WASHINGTON, 15 de abril – O Senado dos Estados Unidos aprovou, por margem mínima, o nome de Stephen Miran para o Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed). O economista, que atua como conselheiro do ex-presidente Donald Trump, recebeu 48 votos favoráveis e 47 contrários. A republicana Lisa Murkowski, do Alasca, foi a única a romper com a bancada e votar contra a indicação.
Votação dividida no Senado
A confirmação ocorreu poucas horas antes de o Fed iniciar sua reunião de política monetária de dois dias. Com a posse, Miran assume a cadeira deixada por Adriana Kugler e passa a integrar o grupo de 12 dirigentes que decidem as taxas de juros norte-americanas.
O processo de aprovação foi marcado por questionamentos da oposição democrata sobre a capacidade de Miran de manter independência em relação a Trump. Durante a audiência no Comitê Bancário, senadores do partido criticaram o plano do economista de apenas tirar licença não remunerada do Conselho de Consultores Econômicos da Casa Branca enquanto exercer a função no Fed. Mesmo assim, não houve votos republicanos contrários na comissão.
No plenário, o cenário manteve-se bastante polarizado. Além de Murkowski, nenhum outro republicano se opôs. Já a bancada democrata votou unida contra a nomeação, citando receios de interferência política sobre o banco central, histórico de críticas de Trump ao presidente do Fed, Jerome Powell, e tentativa do ex-mandatário de destituir a governadora Lisa Cook, iniciativa barrada por um tribunal de apelações.
Independência do Fed em foco
Por tradição, o Federal Reserve atua de forma apartidária. A presença de um conselheiro presidencial no conselho de governadores gera, pela primeira vez em 111 anos, a situação de um membro tecnicamente vinculado ao chefe do Executivo federal. Em depoimento, Miran afirmou ter recebido parecer jurídico validando a acumulação, ainda que em licença, e garantiu que seguirá as normas de ética e manterá postura independente.
“Tenho uma mentalidade independente e disposição para contrariar consensos quando necessário”, declarou o economista aos senadores. Ele defendeu também a “supervisão democrática” sobre o banco central, argumento que constava em artigo assinado por ele no Manhattan Institute, citado pelos democratas como prova de conflito de interesses.


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A indicação de Miran ocorre num momento sensível para a economia norte-americana. O mercado de trabalho dá sinais de enfraquecimento, enquanto tarifas impostas por Trump elevam preços em alguns setores, pressionando o duplo mandato do Fed de controlar a inflação e garantir emprego. Paralelamente, o ex-presidente intensificou críticas públicas ao banco pela manutenção dos juros e chegou a dirigir ataques pessoais ao presidente Jerome Powell.
Próximos passos no Federal Reserve
Com a posse, Miran participará já da atual reunião, podendo votar nas próximas decisões sobre juros. A chegada do economista reforça a presença de indicados de Trump no conselho e amplia a influência conservadora nas deliberações monetárias. Líderes republicanos consideram a nomeação passo importante para equilibrar o colegiado, historicamente visto como excessivamente cauteloso na redução de taxas.

Imagem: REUTERS
Especialistas do mercado projetam que a discussão interna seguirá focada na trajetória dos preços e na evolução do emprego. Caso as pressões inflacionárias recuem, cresce a expectativa de cortes graduais nos juros, cenário que corresponde à linha defendida por parte da ala republicana do Congresso.
Mesmo com a proximidade eleitoral, Miran reiterou que não pretende abandonar o posto no Fed após o término da licença na Casa Branca. O mandato de governador é de 14 anos, conferindo-lhe influência de longo prazo sobre a política monetária, independentemente do resultado da próxima eleição presidencial.
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Em resumo, a confirmação de Stephen Miran consolida a estratégia republicana de ampliar voz no Fed e reforça o debate sobre os limites da independência do banco central. Continue acompanhando nossos conteúdos para entender como cada decisão em Washington pode afetar investimentos, emprego e inflação. Assine as notificações e receba atualizações em tempo real.
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