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STF corre para julgar Bolsonaro enquanto Centrão negocia anistia

Política

Brasília — O Supremo Tribunal Federal deu sinais de que pretende concluir rapidamente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), iniciado nesta semana na capital federal. Já no primeiro dia, a Procuradoria apresentou argumentação incisiva, aproximando o destino político do ex-chefe do Executivo da influência exercida por Donald Trump sobre a direita brasileira. Paralelamente, dirigentes do Centrão costuram nos bastidores uma possível anistia, mas condicionam o perdão a exigências que podem alterar o tabuleiro eleitoral.

STF mantém ritmo acelerado no julgamento

O processo em análise no Supremo abrange as acusações de suposta participação intelectual nos eventos de 8 de janeiro de 2023. Logo na abertura da sessão, a acusação adotou tom mais duro do que o esperado, descrevendo Bolsonaro como figura central de um movimento que teria buscado abalar as instituições democráticas. A linha de raciocínio mencionou, de forma explícita, a proximidade do ex-presidente com a estratégia política usada por Donald Trump nos Estados Unidos.

Com base no que foi visto, interlocutores próximos ao tribunal avaliam que a corte não deverá alongar o trâmite. Ministros entendem que os diversos inquéritos já reúnem elementos suficientes para formação de convencimento, dispensando o prolongamento do julgamento. Assim, o cenário mais provável aponta para uma decisão de mérito ainda neste semestre.

Entre parlamentares aliados ao ex-presidente, a velocidade incomum causa apreensão. Integrantes das bancadas liberal e conservadora questionam, em conversas reservadas, a celeridade adotada pelo STF quando comparada a processos que envolvem figuras ligadas à esquerda. Apesar disso, a defesa jurídica de Bolsonaro concentra esforços em tentar afastar a responsabilidade direta do cliente, dissociando-o da invasão às sedes dos Três Poderes.

Centrão calcula os termos de uma anistia

Enquanto o Supremo acelera, o Centrão move suas peças. Dirigentes do PP e do União Brasil — legendas que anunciaram nesta terça-feira (2) a saída formal da base do governo Lula — passaram a defender publicamente a concessão de uma anistia a réus dos atos de 8 de janeiro. Nos bastidores, porém, o perdão não viria de forma irrestrita.

Segundo fontes que participaram de um café da manhã entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a cúpula de seu partido, a anistia serviria como moeda de troca. Parlamentares calculam que, para receber o benefício, Bolsonaro precisaria abrir mão de disputar novas eleições e transferir seu capital político a um nome fora do núcleo familiar. A exigência tem o objetivo de oxigenar o quadro eleitoral de 2026 com figuras de centro-direita capazes de dialogar com o Congresso.

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A proposta agrada a líderes que buscam evitar a fragmentação do campo conservador. No entanto, encontra resistência em setores mais fiéis ao ex-presidente, que veem na eventual renúncia eleitoral uma capitulação. Até o momento, não há projeto de lei formalizado. A interlocução corre em conversas informais no Congresso e pode ganhar corpo somente após o desfecho do julgamento.

Possíveis formatos de perdão

Entre as opções discutidas, a mais citada delimita a anistia aos participantes já condenados ou denunciados pelos atos de 8 de janeiro, excluindo militares de alta patente e financiadores. Outra ideia prevê estender o perdão a futuros condenados, incluindo eventuais sentenças contra Bolsonaro. Esse desenho, entretanto, exigiria quórum qualificado e acordo com o Palácio do Planalto, algo improvável sem contrapartidas claras.

Aliados do governo observam a movimentação com cautela. A equipe política do presidente Lula avalia que apoiar uma anistia ampla poderia desmobilizar a própria base social e sinalizar fraqueza diante de investigações que ainda correm. Por essa razão, auxiliares defendem manter distância do debate até que o STF conclua o julgamento.

Impacto eleitoral e custo político

Se confirmada, a condenação de Bolsonaro forçará a direita a reavaliar seu comando. Pesquisas internas de partidos do Centrão indicam que o ex-presidente ainda concentra percentual relevante de intenção de voto, mas parte do eleitorado mostra disposição para migrar a um sucessor ideologicamente próximo. O acordo que inclua anistia e renúncia eleitoral poderia, portanto, abrir espaço para nomes como Tarcísio de Freitas ou governadores do Sul, tidos como mais palatáveis ao Congresso.

Em contrapartida, a ausência de anistia criaria risco de radicalização. Deputados temem que uma condenação sem possibilidade de perdão transforme o ex-presidente em mártir e estimule manifestações de rua às vésperas das eleições municipais de 2024. O Centrão, historicamente pragmático, tenta equilibrar a defesa institucional com a preservação de uma base eleitoral que foi decisiva nos últimos pleitos.

A expectativa, portanto, é de que Bolsonaro enfrente primeiro a sentença do Supremo. Depois, caberá ao Legislativo — sob pressão de diferentes grupos — decidir se concede ou não o perdão e a que preço. Até lá, as negociações continuam, e cada movimento de ministros, líderes partidários e governadores pesa na balança.

Para acompanhar outros desdobramentos do cenário em Brasília, navegue pela nossa categoria de Política, onde publicamos atualizações diárias sobre decisões do Congresso e do Judiciário.

Em resumo, o Supremo corre para concluir o julgamento enquanto o Centrão articula uma anistia condicionada a concessões políticas do ex-presidente. Mantenha-se informado e volte sempre para conferir as próximas etapas desse embate que define os rumos da direita no país.

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