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Rio aciona megaoperação, cobra apoio federal e expõe impasse sobre segurança

Política

RIO DE JANEIRO – Mais de cem mortos, confronto armado em duas das maiores comunidades da capital e uma crise política que coloca o Palácio do Planalto no centro das críticas. Esses são os resultados imediatos da megaoperação iniciada pelo governador Cláudio Castro (PL-RJ) na terça-feira, 28 de outubro de 2025, contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos da Penha e do Alemão.

Ofensiva contra o Comando Vermelho

A ação mobilizou policiais civis e militares para cumprir dezenas de mandados de prisão e busca nas áreas controladas pela facção. Segundo a Secretaria de Segurança, o CV mantém no Alemão o seu principal ponto de comando. Durante a operação, criminosos ergueram barricadas, incendiaram veículos e atacaram as equipes com fuzis e granadas.

Até a manhã desta quarta-feira, 29, o balanço oficial registrava mais de 100 óbitos, entre suspeitos, civis e agentes de segurança. O governo do Estado sustenta que a reação armada dos traficantes explica a alta letalidade. O número ainda pode subir, uma vez que há feridos internados em unidades de pronto-atendimento próximas às comunidades.

Governador reclama de isolamento

Durante coletiva no Palácio Guanabara, Castro afirmou que “o Rio está sozinho no enfrentamento das facções” e que a criminalidade extrapolou a capacidade estadual. O governador disse ter encaminhado ofício ao Ministério da Justiça solicitando reforço da Força Nacional e apoio logístico da Polícia Federal, mas não obteve retorno satisfatório.

O jurista André Marsiglia, que acompanhou a operação a convite do gabinete estadual, classificou a postura do Executivo federal como “desinteressada” e declarou que o governo age “em função de prioridades alheias ao combate ao crime”.

Ministério da Justiça contesta

Em Brasília, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, rebateu a cobrança. Ele alegou que “não houve falta de auxílio” e que o Estado poderia ter articulado melhor o planejamento conjunto. Deputados aliados do Planalto, como Tarcísio Motta (PSOL-RJ) e Lindbergh Farias (PT-RJ), reforçaram a crítica, afirmando que o emprego de dados de inteligência teria reduzido mortes.

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Em resposta, a cientista política Júlia Lucy exibiu o documento enviado pelo governo fluminense ao Ministério da Justiça pedindo suporte. Para ela, Lewandowski “mentiu ao negar a solicitação” e tenta transferir responsabilidade.

Escalada nacional da insegurança

Especialistas avaliam que a crise no Rio revela um problema de segurança pública de dimensão nacional. O professor da FGV Daniel Vargas argumenta que a atuação das facções já “contamina setores estratégicos” e ameaça a autoridade do Estado brasileiro como um todo.

Impacto das decisões judiciais

Governador e analistas também apontam entraves jurídicos. A ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, impôs limites adicionais às operações policiais, exigindo comunicação prévia ao Ministério Público e justificativa detalhada para cada incursão. Mais recentemente, resolução do Conselho Nacional de Justiça barrou a Polícia Militar de requerer buscas e apreensões diretamente ao Judiciário, obrigando o acionamento do Ministério Público.

Na avaliação de Julia Lucy, tais medidas restringem a ação policial “além do que a Constituição exige”, mesmo em situações de confronto armado.

‘Bandidolatria’ em debate

A tensão se acirrou poucos dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que traficantes são “vítimas do sistema”. O comentário repercutiu negativamente entre os agentes de segurança. Para críticos, a fala reforça a chamada “bandidolatria”, termo utilizado para descrever discursos que minimizam a responsabilidade criminal dos traficantes.

Próximos passos

O comando da operação informou que as forças estaduais permanecerão na Penha e no Alemão até o cumprimento de todos os mandados. O Governo do Rio deve encaminhar novo pedido de apoio federal e, segundo o secretário de Segurança, considera solicitar auxílio do Exército para patrulhamento dos acessos, caso a situação piore.

No Congresso, parlamentares da oposição articulam audiências públicas para questionar o Ministério da Justiça sobre eventuais omissões. Já o Supremo Tribunal Federal pretende avaliar possíveis descumprimentos de decisões que limitam incursões policiais.

A crise escancara a disputa de narrativas sobre quem deve liderar o enfrentamento às facções. Enquanto o governo fluminense cobra participação decisiva da União, Brasília insiste que a solução passa por integração e inteligência, não por ações de força isoladas.

Para acompanhar outras movimentações em Brasília que influenciam a segurança pública, visite a seção de política do nosso site em Geral de Notícias – Política.

Em síntese, a ofensiva no Rio expôs a distância entre Estado e governo federal na guerra contra o crime organizado. Acompanhe nossas atualizações e participe: deixe sua opinião nos comentários sobre qual deve ser a prioridade na política de segurança brasileira.

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