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Preço do café dispara 99% em 18 meses e nova alta já se desenha

Política

BRASÍLIA, 12.set.2025 — O café, item tradicional na mesa do brasileiro, registrou aumento de 99,5% entre janeiro de 2024 e junho de 2025, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Depois de 18 meses de elevação contínua, o produto teve dois recuos consecutivos, mas analistas alertam que o alívio deve ser passageiro.

Valores ao consumidor mais que dobram

Nos últimos cinco anos, o preço do café subiu 230%, bem acima dos 37,8% acumulados do IPCA no mesmo intervalo. Em 2020, o gasto médio do item representava 0,28% do orçamento familiar; hoje, já compromete 0,68%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) revela quadro ainda mais pesado. Entre janeiro de 2020 e junho de 2025, o quilo do café torrado e moído tradicional passou de R$ 16,78 para R$ 66,70, avanço de 297%. Na prática, o consumidor paga quase quatro vezes mais pelo mesmo produto.

Quebras de safra e clima adverso

A cadeia produtiva enfrenta desafios desde 2021. Secas severas reduziram a colheita e elevaram custos de manejo, enquanto pragas se intensificaram com temperaturas altas. A situação se repetiu em 2024, impactando diretamente o rendimento das lavouras.

Os efeitos climáticos também atingiram grandes exportadores, como Vietnã e Indonésia, diminuindo a oferta global. Assim, em 12 de fevereiro de 2025, as cotações da saca de 60 kg alcançaram recordes históricos: R$ 2.769,45 para o arábica e R$ 2.087,05 para o robusta, conforme o Cepea/Esalq.

Mercado internacional pressiona novas altas

Com o início da colheita, em março, e perspectivas de recuperação parcial no Sudeste Asiático, os preços cederam: em julho, a saca de arábica caiu para R$ 1.682,70 (-39,2%) e a de robusta para R$ 975,70 (-53,2%). Os valores ao consumidor recuaram 1,01% em julho e 2,17% em agosto, apontou o IPCA.

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Contudo, fatores recentes sinalizam novo ciclo de encarecimento. Restrições alfandegárias dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros elevaram a incerteza no comércio exterior enquanto compradores do Hemisfério Norte iniciam a formação de estoques para o inverno.

No plano interno, geadas atingiram cafezais no Cerrado Mineiro em agosto, com perda estimada entre 400 mil e 600 mil sacas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta safra de 35,2 milhões de sacas de arábica, queda de 11,2% ante a temporada anterior.

Estoque global no menor nível em 25 anos

A Organização Internacional do Café prevê consumo mundial de 169,4 milhões de sacas em 2025/26, aumento de 1,7% e novo recorde. O estoque inicial da safra, porém, deve ficar em 21,8 milhões de sacas, patamar mais baixo desde 2000.

Essa combinação de demanda firme e oferta limitada sustenta a retomada das cotações. Duas grandes torrefadoras brasileiras confirmaram repasses: a Melitta reajustou os preços em 15% no início de setembro, enquanto o Grupo 3corações elevou 10% no café torrado e moído e 7% no solúvel.

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O cenário indica que o consumidor deve enfrentar novas altas no curto prazo, impulsionadas pela menor produção doméstica, estoques internacionais limitados e custos logísticos em moeda forte. Compartilhe esta matéria e siga acompanhando nossas publicações para ficar por dentro dos próximos movimentos do mercado.

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