O risco fiscal voltou ao centro do debate econômico e expõe limites para as promessas de aumento de despesas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026. Paralelamente, o agronegócio registra o maior índice de inadimplência da série histórica, sinalizando desafio adicional em um setor crucial para o superávit comercial do país.
Pressão orçamentária restringe espaço para novos gastos
A regra fiscal em vigor, aprovada pelo Congresso Nacional para substituir o antigo teto de gastos, estabelece que as despesas federais só podem crescer em linha com a arrecadação, respeitando fatores como resultado primário e limite de endividamento. Técnicos do Ministério da Fazenda já indicam que, se mantida a mesma metodologia, o governo terá espaço reduzido para iniciativas que ampliem subsídios, reajustes salariais ou transferências sociais em 2026.
A avaliação ganhou peso após declaração do diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, de que a autoridade monetária “não pode brigar com dados”. A fala reforça a percepção de que a instituição continuará avaliando inflação e risco fiscal ao calibrar a taxa básica de juros, ainda elevada para padrões internacionais.
Nesse contexto, Lula assinou nesta semana decreto que altera regras do vale-refeição e alimentação. A mudança atende pleito de centrais sindicais, mas apenas rearranja benefícios já existentes, sem impacto expressivo sobre o orçamento de 2025. Para aliados no Congresso, a medida sinaliza que ações com custo fiscal limitado devem dominar a pauta, pelo menos enquanto o resultado primário não mostra trajetória sustentável.
Inadimplência no agronegócio alcança patamar recorde
Dados da Serasa Experian indicam que a inadimplência no agronegócio subiu para 8,1% em setembro, recorde desde o início da série histórica. O percentual reflete atraso no pagamento de financiamentos rurais, aquisição de insumos e contratos de arrendamento.
A conjuntura adversa resulta de queda nos preços de commodities como soja e milho, além da alta no custo de produção causada pela valorização de insumos importados. Agricultores de médio porte, principal público atendido por cooperativas de crédito, concentram a maior parte dos atrasos.


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Para analistas de mercado, o aumento da inadimplência pode elevar o spread bancário e dificultar o acesso a novas linhas de crédito, justamente enquanto produtores se preparam para o próximo ciclo agrícola. Em paralelo, fundos de investimento em direitos creditórios vinculados ao setor veem pressão adicional sobre suas carteiras.
Tensões comerciais e investimentos bilionários
No cenário externo, o governo dos Estados Unidos deve anunciar nos próximos dias mudanças nas tarifas de importação de café e frutas. O presidente Donald Trump afirmou que pretende reduzir o imposto sobre o café, sem citar o Brasil diretamente. A expectativa é que, caso a medida seja confirmada, exportadores brasileiros ganhem competitividade no principal mercado consumidor mundial.
Entre as empresas, a Braskem concluiu acordo no valor de R$ 1,2 bilhão para reparar danos provocados pelo afundamento do solo em Maceió (AL). O pacto foi firmado com autoridades locais e prevê repasses escalonados, além de monitoramento ambiental contínuo.

Imagem: Andre Borges
No Mato Grosso do Sul, um consórcio internacional iniciou megainvestimento de R$ 25 bilhões em nova planta de celulose. O empreendimento, instalado em município de cerca de 8 mil habitantes, deve multiplicar a arrecadação local e gerar milhares de empregos diretos e indiretos durante a construção.
Mercado monitora compatibilidade entre discurso e realidade
Especialistas alertam que os indicadores recentes reforçam a necessidade de equilíbrio entre gasto público e responsabilidade fiscal. Sem espaço adicional no orçamento, eventuais promessas de campanha voltadas a ampliar programas sociais ou investimentos em infraestrutura dependerão de cortes em outras áreas ou aumento de receita.
Do lado do agronegócio, o recorde de inadimplência desperta atenção porque o segmento responde por quase 30% do Produto Interno Bruto e sustenta superávits na balança comercial. Se o quadro de atraso nos pagamentos persistir, ele pode impactar a arrecadação de tributos e, consequentemente, as projeções de receita federal.
Em síntese, o governo enfrenta dois desafios simultâneos: respeitar a regra fiscal enquanto mantém popularidade com novas despesas e conter a deterioração do crédito rural. A evolução dessas frentes orientará a política monetária, a confiança dos investidores e o ritmo de crescimento em 2025 e 2026.
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