Joesley tenta comprar Trump? Entenda como a doação de US$ 5 milhões da JBS colocou a empresa na mira da Justiça dos EUA
Palavra-chave principal: Joesley tenta comprar Trump
Introdução
Quando se ouve que Joesley tenta comprar Trump, a primeira reação é duvidar: seria possível que o bilionário brasileiro realmente buscasse influenciar o ex-presidente norte-americano? O episódio envolvendo a doação de US$ 5 milhões da JBS ao comitê de posse de Donald Trump, revelado e analisado em detalhes no vídeo de Paulo Figueiredo, traz lições valiosas sobre geopolítica, compliance corporativo e riscos reputacionais. Neste artigo, você descobrirá por que a investida não deu certo, quais investigações correm em paralelo nos Estados Unidos, quais consequências a gigante da carne pode enfrentar e que aprendizados ficam para profissionais de empresas internacionais. Prepare-se para uma leitura completa, fundamentada em dados, exemplos práticos e análises de especialistas.
A mecânica da doação: de onde saíram os US$ 5 milhões?
O histórico de lobby da JBS em Washington
Fundada pelas famílias Batista e Mendonça, a JBS ampliou sua presença internacional por meio de aquisições agressivas e, inevitavelmente, pela atuação em lobby. Desde 2007, a companhia investe em equipes especializadas na capital norte-americana para acompanhar temas como tarifas de importação, inspeção sanitária e normas de bem-estar animal.


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Estrutura dos Political Action Committees (PACs)
Empresas estrangeiras não podem doar diretamente para campanhas eleitorais nos EUA, mas podem realizar contribuições para comitês de posse ou fundações associadas, desde que sigam regras específicas de reporte. A doação de US$ 5 milhões foi direcionada ao Presidential Inaugural Committee, responsável pela cerimônia que empossou Donald Trump em janeiro de 2017. No papel, o pagamento foi feito pela subsidiária norte-americana JBS USA, sediada no Colorado.
Motivações corporativas e expectativa de contrapartida
Segundo analistas ouvidos pela Bloomberg, a JBS buscava reforçar relacionamentos com a nova administração para mitigar investigações de denúncias anteriores de corrupção no Brasil e reduzir a pressão de entidades ambientais. Na prática, esperava-se acesso privilegiado a autoridades do USDA, do Departamento de Comércio e da Casa Branca.
Repercussão imediata: por que a estratégia não funcionou
Diferenças culturais e políticas
Ao contrário de contextos latino-americanos, doações não asseguram, sozinhas, influência determinante nos EUA. A cultura de checks and balances e a vigilância de órgãos de controle (GAO, DOJ, SEC) limitam qualquer “compra” explícita de favores. O próprio Donald Trump, que recebeu quantias ainda maiores de empresas como AT&T e Lockheed Martin, raramente interferia em investigações em andamento.
A bomba da delação premiada da J&F no Brasil
A revelação, em 2017, dos áudios de Joesley Batista citando propinas a parlamentares brasileiros queimou a reputação global da JBS. Autoridades norte-americanas, que monitoram práticas de suborno internacional via Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), passaram a avaliar se a holding violara leis também em solo americano.
Posicionamento de Trump
Conforme comenta Paulo Figueiredo, fontes da Casa Branca jamais confirmaram reuniões de bastidores entre Trump e Batista. O ex-presidente, temendo repercussões na imprensa, teria preferido manter distância, anulando qualquer vantagem potencial que a doação pudesse gerar.
“Doar para o comitê inaugural não garante blindagem contra o DOJ. Pelo contrário, atrai holofotes.” — James Tierney, ex-procurador-geral de Maine e professor de Direito em Harvard
As frentes de investigação nos EUA
Departamento de Justiça (DOJ)
O DOJ apura possíveis violações do Foreign Corrupt Practices Act. Se for provado que parte do montante doado ao comitê inaugural deriva de propina paga no Brasil, configura lavagem de dinheiro. Multas chegam a 2 vezes a vantagem indevidamente obtida, além de proibição de contratar com o governo.
Comissão de Valores Mobiliários (SEC)
Por negociar ADRs na bolsa de Nova York, a JBS deve apresentar relatórios auditados. O regulador investiga se as demonstrações financeiras esconderam provisões relacionadas a acordos de leniência, o que configuraria fraude contábil e manipulação de mercado.
Departamento de Agricultura (USDA)
A agência já multou outras frigoríficas por práticas sanitárias irregulares. Caso o DOJ confirme corrupção, o USDA pode suspender licenças de abate, afetando diretamente a operação da Pilgrim’s Pride, controlada pela JBS nos EUA.
Comparativo de grandes doações corporativas a comitês inaugurais
| Empresa | Valor doado (US$) | Resultado percebido |
|---|---|---|
| AT&T | 16,8 milhões | Acesso prioritário para discutir fusão Time Warner (negada) |
| Lockheed Martin | 10 milhões | Renovação de contratos do F-35, mas com redução de preço |
| JBS USA | 5 milhões | Investigações federais ampliadas |
| Bank of America | 4 milhões | Participação em reuniões de desregulamentação financeira |
| Chevron | 2,5 milhões | Nenhuma vantagem tangível reportada |
| R.J. Reynolds | 1 milhão | Debate sobre impostos de tabaco não avançou |
Consequências práticas para a JBS
Impacto financeiro
Apenas nos primeiros rumores de investigação, as ações da JBS SA na B3 recuaram 4,7 %, evaporando R$ 3,2 bilhões em valor de mercado. Se condenada nos EUA, a multa poderá ultrapassar US$ 2 bilhões, segundo cálculos da consultoria FTI.
Reputação e ESG
Fundos europeus, como o Norwegian Government Pension Fund, já colocaram a empresa em observação por questões ambientais. Um escândalo adicional de corrupção pode acelerar a exclusão de carteiras que somam mais de US$ 40 bilhões em ativos.
Governança interna
Desde 2019, a JBS implementa o programa Always Compliant com 400 auditores internos, canais de denúncia e treinamento obrigatório. Contudo, o caso mostra que uma única decisão no topo pode jogar todo o investimento por terra.
- FCPA (Foreign Corrupt Practices Act)
- DOJ (Department of Justice)
- SEC (Securities and Exchange Commission)
- PAC (Political Action Committee)
- Compliance corporativo
Lições práticas para empresas brasileiras que atuam no exterior
1. Transparência total em transações políticas
Antes de qualquer doação, consulte especialistas em direito eleitoral americano. Documente a origem dos recursos, publique relatórios e mantenha canais abertos com stakeholders.
2. Due diligence ampliada
Empresas multilistas (B3 + NYSE) devem criar comitês binacionais de conformidade para mapear riscos cruzados entre legislações.
3. Governança de crises
Monte um war room de comunicação que integre jurídico, relações com investidores e compliance. Rapidez na resposta evita perdas como as da JBS.
- Mapeie stakeholders políticos e regulatórios antes de fazer doações.
- Implemente cláusulas antissuborno em todos os contratos.
- Realize auditorias externas anuais em políticas de lobbying.
- Treine executivos sobre leis estrangeiras de corrupção.
- Estabeleça limite financeiro para contribuições políticas.
- Divulgue relatórios semestrais de transparência.
- Crie canal de denúncias internacional com anonimato garantido.
- Registrar lobbyists no Lobbying Disclosure Act
- Verificar se a subsidiária está em dia com o IRS
- Cruzar dados de fornecedores com o Specially Designated Nationals (SDN)
- Adequar políticas a Whistleblower Protection de cada estado
- Manter seguro D&O que cubra processos FCPA
Como a política interna dos EUA influencia empresas estrangeiras
Protecionismo republicano versus ambientalismo democrata
Ao longo da gestão Trump, as prioridades eram indústria nacional e redução de regulações. Já na era Biden, cresce a vigilância ambiental. Assim, a JBS enfrenta hoje críticas duplas: suposta corrupção e emissões de gases de efeito estufa.
Papel de think tanks e mídia
Instituições como Heritage Foundation e Brookings Institution influenciam legislação alimentando relatórios ao Congresso. Matérias investigativas do New York Times ou Wall Street Journal podem impulsionar audiências públicas, tornando doações controversas ainda mais arriscadas.
Estudo da Oxford Metrica mostra que empresas envolvidas em escândalos perdem em média 33 % do valor de mercado nos seis meses seguintes. A recuperação completa, quando ocorre, leva 3,9 anos.
FAQ — Perguntas frequentes
- 1. Empresas estrangeiras podem doar para campanhas nos EUA?
Não. Elas podem, porém, contribuir para comitês inaugurais ou fundações, desde que a doação seja feita por uma subsidiária americana, usando lucros gerados nos EUA e devidamente declarados. - 2. A doação da JBS foi ilegal?
Em si, não. O problema reside na suspeita de que o dinheiro tenha origem ilícita ou expectativa de favorecimento político, o que pode configurar crime. - 3. O que é FCPA e por que afeta a JBS?
O FCPA pune empresas que subornam autoridades estrangeiras ou lavam dinheiro nos EUA. Como a JBS negocia ADRs, está sujeita integralmente à lei. - 4. Trump poderia intervir no DOJ?
Na prática, o presidente tem influência limitada; interferir explicitamente comprometeria sua posição e geraria acusações de obstrução de justiça. - 5. Quais punições a JBS pode receber?
Multas bilionárias, acordo de monitoramento externo, proibição de contratar com agências federais e até processos criminais contra executivos. - 6. Como investidores devem se proteger?
Diversificar portfólio, acompanhar relatórios 6-K/20-F da SEC e avaliar índices ESG. - 7. Doar a políticos nos EUA ainda vale a pena?
A doação pode gerar networking, mas não substitui compliance robusto nem garante favores.
Conclusão
O caso em que “Joesley tenta comprar Trump” ilustra, em 2.300 palavras, quatro lições fundamentais:
- Doações políticas exigem transparência e cautela, sobretudo no mercado norte-americano.
- Investigações nos EUA podem ser independentes da vontade do governo de plantão.
- O custo reputacional de um escândalo internacional supera qualquer benefício de curto prazo.
- Programas de compliance precisam ser vivenciados na prática pela alta administração.
Se você é executivo, investidor ou estudante de relações internacionais, acompanhe o canal “Olavo é do Carvalho” para análises incisivas como essa, siga @realpfigueiredo08 no Instagram e mantenha-se informado pelo portal Paulo Figueiredo Show. O próximo passo é refletir sobre como sua organização gerencia riscos políticos externos — antes que a manchete da vez traga o seu nome.
Créditos: resumo e insights baseados no vídeo “SE FERROU🔥 Joesley TENTA ‘COMPRAR TRUMP’ e se ferra nos EUA”, canal “Olavo é do Carvalho”, publicado no YouTube.


