Brasília, 27 abr. — A direção nacional do Partido dos Trabalhadores destinou R$ 8,2 milhões, entre 2021 e abril de 2025, a duas empresas ligadas a George Barcelos, integrante formal do PT-DF que havia solicitado, de forma informal, seu desligamento do diretório regional ainda em 2021. O nome do dirigente permaneceu ativo por quase quatro anos devido, segundo o partido, a “desorganização burocrática”.
Contratos milionários e dupla vinculação
A companhia Log Produções & Filmes recebeu R$ 7,6 milhões para serviços de audiovisual, locação de equipamentos, transmissões ao vivo, legendagem e intérpretes em Libras. Apenas nos nove primeiros meses de 2024, o repasse somou R$ 1,4 milhão. A Dindue, segunda empresa de Barcelos, firmou 15 contratos, totalizando R$ 600 mil. Entre os acordos, destaca-se o desenvolvimento do site da Federação Brasil Esperança (PT, PCdoB e PV), pelo qual faturou R$ 37 mil.
Os pagamentos se intensificaram a partir de junho de 2021, quando o PT passou a contratar Barcelos diretamente, sem intermediação da agência Urissanê, então responsável pela comunicação do partido. A Log já havia prestado suporte técnico ao projeto Elas por Elas, voltado à participação feminina, ocasião em que Barcelos recomendou a dispensa da agência para “evitar dupla tributação”.
Segundo dados internos, mais de 200 contratos foram celebrados com a Log entre 2021 e 2025. Em janeiro de 2023, por exemplo, a empresa recebeu R$ 51 mil para transmitir a cerimônia de posse presidencial.
Desligamento informal e permanência no diretório
Barcelos relatou à imprensa que pediu “informalmente” sua saída do diretório do Distrito Federal em agosto de 2021. Após o pedido, deixou de frequentar reuniões, grupos de mensagens e demais atividades do partido. A ausência, porém, não impediu que seu nome seguisse nos registros oficiais até 2025, quando o próprio dirigente tentou regularizar a filiação para votar na eleição interna.
Em nota, o PT-DF atribuiu a permanência a “problemas internos e falta de recursos na pandemia”, reconhecendo que o episódio decorre de falhas administrativas. O diretório nacional, por sua vez, declarou não existir “favorecimento nem conflito de interesses”, ressaltando que Barcelos não participava de decisões contratuais.


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Prestação de serviços e questionamentos
O primeiro contrato da Log com o PT, oficialmente registrado em maio de 2021, foi intermediado pela Urissanê, empresa do marqueteiro Otávio Antunes. Após a decisão de contratar diretamente, a Log seguiu prestando serviços técnicos em eventos partidários, convenções virtuais e produções audiovisuais.
A Urissanê chegou a repassar R$ 194 mil à Log nesse intervalo, mas não comentou os repasses. Procurado, Barcelos reiterou que jamais recebeu remuneração por integrar o diretório regional e que acreditava já estar desvinculado quando passou a prestar serviços remunerados. “Saí dos grupos de WhatsApp, parei de ir às reuniões e entendi que não era mais dirigente”, afirmou.
Impacto financeiro e controle interno
O caso expõe a fragilidade de controles internos de um partido que administra recursos do Fundo Partidário em valores expressivos. Num contexto de crise fiscal e cobrança por transparência, os pagamentos reforçam críticas recorrentes sobre a gestão financeira do PT.
Especialistas em direito eleitoral observam que, embora não exista vedação explícita para contratação de empresas de filiados, a legislação exige publicidade dos contratos e comprovação de preço de mercado. A ausência de processos formais de desligamento agrava dúvidas sobre governança e compliance na sigla.

Imagem: Brasil S Mede e Invisible
O que dizem os envolvidos
George Barcelos — Alega ter solicitado a saída em 2021 e desconhecia a manutenção de seu nome no diretório. Disse que sugeriu a contratação direta para evitar encargos tributários adicionais.
PT-DF — Reconhece falha burocrática pela permanência de Barcelos nos registros, atribuindo o problema a “escassez de recursos e dificuldades na pandemia”.
Direção nacional do PT — Informa não ter identificado indícios de favorecimento, sustentando que todas as contratações estão relacionadas a atividades partidárias regulares.
Repercussão e próximos passos
Apesar das explicações, a ausência de procedimentos claros de desincompatibilização deve gerar cobranças internas e externas. O Tribunal Superior Eleitoral pode ser provocado a analisar possíveis infrações se houver denúncia formal. Até o momento, não há investigação aberta.
No cenário político, o episódio alimenta críticas à gestão do partido e reforça o debate sobre transparência no uso de recursos públicos destinados às legendas.
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Resumo: entre 2021 e 2025, o PT pagou R$ 8,2 milhões a empresas de um dirigente que continuou vinculado ao partido por falha burocrática. O caso expõe lacunas de controle interno e deve intensificar a cobrança por transparência no uso de verbas partidárias. Continue acompanhando nossos conteúdos e compartilhe esta reportagem em suas redes.
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