O primeiro-ministro da China, Li Qiang, discursou nesta sexta-feira (26) na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, e condenou o avanço do que chamou de “lei do mais forte” nas relações internacionais. Falando em nome do presidente Xi Jinping, o dirigente associou políticas protecionistas, como a escalada tarifária promovida pelo governo Donald Trump, à desaceleração econômica mundial.
Críticas ao unilateralismo e às tarifas
Sem citar diretamente os Estados Unidos, Li afirmou que o planeta vive “um novo período de turbulência”, marcado por disputas comerciais, tensões geopolíticas e riscos ambientais. Segundo ele, quando barreiras comerciais substituem a cooperação, “todos perdem”. As tarifas impostas por Washington desde 2018 foram apontadas como exemplo de medida que, na visão de Pequim, freia o crescimento global.
Ao longo da fala, o premiê ressaltou que a “mentalidade de Guerra Fria” voltou a influenciar a política externa de alguns países, ameaçando a ordem internacional construída após 1945. Para o dirigente, apenas o multilateralismo seria capaz de proteger os interesses de nações grandes e pequenas de forma equilibrada.
Posição sobre clima, Ucrânia e Oriente Médio
Li cobrou maior cooperação climática, defendeu o Acordo de Paris e reforçou o compromisso chinês com a transição para uma economia de baixo carbono. Ele recordou as “lições das guerras mundiais” e pediu que os Estados evitem “novos ciclos de violência”.
Sobre a guerra na Ucrânia, o primeiro-ministro reiterou a proposta de negociações diretas entre Moscou e Kiev, criticou sanções unilaterais e destacou a necessidade de proteger civis. No Oriente Médio, voltou a apoiar a criação de dois Estados, Israel e Palestina, com base nas fronteiras de 1967.
Contexto político e comercial
O discurso ocorre poucos dias antes da aguardada reunião entre Xi Jinping e Donald Trump, prevista para a cúpula da Apec, na Coreia do Sul. O encontro deve abordar a disputa comercial sino-americana, que já impacta cadeias produtivas e preços de commodities.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Ao representar Xi, ausente presencialmente da ONU desde 2015, Li buscou reforçar a imagem de um regime que se apresenta como defensor do livre-comércio, mesmo enquanto mantém forte controle interno sob o Partido Comunista Chinês. A mensagem também dialoga com países que dependem de exportações para o mercado chinês e temem novas barreiras tarifárias.
Repercussão entre delegações
Durante a semana de discursos, temas como soberania nacional, protecionismo industrial e segurança energética dominaram o plenário. Delegações que tradicionalmente criticam as práticas comerciais de Pequim acompanharam a fala sem manifestações públicas imediatas. Por outro lado, países alinhados ao bloco dos BRICS defenderam o reforço de acordos multilaterais como saída para impasses comerciais.

Imagem: Internet
Analistas avaliam que a referência indireta aos Estados Unidos sinaliza a continuidade de tensões bilaterais, mesmo com a retomada de contatos diplomáticos de alto nível. O governo Trump manteve taxas sobre bilhões de dólares em produtos chineses, justificando-as como resposta a alegadas práticas desleais de mercado e a questões de propriedade intelectual.
Próximos passos
Pequim espera que a Apec ofereça espaço para discutir a retirada gradual de tarifas e a definição de regras de investimento consideradas essenciais para a retomada do comércio global. O premiê defendeu que grandes potências exerçam “liderança responsável” e não transformem disputas econômicas em rivalidades estratégicas permanentes.
Nas áreas ambiental e tecnológica, Li mencionou a “economia verde” como oportunidade de crescimento compartilhado, afirmando que a China continuará ampliando metas de redução de emissões. Contudo, a introdução de padrões ambientais mais rígidos também é vista por alguns parceiros como possível barreira não tarifária.
Para quem acompanha de perto as pautas de política externa e os reflexos no Brasil, vale conferir outros textos na seção específica do site Política, onde análises e atualizações são publicadas diariamente.
Em resumo, o discurso de Li Qiang reforça a estratégia chinesa de se posicionar como contraponto a políticas protecionistas e de estimular a negociação multilateral em temas quentes como Ucrânia, Oriente Médio e clima. A expectativa agora se concentra na reunião da Apec, que poderá indicar se Washington e Pequim conseguem reduzir tensões tarifárias ou se o impasse permanece. Continue acompanhando nossas publicações para não perder os próximos desdobramentos.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

