O Partido dos Trabalhadores divulgou, na noite de sábado (23), uma resolução em que aponta o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como articulador de uma suposta campanha de influência destinada a afetar o pleito presidencial brasileiro de 2026. Segundo o documento, o republicano pretende usar redes sociais e ferramentas de inteligência artificial para enfraquecer a tentativa de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Documento cita “guerra híbrida” e tarifas contra produtos brasileiros
A peça interna do PT afirma que a “soberania do Brasil” estaria sob ataque direto do governo de Washington. O texto menciona o tarifaço de 50% sobre produtos nacionais, anunciado pela Casa Branca, além de investigações norte-americanas relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os pontos destacados, o partido cita ainda as sanções aplicadas a integrantes do Supremo Tribunal Federal, incluindo Alexandre de Moraes, enquadrado na Lei Magnitsky, que restringe movimentações financeiras em solo norte-americano.
Na avaliação petista, tais medidas compõem uma estratégia de “guerra híbrida” que se estenderia ao uso massivo de plataformas digitais para espalhar desinformação, teorias conspiratórias e discursos de ódio. De acordo com o texto, esses métodos teriam como alvo governos classificados como progressistas e buscariam “corroer a confiança pública” e “fomentar a violência política”.
Regulação de big techs volta ao centro do debate interno
Como resposta, a legenda volta a defender a regulação das chamadas big techs, argumentando que corporações estrangeiras impõem “lógicas privadas de mercado” sobre decisões de interesse público. O PT considera imperativa a criação de regras que limitem o poder dessas empresas na circulação de conteúdo político, atribuindo às plataformas papel decisivo na influência eleitoral.
Ao longo do texto, o partido sustenta que a “ofensiva imperialista” só poderá ser contida por meio de mobilizações populares e da construção de alianças nacionais e internacionais. O plano inclui ampliar a federação que já reúne PT, PCdoB e PV, além de atrair siglas do centrão. Segundo Edinho Silva, recém-eleito presidente petista, essa articulação visa a garantir maioria no Congresso Nacional e sustentação para uma eventual recondução de Lula.
7 de Setembro deve marcar resposta nas ruas
O documento convoca atos em todos os estados para o feriado de 7 de Setembro, data tradicionalmente associada a manifestações civis e militares. A mobilização pretende contrapor os eventos anunciados por apoiadores de Jair Bolsonaro, cujo julgamento no Supremo está marcado para ocorrer entre 2 e 12 de setembro. Edinho Silva argumenta que a presença nas ruas demonstra o “compromisso com a democracia” e fortalece a narrativa de resistência contra a “extrema direita”.


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Além disso, a resolução classifica os pedidos de anistia a investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 como continuidade de uma “tentativa de golpe” iniciada durante o governo Bolsonaro. O partido reafirma que o enfrentamento ao que chama de fascismo requer ação simultânea no campo institucional e nas redes sociais.
Alianças estaduais e meta de bancada federal
O texto final também reforça a orientação para que diretórios estaduais priorizem acordos locais capazes de ampliar as bancadas de deputados e senadores em 2026. A legenda vê nesse movimento a chave para impedir o “retorno a um projeto conservador” e sustentar programas federais rotulados como de desenvolvimento nacional.

Imagem: André Borges
Entre os potenciais adversários citados nos bastidores petistas estão o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nomes considerados competitivos no campo de oposição. A sigla avalia que a união de partidos de centro-direita em torno de uma candidatura única poderia ameaçar a recondução de Lula e alterar o equilíbrio de forças no Legislativo.
Contexto internacional e eleições de 2026
Embora o PT não apresente provas concretas da alegada articulação capitaneada por Trump, o documento ecoa preocupações já manifestadas em outras ocasiões pela esquerda latino-americana sobre a influência de Washington em processos eleitorais da região. O partido afirma que o “caráter prolongado” dessas ações exige vigilância constante e coordenação entre governos “progressistas”.
Ao citar o avanço de ferramentas de inteligência artificial e a segmentação de público nas redes, a resolução sublinha que o cenário de 2026 será marcado por disputas virtuais de grande escala. Ainda assim, não há detalhes técnicos sobre como ocorreria a propagação dos conteúdos considerados nocivos, tampouco indicações de quais plataformas estariam envolvidas.
Em síntese, o PT coloca a suposta interferência estrangeira no centro da estratégia para 2026, reforçando a necessidade de monitoramento digital, regulação de plataformas e mobilização nas ruas. Resta observar como partidos de oposição, o Congresso e as autoridades eleitorais reagirão à acusação de que a maior potência mundial planeja influir diretamente no resultado do voto brasileiro.
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Resumo e próxima leitura: A nova resolução petista denuncia uma possível ofensiva digital liderada por Donald Trump e aliados locais, afirma que a disputa de 2026 exigirá regulação das big techs e convoca mobilização nacional no 7 de Setembro. Continue navegando em nosso site e mantenha-se informado sobre os desdobramentos da corrida eleitoral.

