1. Linha do Tempo Recente: Do Inquérito das Fake News à Ordem de Prisão
1.1 Marcos Legais e Processuais
O início da controvérsia remonta ao Inquérito 4.781, aberto em março de 2019 pelo STF para investigar a disseminação de fake news contra a Corte. De lá para cá, dezenas de figuras públicas foram intimadas, entre elas Allan dos Santos, blogueiro que se notabilizou por sua defesa ferrenha do bolsonarismo. A possibilidade de prisão de Bolsonaro surge porque a Procuradoria-Geral da República avalia se ele influenciou diretamente a criação de milícias digitais. Conforme o art. 312 do Código de Processo Penal, a prisão preventiva exige prova de materialidade, indícios de autoria e risco concreto à ordem pública ou instrução processual.
Em 2021, Moraes determinou a prisão de Allan dos Santos, que fugiu para os EUA. Desde então, o jornalista denuncia “excessos inconstitucionais”. Segundo ele, a Corte estaria acumulando funções de acusação e julgamento, violando o princípio do juiz natural. A tensão aumentou após as minutas golpistas encontradas na casa do ex-ministro Anderson Torres, conectando novas peças ao quebra-cabeça.
1.2 Momento Político
Com Lula recém-eleito, as atenções se voltam para a estabilidade democrática. Enquanto setores da esquerda pedem punição exemplar a eventuais golpistas, a ala radical de direita aponta “perseguição”. Nesse cenário, a fala de Allan dos Santos no vídeo acima — afirmando que “Moraes já escolheu o preso político de 2024” — acende alertas sobre liberdade de expressão versus responsabilidade.
2. Quem é Allan dos Santos? Perfil, Trajetória e Controvérsias
2.1 Da Igreja Católica à Guerra Cultural
Nascido em Petrópolis (RJ), Allan dos Santos foi seminarista antes de se tornar produtor de conteúdo na internet. Em 2014, criou o canal Terça Livre, inicialmente focado em temas religiosos. Com o impeachment de Dilma Rousseff, virou voz ativa no conservadorismo, ampliando o alcance para 1 milhão de inscritos. Seu método combina retórica religiosa, memes políticos e “denúncias exclusivas”. Doravante, é figurinha carimbada em CPIs, principalmente a das Fake News.
2.2 Acusações Formais
Os principais pontos da investigação contra Allan envolvem (1) financiamento opaco do canal, (2) suposta coordenação de ataques contra ministros do STF e (3) incentivo a atos antidemocráticos. Documentos obtidos pela Polícia Federal apontam repasses de assessores parlamentares ligados ao clã Bolsonaro, embora os valores sejam contestados pela defesa. Segundo a Lei 13.260/2016, incitar a subversão do Estado democrático pode configurar crime antiterrorismo, justificando, na ótica de Moraes, medidas cautelares severas.


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• Em 2020, o Terça Livre chegou a 14,2 milhões de visualizações mensais;
• Após bloqueios judiciais, o canal perdeu 70% do faturamento no YouTube;
• Hoje, Allan mantém parte da audiência via Rumble e grupos fechados no Telegram.
3. A Decisão de Alexandre de Moraes: Fundamentos, Críticas e Possíveis Abusos
3.1 Fundamentos Jurídicos Apontados pelo Ministro
Na decisão que embasa o mandado de prisão de Allan dos Santos e investiga Bolsonaro, Moraes invoca três pilares: preservação da ordem pública, garantia da aplicação da lei penal e proteção à integridade institucional do STF. Ele cita ainda a Convenção Interamericana de Direitos Humanos para justificar medidas “estritamente necessárias” diante de “ameaça real e iminente”.
3.2 Críticas de Juristas
No entanto, especialistas ressaltam possíveis extrapolações:
- O Inquérito 4.781 foi instaurado ex officio, sem participação do Ministério Público.
- Moraes concentra funções de vítima, investigador e julgador, o que fere o art. 5º, XXXVII da Constituição.
- Algumas decisões permanecem sob sigilo, dificultando o contraditório.
- A Tipificação “milícia digital” não está prevista no Código Penal, criando insegurança jurídica.
- O uso extensivo de remoções em redes sociais aproxima-se de censura prévia.
- A cooperação com plataformas estrangeiras ocorre por ofícios, sem carta rogatória formal.
- Com oito prorrogações sucessivas, o inquérito se torna “perpétuo”.
“O STF enfrenta uma ameaça real, mas não pode trocar a constitucionalidade pela conveniência política. A correção de rumos é imperativa.”
– Dr. Gustavo Badaró, professor de Direito Processual Penal da USP (entrevista à Rádio CBN, 14/02/2024)
De 2019 a 2023, o STF proferiu 86 decisões em inquéritos de “segurança institucional”;
65% contaram com voto de Moraes como relator ou revisor.
4. Impactos Potenciais da Prisão de Bolsonaro para o Cenário Político
4.1 Repercussão Parlamentar
Caso a prisão preventiva do ex-presidente se concretize, a reação do Congresso tende a ser imediata. A bancada bolsonarista (hoje 109 deputados) pode tentar instalar Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre “excessos do Judiciário”. Já a oposição governista vê na prisão a oportunidade de enfraquecer a direita radical.
4.2 Reações no Exército e nas Forças Policiais
O Exército tem reiterado compromisso institucional, mas oficiais da reserva sinalizam descontentamento. Em 2020, a crise das notas mostrou que ruídos entre Poderes podem gerar desgaste nas Forças Armadas. Um levantamento do Instituto Igarapé indica que 28% dos militares ativos consomem canais bolsonaristas diariamente, elemento que pode influenciar a coesão interna.
| Possível Ação | Efeito Imediato | Risco Político |
|---|---|---|
| Prisão sem resistência | Reflexo jurídico controlado | Baixo |
| Manifestos de militares da reserva | Pressão sobre o Congresso | Médio |
| Protestos em capitais | Paralisação parcial de estradas | Alto |
| Ação do STF para bloquear redes | Reclamações de censura | Médio |
| Convocação de CPI | Alto desgaste institucional | Médio |
| Declaração contundente do Exército | Risco de crise civil-militar | Alto |
O bloqueio da BR-163 em novembro de 2023 mostrou que 48 horas bastam para desabastecer 30% dos supermercados da Região Norte. A logística é um fator-chave em protestos políticos.
5. Liberdade de Expressão vs. Proteção Institucional: Onde traçar a linha?
5.1 Marco Civil da Internet e Decisões Recentes
O Marco Civil (Lei 12.965/2014) garante a neutralidade de rede, mas delega ao Judiciário a remoção de conteúdos. Em 2022, o STF formou maioria para responsabilizar redes sociais que não barram discursos de ódio. Contudo, a aplicação prática ainda é inconsistente, resultando em divergência entre tribunais regionais. O STJ, por exemplo, anulou 17 decisões baseadas no inquérito das Fake News por falta de clareza na motivação.
5.2 Casos Reais de Precedente
- PCC vs. Estado de São Paulo (2006) – interceptações telefônicas extensivas geraram discussão sobre prova ilícita.
- Processo 1044/DF (2019) – prisão preventiva de hacker de Deltan Dallagnol foi revista após denúncia de abuso.
- Inquérito 4781 (2019-2024) – debate sobre competência e duração.
- Recurso Especial 1.900.120 (2023) – STJ limitou retirada de conteúdo a URLs específicas.
- ADPF 442 (aborto) – controle de agendas no STF revela ativismo judicial.
6. Opinião Pública, Mídia e Perspectivas Futuras
6.1 Termômetro das Redes Sociais
Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV/DAPP) revela que, após cada menção a “prisão de Bolsonaro” no Jornal Nacional, surgem em média 470 mil tuítes em até 24 horas. Análise de sentimentos indica 55% mensagens negativas ao STF, 25% neutras e 20% de apoio à Corte. O índice de polarização (Vader Sentiment Analysis) subiu de 0,62 em 2022 para 0,74 em 2023 – quanto mais próximo de 1, maior a radicalização.
6.2 Roteiro Possível para 2024-2025
- A PGR conclui denúncia contra Bolsonaro até julho de 2024.
- Despacho de Moraes decreta medida cautelar (tornozeleira ou prisão preventiva).
- Plaintiffs recorrem ao Pleno do STF, gerando debate televisionado.
- Senado discute PEC que limita poderes do Supremo.
- Eleições municipais de 2024 viram plebiscito sobre ação do STF.
- Em 2025, Supremo define alcance de “milícia digital” em recurso extraordinário.
- Possível anistia ou indulto presidencial entra em pauta como carta de descompressão política.
- Reformas no Marco Civil atualizam regras de moderação de conteúdo.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. A prisão de Bolsonaro é juridicamente plausível?
Sim. Se comprovados indícios de autoria e risco à ordem pública, a prisão preventiva pode ser decretada com base no art. 312 do CPP. Contudo, há forte debate se tal medida é proporcional.
2. Allan dos Santos pode ser extraditado dos EUA?
Ele possui pedido de extradição ativo. O Departamento de Justiça americano analisa se os crimes imputados têm equivalentes nos EUA (dual criminality). O processo costuma levar de 8 a 24 meses.
3. O STF pode abrir inquérito sem o Ministério Público?
É controverso. A Constituição não veda expressamente, mas a doutrina majoritária defende que a iniciativa deve ser do MP para evitar confusão de papéis.
4. A fala de Allan caracteriza liberdade de expressão?
Depende do contexto. Crítica institucional é permitida, mas incitação à violência ou ruptura democrática não está protegida.
5. Qual o papel do Congresso nessa crise?
O Senado possui prerrogativa de julgar ministros do STF por crime de responsabilidade e pode aprovar mudanças constitucionais que alterem competências da Corte.
6. As plataformas digitais podem se recusar a cumprir ordens de Moraes?
Tecnicamente não. A recusa sujeita a multas e eventual bloqueio. Ainda assim, algumas redes, como o Rumble, argumentam falta de jurisdição global.
7. Há risco de ruptura institucional?
Especialistas consideram baixo, mas não nulo. O fator chave é a reação das Forças Armadas e de setores produtivos diante de manifestações prolongadas.
Conclusão
Em síntese, a polêmica entre prisão de Bolsonaro, as denúncias de Allan dos Santos e os supostos abusos na decisão de Alexandre de Moraes expõe fragilidades e virtudes do sistema jurídico brasileiro. Abaixo, um resumo dos pontos-chave:
- Abertura de inquérito sem MP gera questionamentos constitucionais.
- Allan dos Santos virou símbolo da batalha pela liberdade de expressão.
- Decisões sigilosas alimentam teorias de perseguição política.
- Prisão de um ex-presidente tem impacto direto na estabilidade democrática.
- Engajamento digital amplifica a polarização e dificulta o debate racional.
- A jurisprudência sobre “milícia digital” ainda é incipiente.
- Congresso e sociedade civil precisam redefinir limites entre segurança institucional e liberdades individuais.
Ficaremos atentos aos próximos capítulos, pois a forma como o Judiciário e os demais Poderes lidarão com o caso definirá importantes precedentes para a democracia brasileira. Se você quer acompanhar análises em primeira mão, inscreva-se no canal Márcio Couth / Show Político, curta o vídeo e compartilhe este artigo para ampliar o debate qualificado.
Créditos: Conteúdo baseado no vídeo “🚨 ALLAN DOS SANTOS: PRISÃO DE BOLSONARO E ABUSOS NA DECISÃO DE MORAES”, publicado por Márcio Couth / Show Político.


