Brasília, 12 nov. 2025 – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, por 17 votos contra 10, a recondução de Paulo Gonet ao comando da Procuradoria-Geral da República (PGR) para mais dois anos. O placar confirma o apoio mínimo necessário ao indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas revela um desgaste considerável em comparação à votação de 2023, quando o procurador recebeu 23 votos favoráveis. A última etapa será a decisão do plenário ainda na sessão desta tarde.
Seis horas de questionamentos e tensão com a oposição
O procedimento de sabatina durou mais de seis horas e foi marcado por embates entre Gonet e senadores alinhados à oposição. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Jorge Seiff (PL-SC), Espiridião Amin (PP-SC) e Magno Malta (PL-ES) lideraram as críticas, centradas na condução dos inquéritos sobre a suposta tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023, bem como na atuação de assessores próximos ao ministro Alexandre de Moraes.
Gonet defendeu sua gestão afirmando que a PGR “não apresenta denúncias precipitadas” e que cada pedido de medida restritiva passa por “minucioso exame de ponderação entre a intervenção nos direitos fundamentais e a necessidade de apuração”. Segundo ele, manifestações do órgão ocorrem “nos autos” e sem vazamentos que prejudiquem a presunção de inocência.
Os parlamentares contrários contestaram a alegada isenção, acusando o procurador de endurecer contra alvos ligados à direita e de adotar postura complacente em processos envolvendo aliados do governo federal. Em tom firme, Flávio Bolsonaro citou a oferta de denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, destacando que o procurador classificou os fatos de 8 de janeiro como “teatro do golpe” e recomendou punições severas.
Números, encontros e perspectivas de mandato
Durante a apresentação de resultados, Gonet relatou ter recebido 37 senadores em mais de 50 reuniões de trabalho desde que assumiu a PGR, em dezembro de 2023. O órgão, segundo ele, foi instado a se manifestar em mais de 8 mil processos entre janeiro de 2024 e julho de 2025, abrangendo áreas penais, constitucionais e eleitorais.
Ele reforçou que o procurador-geral “não julga”, mas apenas “leva relatos de fatos apurados à avaliação do Judiciário”, reforçando a separação de atribuições entre Ministério Público e tribunais. Mesmo assim, sua gestão ficou marcada pela divisão de réus do 8 de janeiro em quatro núcleos funcionais, atribuindo ao primeiro deles papel “crucial” no planejamento do suposto golpe e apontando Jair Bolsonaro como líder. Esse enquadramento embasou pedido de condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão – decisão já criticada por juristas e parlamentares conservadores.


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A recondução de Gonet pode reforçar a linha de atuação adotada até agora, mas a votação apertada na CCJ evidencia resistência crescente. O parecer segue agora ao plenário, onde é necessário apoio da maioria simples dos presentes. Líderes governistas dão como certa a aprovação, enquanto a oposição tentará amplificar questionamentos sobre imparcialidade e respeito às garantias individuais.
Comparativo com a primeira sabatina
Em 2023, Gonet foi aprovado na CCJ por 23 votos a 4, margem confortável atribuída à expectativa de pacificação após o término do mandato de Augusto Aras. Dois anos depois, o clima mudou. O senador Espiridião Amin classificou a redução de votos favoráveis como “recado político”, indicando desconfiança de parte do colegiado sobre a condução de processos de alta sensibilidade.

Imagem: Geraldo Magela
Apesar das críticas, o procurador voltou a ressaltar que não busca “aplausos transitórios nem exposição midiática” e que seu trabalho se orienta pela “racionalidade jurídica”. Para oposicionistas, no entanto, falta equilíbrio quando se trata de figuras públicas contrárias ao atual governo.
Próximos passos
Se confirmado pelo plenário nesta tarde, Gonet seguirá no cargo até dezembro de 2027. Caso contrário, o presidente Lula precisará apresentar um novo nome, cenário considerado pouco provável diante do compromisso político firmado com a base aliada. A sessão prevista para o fim do dia deverá contar com quórum elevado e voto nominal, mantendo a tensão observada na CCJ.
No âmbito institucional, permanece a expectativa de que a PGR mantenha foco em processos relacionados a atos de 8 de janeiro e em investigações sobre financiamento de manifestações. Ao mesmo tempo, senadores de oposição prometem vigilância redobrada sobre eventuais excessos, citando a necessidade de respeito ao devido processo legal.
Para acompanhar o desfecho em tempo real e outras movimentações no Congresso, o leitor pode visitar a seção de política do nosso portal em geraldenoticias.com.br/category/politica.
Em resumo, a recondução de Paulo Gonet avança, mas encontra oposição mais articulada e questionamentos sobre equilíbrio institucional. Continue acompanhando nossos conteúdos e fique por dentro dos próximos capítulos que podem redefinir a atuação da PGR no cenário político nacional.
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