidas de segurança
1. Ative limites de transferência – Configure tetos diários e noturnos no aplicativo bancário. Valores reduzidos criam barreiras adicionais.
2. Use autenticação em duas etapas – Senhas dinâmicas enviadas por SMS ou gerador de tokens aumentam a proteção contra invasões.
3. Bloqueie aplicativos suspeitos – Revise permissões no celular e remova programas de origem duvidosa.
4. Eduque familiares – Explique a idosos e adolescentes que bancos não solicitam códigos nem acessos remotos. Informação é a primeira linha de defesa.
A popularização do Pix trouxe conveniência, mas também exigiu vigilância redobrada. Para preservar o próprio patrimônio, o usuário precisa desconfiar de abordagens urgentes, verificar cada dado antes de transferir e agir com rapidez caso ocorra fraude. Em tempos de tecnologia instantânea, a responsabilidade individual volta a ocupar lugar central na segurança financeira.


