Brasília, 11 de novembro de 2025. Uma ação penal protocolada diretamente no Supremo Tribunal Federal (STF) por Letícia Sallorenzo, ex-colaboradora do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mira os jornalistas investigativos David Ágape e Eli Vieira, autores da série de reportagens “Vaza Toga 2”. O pedido inclui acusações de incitação, stalking e tentativa de derrubar o Estado Democrático de Direito, além de envolver o ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, Eduardo Tagliaferro.
Atalho processual coloca caso no STF
A petição de Sallorenzo dispensou as instâncias ordinárias e chegou diretamente ao STF. Segundo Ágape, essa manobra repete casos anteriores em que autores de denúncias foram levados à Corte sem passar pela primeira instância. De acordo com o jornalista, o procedimento é semelhante ao que ocorreu contra o blogueiro Allan dos Santos e a repórter Juliana Dal Piva, que também recorreram diretamente ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes.
Para fundamentar sua ação, Sallorenzo alegou que Ágape, Vieira e Tagliaferro fariam parte de uma “organização criminosa” voltada à “derrubada do Estado Democrático de Direito”. O documento se apoia em um tuíte de Ágape, no qual ele teria se referido à denunciante usando a palavra “bruxa” — termo que, segundo ele, já compunha o avatar público de Sallorenzo nas redes sociais.
“Nunca respondi a processo em sete anos de carreira”, declarou Ágape em entrevista, reforçando que suas reportagens se baseiam em documentos, pedidos via Lei de Acesso à Informação e declarações públicas. Ele afirma ter oferecido direito de resposta em todas as publicações.
Acusações e contradições apontadas pelo repórter
A denúncia lista crimes de incitação, perseguição, calúnia, difamação e tentativa de golpe. Ágape rebate a peça acusatória afirmando que não houve ataque pessoal e que qualquer ofensa vinda de terceiros nas redes deve ser tratada individualmente.
O jornalista menciona ainda possível inconsistência no currículo de Sallorenzo, no qual ela se apresenta como “colaboradora informal do TSE”. Em resposta oficial a um pedido de informação, o tribunal teria negado reconhecer tal vínculo. Para Ágape, esse ponto reforça a necessidade de investigação jornalística, não de processo criminal.


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Outro elemento destacado é o vínculo acadêmico de Sallorenzo com Alexandre de Moraes. O doutorado da denunciante teria por objetivo demonstrar a existência de ataques coordenados ao ministro, sendo a tese conhecida como “firehosing” a base teórica de inquéritos conduzidos pela Polícia Federal.
Tagliaferro e a linha de investigação “Vaza Toga 2”
O ex-assessor Eduardo Tagliaferro, incluído na denúncia, atuou como fonte para revelar supostas irregularidades internas no TSE, segundo as reportagens da série “Vaza Toga 2”. Ágape sustenta que, em vez de apurar as informações apresentadas, autoridades preferem investigar o denunciante e quem publica o material.
“Tentam nos associar a uma quadrilha digital, o que é uma distorção absurda”, afirmou o repórter, classificando Tagliaferro como “whistleblower”.

Imagem: Lula Marques
Perspectivas e próximos passos
O caso já foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para parecer. Ágape pede que o procurador Paulo Gonet avalie a denúncia com “serenidade e honestidade”, por considerá-la “uma tentativa de intimidação política”. Enquanto aguarda o desdobramento, o jornalista garante que continuará publicando investigações: “Isso me dá mais gás para seguir trabalhando”.
A defesa dos investigados ainda não foi notificada formalmente. O processo, contudo, já consta no sistema do STF com o nome de usuário de uma das redes sociais de Ágape, não seu nome civil, detalhe que o repórter interpreta como sinal de pressa na abertura da ação.
O episódio reforça o debate sobre a competência do Supremo para julgar diretamente casos envolvendo jornalistas e sobre o limite entre crítica pública e delitos contra a honra. Além disso, reacende a discussão em torno da liberdade de imprensa e da proteção a quem denuncia irregularidades em órgãos do Estado.
Para seguir acompanhando os bastidores da política e entender como decisões judiciais impactam a liberdade de expressão, confira também as análises em nossa editoria de Política.
Em resumo, a ação ajuizada por Letícia Sallorenzo contra David Ágape, Eli Vieira e Eduardo Tagliaferro amplia o embate entre jornalistas independentes e o Supremo. O resultado poderá influenciar futuros inquéritos sobre publicações investigativas. Continue acompanhando nossos conteúdos e compartilhe a matéria para que mais pessoas se informem.
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