Mensagens rastreadas pela Polícia Federal e incluídas no inquérito que apura uma suposta articulação golpista mostram que a unidade política dos Bolsonaro atravessa o momento de maior tensão desde 2018. Os diálogos destacam divergências estratégicas, críticas pessoais e um clima de desconfiança que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro, os filhos Flávio, Eduardo e Carlos, além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Troca de acusações entre pai e filho
Nas mensagens, Eduardo Bolsonaro afirma que o pai é “ingrato” e se coloca como “maior obstáculo” para qualquer tentativa de ajudá-lo. O ex-presidente rebate chamando o deputado de “imaturo”. Em resposta, Eduardo usa palavrões e cobra reconhecimento: “Você é meu maior obstáculo para tentar te ajudar”.
A irritação de Eduardo cresceu após julho, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e, em seguida, suspendeu a medida. Segundo os registros, Eduardo considerou o recuo de Trump um feito diplomático e lamentou a falta de uma simples publicação de agradecimento por parte do pai: “Se o principal beneficiário não consegue nem postar um tweet leve, estamos ferrados”, escreveu.
Perfis contrastantes de Flávio e Eduardo
Os dados reforçam o contraste entre os dois filhos mais velhos. Eduardo, visto como porta-voz do segmento mais ideológico do bolsonarismo, mantém laços públicos com aliados de Trump e participa de fóruns conservadores internacionais. Ele admite ambição presidencial: “Se for da vontade de Deus, seguirei esse caminho”, declarou em conversa anexada ao processo.
Flávio Bolsonaro adota outro método. Senador desde 2019, construiu pontes com siglas de centro e empresários em Brasília. De acordo com os diálogos, ele avalia que a repetição do sobrenome na urna poderia favorecer a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Por isso, defende a busca de alianças fora da família, inclusive com nomes considerados mais palatáveis ao eleitorado moderado.
Críticas de aliados e o papel de Michelle
As mensagens envolvem também figuras próximas ao núcleo bolsonarista. O pastor Silas Malafaia teria enviado recado direto ao ex-presidente: “Esse seu filho, Eduardo, é um idiota. Ele acabou de entregar à esquerda uma narrativa nacionalista e está te prejudicando”.
Michelle Bolsonaro surge como peça em potencial para eleições futuras. Ela tem intensificado agendas com grupos femininos e igrejas, mas segundo os registros nunca conquistou total confiança política da família. Nos bastidores, especula-se que ela poderia pleitear o Senado. Jair Bolsonaro, porém, teria condicionado eventual apoio a uma exigência: caso Michelle chegasse à Presidência, precisaria nomeá-lo chefe da Casa Civil.
Pressão por uma estratégia unificada
Analistas ouvidos pela PF e mencionados nos autos avaliam que a ausência de um plano coeso ameaça não só o clã, mas todo o campo da direita que emergiu em 2018. Empresários e políticos pedem que Jair Bolsonaro apoie alternativas fora do núcleo familiar, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O objetivo seria evitar disputas internas que fragilizem o grupo e ampliem as chances da esquerda no próximo pleito presidencial.


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Imagem: Internet
O inquérito que revelou as conversas também mantém em debate a possibilidade de restrições judiciais adicionais, entre elas a retenção de passaportes, embora a defesa do ex-presidente tenha apresentado novos esclarecimentos nesta sexta-feira, 22.
Impacto na corrida de 2026
Até poucos meses atrás, os principais institutos de pesquisa apontavam a direita como favorita para 2026. A crise familiar, somada às denúncias sobre uma possível tentativa de golpe, muda o cenário. Caso a rusga interna persista, líderes conservadores temem a fragmentação do voto, abrindo espaço para que a esquerda mantenha o comando do Planalto.
Apesar das divergências, membros do grupo afirmam que ainda há tempo para reorganizar as fileiras e definir candidato competitivo. O impasse, contudo, precisa ser resolvido antes que prazos partidários e coligações se fechem, sob pena de gerar nova dispersão eleitoral.
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As mensagens colocam em evidência uma disputa interna que ultrapassa questões familiares e afeta diretamente o projeto eleitoral da direita brasileira. Resta saber se o grupo conseguirá unir discurso e estratégia a tempo de recuperar terreno. Continue acompanhando nossas atualizações e mantenha-se informado sobre os próximos movimentos do tabuleiro político.

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