Brasília, 9 out. 2025 – As tratativas entre Brasil e Estados Unidos para reverter a sobretaxa de 50% imposta aos produtos brasileiros começaram oficialmente após uma ligação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A informação foi confirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista a uma emissora de rádio da Bahia.
Primeiro contato direto após videoconferência com Trump
O telefonema ocorreu na quarta-feira (8), menos de 48 horas depois de uma videoconferência entre Lula e o presidente norte-americano, Donald Trump. Na conversa de cerca de 30 minutos, o chefe do Executivo brasileiro solicitou a retirada imediata da tarifa adicional e o cancelamento de sanções aplicadas a autoridades brasileiras, entre elas medidas da Lei Magnitsky que atingem o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, além da suspensão de vistos de integrantes do governo.
Segundo o relato do presidente, Trump mostrou-se receptivo e, ao final da reunião virtual, indicou Rubio para iniciar o diálogo técnico com o Itamaraty. “Ainda ontem a pessoa que ele indicou, que é o secretário de Estado, ligou para o meu ministro, Mauro Vieira. Talvez a conversa comece a se desenvolver a partir de agora”, declarou Lula.
O presidente observou que a abordagem de Trump surpreendeu positivamente pela cordialidade. Ambos, como ressaltou, têm idade e trajetória políticas semelhantes, fator que teria contribuído para um clima de respeito mútuo. O mandatário brasileiro também sugeriu que dados comerciais apresentados à Casa Branca estariam defasados, motivo que, em sua avaliação, teria motivado a decisão norte-americana de elevar tarifas.
Pontos centrais da pauta bilateral
Além da taxação sobre exportações brasileiras, o governo brasileiro mira o cancelamento de restrições pessoais impostas por Washington. De acordo com o Itamaraty, a devolução do fluxo comercial aos níveis anteriores à sobretaxa e o restabelecimento de vistos para autoridades são condições consideradas mínimas para retomar a relação em bases “equilibradas”.
Para os Estados Unidos, conforme fontes diplomáticas, a pauta envolve garantias de abertura de mercado em setores de infraestrutura, maior proteção a investimentos americanos e compromisso de alinhamento em fóruns multilaterais. A designação de Marco Rubio — senador da Flórida licenciado e voz influente na política externa norte-americana — sinaliza que a Casa Branca busca conduzir o processo com atenção especial a temas de governança, democracia e segurança jurídica.


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Rubio tem histórico de críticas a regimes de esquerda na América Latina e defende controle rígido sobre parceiros que, em sua visão, fragilizam instituições. O secretário chega à mesa de negociações tendo à disposição relatórios detalhados sobre votações brasileiras na ONU e sobre políticas internas que afetam liberdades individuais, ponto sensível para a atual administração republicana.
Próximos passos e possíveis encontros
Questionado sobre uma reunião presencial com Trump, Lula evitou confirmar data, mas lembrou que ambos estarão na Cúpula da Asean, na Malásia, no fim do mês. O presidente brasileiro também reiterou o convite para que o líder norte-americano participe da COP 30, marcada para 2026 em Belém (PA), e declarou disposição de viajar a Washington “quando houver ambiente propício”.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou, em nota, que o governo pretende acelerar o calendário diplomático. “O Brasil está pronto para avançar nas discussões comerciais e institucionais tão logo haja resposta objetiva dos Estados Unidos”, diz o comunicado.
No Congresso Nacional, parlamentares já articulam audiências conjuntas com representantes do setor produtivo a fim de apresentar estimativas de prejuízo provocados pela sobretaxa. Exportadores de aço, alumínio, café e soja relatam queda de receita desde a adoção da medida em agosto.

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Cenário econômico pressiona por solução rápida
Analistas do mercado preveem que a manutenção da tarifa poderá reduzir em até US$ 6 bilhões o superávit comercial brasileiro em 2025. Empresas listadas na B3 afirmam que o câmbio e o emprego no setor manufatureiro podem sofrer impacto relevante caso o impasse perdure. Com inflação acima da meta e crescimento modesto, a equipe econômica considera o desfecho dessas negociações essencial para estancar a perda de competitividade externa.
Do lado norte-americano, a revisão da taxação depende de avaliação do Departamento de Comércio, que abrirá consulta pública nas próximas semanas. Fontes próximas à Casa Branca indicam que Trump pretende usar o tema como demonstração de pragmatismo na relação com países aliados, sem abrir mão de instrumentos de pressão quando julgar necessário.
Enquanto o diálogo avança, o Itamaraty trabalha no agendamento de uma segunda chamada entre Rubio e Vieira. A expectativa é definir grupo de trabalho bilateral, calendário de reuniões presenciais e metodologia para avaliar, trimestre a trimestre, o progresso dos compromissos assumidos.
Acompanhar o desdobramento desses encontros será fundamental para o agronegócio, indústria de base e setor de serviços brasileiros, cujo acesso ao mercado norte-americano permanece estratégico. Caso Washington suspenda a sobretaxa, economistas acreditam em recuperação gradual das exportações até o segundo semestre de 2026.
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Em síntese, a ligação de Marco Rubio a Mauro Vieira marca o início formal de um processo que pode redefinir o comércio entre as duas maiores economias do Hemisfério Ocidental. Resta agora acompanhar as próximas rodadas de diálogo e cobrar celeridade para que o setor produtivo brasileiro volte a competir sem barreiras adicionais. Continue conosco para atualizações diárias e compartilhe esta notícia em suas redes.
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