No último domingo (3/8), milhares de brasileiros tomaram as ruas em diversas capitais e cidades do interior para defender a causa que, segundo os organizadores, representa “liberdade” e “respeito à Constituição”. As manifestações, marcadas pelo apoio ao ex-presidente norte-americano Donald Trump e pela cobrança de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, transcorreram de forma pacífica e coloriram avenidas de verde e amarelo. Ainda assim, os principais veículos da imprensa tradicional praticamente ignoraram o movimento, limitando-se a registros pontuais ou a menções diminutas em portais de notícias.
Manifestações se espalham por capitais
Os atos ocorreram simultaneamente em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Salvador. Relatos de participantes apontam que cidades de médio porte – a exemplo de Campinas, Londrina, Joinville e Uberlândia – também registraram concentração expressiva de manifestantes. Em todos os locais, os organizadores mantiveram o formato que se consolidou em protestos ocorridos ao longo da última década: hinos tocados em caixas de som, faixas pedindo respeito à liberdade de expressão e cartazes pedindo a saída de autoridades acusadas de abuso de poder.
Embora não tenham sido divulgadas estimativas oficiais de público, imagens compartilhadas nas redes sociais mostram avenidas densamente ocupadas. Em São Paulo, por exemplo, a Avenida Paulista teve quadras inteiras preenchidas desde as primeiras horas da tarde, cenário que se repetiu no Eixo Monumental, em Brasília, e na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro. Não houve registro relevante de confrontos com a polícia ou depredação de patrimônio, fator que reforçou o caráter pacífico da mobilização.
Os manifestantes também prestaram apoio a brasileiros que afirmam estar sendo perseguidos por decisões judiciais na esfera eleitoral e no Supremo Tribunal Federal. Para muitos presentes, a luta seria contra um “regime autoritário” que, na visão deles, utiliza o aparato estatal para coibir opositores e restringir liberdades civis.
Reação contida da imprensa tradicional
Apesar da capilaridade e do volume de pessoas, a cobertura da grande mídia foi discreta. Telejornais de alcance nacional dedicaram poucos segundos ou ignoraram completamente os atos. Em portais de notícia, as publicações se limitaram a notas curtas, com ênfase em supostas divergências de público entre capitais ou na comparação com protestos de anos anteriores. Para analistas que acompanham a relação entre mídia e movimentos de rua, a estratégia de minimizar manifestações contrárias ao atual governo repete um padrão observado desde 2013: noticiar de forma fragmentada, descontextualizar a pauta e, quando possível, atribuir rótulos negativos aos participantes.
Os manifestantes reagiram ao silêncio mediático conferindo maior protagonismo às redes sociais. Vídeos ao vivo no YouTube, transmissões em plataformas de streaming e publicações no X (antigo Twitter) atingiram dezenas de milhares de visualizações em poucas horas, suprindo a lacuna informativa deixada pelos grandes veículos. Porta-vozes do movimento afirmam que essa mudança de rota na comunicação é a única alternativa para driblar o que chamam de “negacionismo da imprensa”.


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Também chamou atenção a ausência de contraponto: quase não houve registros de protestos em defesa do governo federal ou do Supremo Tribunal Federal no mesmo período. O contraste reforçou a percepção, entre os participantes, de que há um desalinhamento entre a cobertura jornalística e o sentimento das ruas.
Contexto histórico dos atos
Desde 2013, o Brasil vivencia ciclos de mobilização popular que ganharam força em 2015 e 2016, com as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff. De lá para cá, três características se repetem: o tom pacífico, a presença maciça das cores nacionais e a defesa de pautas ligadas à liberdade individual. A agenda deste domingo seguiu a mesma linha, somando-se ao clamor por investigações sobre decisões judiciais consideradas excessivas.
O pedido de impeachment de Lula foi motivado por críticas a políticas econômicas e acusações de conivência com supostas violações de direitos de opositores. Já a demanda contra Alexandre de Moraes está ligada a inquéritos que, segundo os manifestantes, avançam sobre liberdades fundamentais, como o direito à opinião e à livre manifestação política.

Imagem: Sebastião Moreira
Próximos passos e clima político
Organizadores anunciaram que um novo calendário de atos deve ser divulgado ainda em agosto, com foco nas frentes parlamentares do Congresso e em agendas internacionais. A expectativa é pressionar deputados e senadores a protocolar pedidos formais de impeachment e a abrir comissões de investigação sobre possíveis excessos do Judiciário.
Enquanto isso, a relação entre imprensa e movimentos de rua deve seguir tensionada. Portais alternativos e perfis independentes ganharam relevância, ampliando o alcance das pautas ignoradas pela mídia tradicional. A disputa narrativa, portanto, migra cada vez mais para o ambiente digital, onde o público escolhe fontes que não replicam a linha editorial predominante nos principais conglomerados de comunicação.
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Com atos pacíficos, bandeiras verde-amarelas e pedidos claros de responsabilização de autoridades, os protestos de 3 de agosto ressaltam a persistente distância entre as ruas e a narrativa da grande mídia. Resta saber se o establishment comunicacional seguirá ignorando o clamor popular ou se terá de reconhecer, ainda que tardiamente, a força de um movimento que não pretende recuar.
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