O xadrez político de Minas Gerais ganhou nova configuração com a filiação do vice-governador Mateus Simões ao PSD. O movimento, oficializado em Belo Horizonte na segunda-feira (27), reforça a construção de uma aliança ampla de centro-direita articulada pelo governador Romeu Zema (Novo) e pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. A chegada de Simões afasta a legenda de nomes alinhados ao governo Lula, como o senador Rodrigo Pacheco e o ministro Alexandre Silveira, e consolida um bloco que pretende manter o comando do Palácio Tiradentes em 2026.
Centro-direita amplia frente com nove partidos
No ato de filiação, Simões citou a união de PSD, Novo, PP, União Brasil, Podemos, Solidariedade, Mobiliza, PRD e DC em torno da continuidade da atual gestão estadual. A estratégia mira o eleitorado que elegeu Zema duas vezes e busca atrair o PL, base natural do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo analistas, o distanciamento recente entre o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e a família Bolsonaro abre caminho para que o partido abrace a candidatura do novo pessedista.
Cleitinho lidera a única pesquisa divulgada até o momento pelo Paraná Pesquisas, realizada entre 1.º e 5 de outubro com 1.505 entrevistados em 68 municípios. Ele aparece com 40,6% das intenções de voto estimuladas, seguido pelo ex-prefeito Alexandre Kalil (13,5%), Pacheco (13%), a petista Marília Campos (10,6%) e Simões (5,9%). A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais e o índice de confiança, 95%.
Apesar do favoritismo inicial, o republicano viu sua relação com Bolsonaro estremecer após declarações de que teria “pago a dívida de gratidão” pelo apoio de 2022. A repercussão negativa obrigou o senador a pedir desculpas publicamente. O episódio é monitorado pelo PSD e pelo Novo, que enxergam oportunidade para um acordo com o PL, especialmente se o deputado Nikolas Ferreira optar pela reeleição à Câmara.
Kalil troca de sigla e busca espaço na esquerda
No campo adversário, a mudança mais relevante foi a adesão de Alexandre Kalil ao PDT. O ex-prefeito de Belo Horizonte deixou o Republicanos, partido de centro-direita, após apoiar o então candidato a prefeito Mauro Tramonte em 2024. Embora tenha histórico de apoio a Lula e ao PT, Kalil rejeita o rótulo de “candidato da esquerda” e insiste em se apresentar como gestor pragmático.
Mesmo assim, nos bastidores o nome dele é visto como principal opção de oposição ao projeto de Zema. Uma das possibilidades ventiladas é a composição de chapa com a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), cotada para a vice. O objetivo seria unificar PDT, PT e demais legendas progressistas, numa tentativa de romper a hegemonia conservadora no estado.


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Para o cientista político Adriano Cerqueira, Kalil enfrenta barreiras que vão além da polarização ideológica. O especialista lembra que prefeitos de Belo Horizonte raramente conseguem transferir capital político para o interior, que concentra mais de dois terços do eleitorado mineiro. A distância de quase quatro anos da vida pública, desde a renúncia em 2022, é outro desafio.
Costura nacional influencia tabuleiro estadual
Além do impacto regional, a aliança mineira carrega peso na discussão presidencial. Kassab trabalha pela viabilização de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como candidato ao Planalto, sem descartar plano B com o governador paranaense Ratinho Junior (PSD). Já Zema, citado como possível presidenciável, mantém foco em Minas, mas apoia a montagem de palanques que fortaleçam uma frente de centro-direita em 2026.

Imagem: mtag Gazeta do Povo Gil Leardi
O alinhamento PSD-Novo é visto como parte desse desenho. Caso o PL migre para o projeto de Simões, a candidatura de Cleitinho perderia respaldo partidário e espaço de rádio e televisão, enquanto a base bolsonarista permaneceria representada por um vice-governador alinhado às pautas de liberdade econômica, segurança pública e responsabilidade fiscal.
Pesquisa dita próximos passos
Ainda que a liderança de Cleitinho seja confortável, o calendário eleitoral é longo. A evolução de Simões nas pesquisas será monitorada para medir o efeito da nova filiação. Já Kalil terá de provar capacidade de articulação dentro do PDT e junto ao PT para se manter competitivo.
Especialistas afirmam que o humor do eleitorado mineiro costuma priorizar resultados administrativos e equilíbrio de contas, fatores explorados por Zema nas últimas campanhas. Nesse cenário, a continuidade do projeto que uniu PSD e Novo pode ganhar tração, sobretudo se contar com a militância bolsonarista.
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Em síntese, a troca de partidos de Mateus Simões e Alexandre Kalil reconfigura o jogo sucessório em Minas Gerais. A consolidação de uma frente de centro-direita e as indefinições da esquerda criam um cenário dinâmico, no qual alianças e pesquisas deverão pautar as decisões dos principais atores até 2026. Fique atento às próximas movimentações e acompanhe nosso portal para não perder nenhuma atualização.
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