A Prefeitura do Rio de Janeiro oficializou, nesta terça-feira, 22, a mudança de nome do percurso dos megablocos do carnaval carioca para Circuito Preta Gil, em homenagem à cantora que morreu no domingo, 20, aos 50 anos, em decorrência de um câncer de intestino. O decreto, assinado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD), foi publicado no Diário Oficial do município e reconhece a participação da artista na retomada do carnaval de rua no Centro da capital fluminense.
O ato administrativo destaca que Preta Gil teve “trajetória pessoal e profissional vitoriosa” e exerceu papel decisivo na consolidação dos megablocos. Segundo a justificativa, a cantora contribuiu para reafirmar o Centro do Rio como espaço de cidadania cultural, atraindo milhões de foliões ao longo de mais de uma década de desfiles.
Percurso tradicional é mantido
O Circuito Preta Gil corresponde ao mesmo trajeto percorrido pelos blocos de grande porte nos últimos anos. A passagem tem início na Rua Primeiro de Março, segue pela Avenida Presidente Antônio Carlos e termina nas proximidades da Rua Araújo Porto Alegre. Esse caminho foi usado pela cantora desde 2009, quando ela estreou o Bloco da Preta sobre um trio elétrico, transformando a região em um dos pontos mais movimentados do carnaval carioca.
De acordo com o texto publicado pela prefeitura, o bloco comandado por Preta Gil é considerado uma das expressões mais representativas da festa na cidade. Durante os desfiles, multidões acompanharam a artista ao longo da rota que agora leva seu nome, gerando impacto econômico e fortalecendo a programação oficial da folia.
Interrupção por tratamento e retorno comemorativo
Em janeiro de 2023, Preta Gil foi diagnosticada com câncer de intestino e iniciou tratamento oncológico. Em razão do problema de saúde, ela anunciou que, pela primeira vez, não puxaria o trio nas ruas naquele carnaval. A edição de 2024 marcou a volta do Bloco da Preta, mas as recomendações médicas impediram que a cantora liderasse o cortejo. Em vez disso, a celebração ocorreu em uma casa de festas na Zona Oeste do Rio, mantendo a tradição de reunir fãs e artistas convidados.
Mesmo ausente do trio elétrico, a artista continuou envolvida na organização do bloco e acompanhou as atividades de perto, reforçando a importância da manifestação para a agenda cultural da cidade. A decisão de retomar o evento neste ano foi considerada simbólica, pois celebrou os 15 anos do projeto e evidenciou a resistência da cantora diante do tratamento contra a doença.


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Velório no Theatro Municipal e cortejo em trio
Após dois anos de enfrentamento contra o câncer, Preta Gil morreu na tarde de domingo, 20, em um hospital da capital fluminense. Atendendo a um pedido da própria cantora, o corpo será velado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no Centro. Um cortejo em trio elétrico também será realizado, reproduzindo o clima dos desfiles que marcaram sua carreira.
Os familiares da artista providenciam o traslado do corpo, mas ainda não há definição de data e horário para as cerimônias. A expectativa é de que o cortejo percorra vias centrais, permitindo a despedida de fãs e amigos que acompanharam a trajetória da cantora no carnaval e na música.
Legado na cultura carnavalesca
Filha de Gilberto Gil, Preta Gil tornou-se figura recorrente nas festas populares do país, especialmente no Rio de Janeiro. Seu bloco mesclava diferentes estilos musicais, atraía artistas de variados segmentos e valorizava a ocupação do espaço público. A partir de 2009, o Bloco da Preta ganhou projeção nacional, reforçando o movimento de revitalização do carnaval de rua iniciado no final dos anos 2000.
A homenagem formalizada pela prefeitura insere o nome da cantora na paisagem urbana de maneira permanente. Ao denominar o trajeto dos megablocos como Circuito Preta Gil, o município vincula a memória da artista a uma das maiores manifestações culturais do calendário carioca. A medida também reconhece o impacto econômico e social gerado pelos desfiles de grande porte que utilizam o percurso.
Com a publicação do decreto, a nomenclatura passa a valer para todos os eventos futuros que utilizem o trajeto durante o carnaval. Organizadores deverão adotar a nova denominação em materiais promocionais, mapas de blocos e documentos oficiais. A mudança ocorre poucos dias após o falecimento da cantora, reforçando o vínculo entre o carnaval do Rio e a história de Preta Gil.
Enquanto os preparativos para o velório seguem em curso, secretarias municipais estudam ações complementares para reforçar a segurança e a logística do próximo carnaval no Circuito Preta Gil. A prefeitura projeta que a nova identificação contribua para valorizar o patrimônio cultural da cidade e manter viva a lembrança do trabalho da artista na valorização do carnaval de rua.


