A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar publicações do advogado Thomas Crisóstomo, de Pernambuco, que em 2023 chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ex-presidiário”, criticou a primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) e defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação foi autorizada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e tramita na Justiça Federal de Recife sob sigilo.
Origem da apuração e conteúdo das publicações
Em ofício encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Lewandowski solicitou a análise de postagens feitas por Crisóstomo em redes sociais. Entre os conteúdos investigados estão:
- Pedido público de impeachment de Alexandre de Moraes;
- Afirmação de que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) teria se tornado “cabide de emprego” para a esposa do presidente;
- Referência reiterada a Lula como “ex-presidiário”.
As mensagens, publicadas ao longo de 2023, tinham alcance limitado, segundo o próprio advogado. Ele afirmou que exercia o direito de crítica e não ultrapassou os limites da lei.
Posicionamento do advogado e reação do Ministério da Justiça
Procurado pela imprensa, Thomas Crisóstomo classificou o inquérito como desproporcional: “É absurdo ver o Estado mobilizar tempo e recursos públicos para investigar tuítes com pouco alcance e nenhuma ofensa real. Não cometi crime algum, apenas exerci meu direito de crítica”. O Ministério da Justiça, por sua vez, declarou que não comentará o caso devido ao caráter sigiloso da investigação.
Parecer do Ministério Público Federal
Concluída a fase inicial da apuração, o Ministério Público Federal (MPF) entendeu que o advogado incorreu em injúria contra o presidente. De acordo com despacho da procuradora da República Polireda Madaly Bezerra de Medeiros, datado de 13 de outubro, Crisóstomo “buscou ofender o decoro do chefe do Executivo” ao chamá-lo de “ex-presidiário”. A procuradora enfatizou que “a liberdade de expressão não pode ser utilizada como salvo-conduto para autorizar a publicação de mensagens com claro cunho vexatório e atentatório à imagem de terceiros”.
Apesar do entendimento pela injúria, o MPF ofereceu ao advogado a possibilidade de acordo de não persecução penal. A proposta permitiria encerrar o caso sem ação criminal, mediante o cumprimento de condições como prestação de serviços ou pagamento de multa.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Recusa do acordo e próximos passos
Thomas Crisóstomo adiantou que recusará o acordo e pretende recorrer da decisão no próprio foro da Justiça Federal de Recife. Com a recusa, o processo deve prosseguir para análise judicial, que decidirá sobre eventual recebimento de denúncia ou arquivamento do inquérito.
Se a denúncia for aceita, o advogado responderá a ação penal por injúria, crime previsto no artigo 140 do Código Penal. A pena pode variar de um a seis meses de detenção ou pagamento de multa, mas pode ser majorada quando a vítima é autoridade pública no exercício da função.

Imagem: Internet
Contexto político e debate sobre liberdade de expressão
O caso reacende o debate sobre os limites entre crítica política e crime contra a honra de autoridades. No ano passado, diversas investigações foram iniciadas com base em postagens de rede social, especialmente envolvendo autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário. Enquanto defensores da medida veem proteção à integridade das instituições, críticos apontam risco de censura e uso do aparato estatal para conter manifestações contrárias ao governo.
Na avaliação de juristas, o Judiciário deverá ponderar se as expressões usadas por Crisóstomo configuram ataque pessoal ilícito ou se permanecem dentro do campo da crítica política garantida pela Constituição.
Para acompanhar outras movimentações no cenário político, visite também a seção de Política do nosso portal.
Em síntese, a Polícia Federal seguirá apurando as publicações do advogado, enquanto o Ministério Público já apontou injúria e propôs acordo. A defesa rejeita um desfecho negociado e aposta em recursos judiciais. Continue conectado ao site para novas atualizações sobre este desdobramento e outras notícias que impactam a liberdade de expressão no país.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

